Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Fernando Coruja

39ª Sessão Ordinária - 12/05/2015

O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Schneider) - Agradeço a manifestação de v.exa., e convido o eminente Fernando Coruja para o seu pronunciamento, por até dez minutos.

O SR. DEPUTADO FERNANDO CORUJA - Sr. presidente, deputado Aldo Schneider, srs. deputados e sras. deputadas, Santa Catarina e o país, evidentemente, estão de luto. Luto pela morte de um cidadão que construiu uma história, uma carreira política, reconhecida em todo o país. E aqui já foi largamente citada a sua biografia. Uma carreira que está marcada, indelevelmente na história do país.

Na história de Santa Catarina, sem dúvida nenhuma, é a maior liderança política nos últimos 30 anos e deixou um legado importante, e todos precisamos mantê-lo vivo e continuar seu trabalho ao longo da caminhada.

Todos têm histórias relacionadas ao ex-governador Luiz Henrique. Todos que conviveram com ele puderam perceber todas as qualidades que foram aqui realçadas e manifestadas por todas as pessoas. Por aqueles que historicamente foram adversários políticos, mas reconhecem nele a figura do conciliador, do homem público e honesto, da grande liderança política. E nós nesta caminhada junto com ele também pudemos aprender muitas coisas com o nosso amigo ex-governador, ex-prefeito e ex-senador.

Ele nos ensinou muitas lições com seu entusiasmo pela vida pública, um entusiasmo que poucos têm. Porque sabemos das dificuldades políticas do cotidiano, e que não é fácil uma caminhada política.

Eu mesmo acho que tinha parado de disputar eleições em 2006, acabei retornando um pouco pela conversa com o senador, que foi lá me estimular novamente para disputar uma eleição. São poucas as pessoas que conseguem nos convencer cada minuto de que o mundo é bom e que precisamos fazer mais.

Eu lembrava aqui da música Certos Amigos, do poeta lageano e músico, Daniel Lucena, na qual ele fala que certos amigos nos ensinam que o mundo é bom.

Luiz Henrique era assim, sempre entusiasmado, caminhando, dia após dia, dizendo, no seu otimismo, que é preciso avançar.

Já foi ressaltada aqui a sua capacidade de ver o futuro. Era um pregador, Plano 15 na mão, defendendo na televisão, falando em toda Santa Catarina. Um pregador que defendia a ideia que ele construiu da descentralização política e administrativa do nosso estado, e a cada instante ele repetia, quase que como um hino, a questão da descentralização.

Era um pregador líder e que levava as pessoas a segui-lo. Evidentemente que fica um vazio pelo seu desaparecimento. Fica um vácuo em Santa Catarina, mas fica o desafio de continuarmos nesta caminhada.

Lembrava agora que quando ele disputou essa eleição, que perdeu, para presidente do Senado, ele fez um pouco o que o seu grande ídolo, Ulysses Guimarães, fez quando disputou a eleição da anticandidatura a presidente da República.

Ele sabia que não ia vencer a eleição, mas foi disputar. Navegar, dizia Ulysses Guimarães, é preciso, viver não é. É preciso enfrentar os desafios, mesmo que eles sejam difíceis. É preciso enfrentá-los, e isso Luiz Henrique da Silveira nos ensinou.

Por isso, companheiros, é um momento de muita dor para todos que conviveram com ele. Ao lado dessas questões políticas, ele era uma pessoa humana, um homem. Ele se comportava, em Nova Iorque, como se comportava lá em Pinheiro Preto. E por que lembro Pinheiro Preto? Porque, na quarta-feira, eu e o deputado Mauro de Nadal, deputado Dalmo Claro, o nosso presidente, fomos lá à casa dele e queríamos tomar uma água.

Mas ele disse não, vocês têm que tomar um suco de uva, lá de Pinheiro Preto, que tenho aqui. Ele defendia, e parecia que aquela defesa do suco de uva, que deveríamos tomar era a coisa mais importante. E ele era assim, um apaixonado pela defesa, por toda Santa Catarina, pelas coisas do estado.

Ele era um intelectual, preparado. Também, como levantou o deputado Valdir Cobalchini, fui secretário de Saúde dele, e tive a oportunidade, por várias vezes, lá na Agronômica, ou viajando com ele pelo estado, para Brasília, de trocar ideias. Desde literatura, poesia, cinema, que ele adorava, e que são as coisas que eu gosto também. E já foi ressaltada aqui a questão do Bolshoi, a questão de construir o Teatro Pedro Ivo e outras tantas coisas que ele fez pela cultura catarinense.

Quer dizer, ele era uma pessoa preparada, mas que nunca esquecia o seu compromisso maior, que era o cotidiano com as pessoas simples, de ouvir, de escutar, e de construir uma Santa Catarina melhor.

Acho que ele ensinou todos nós a sermos políticos, porque é uma tarefa que precisa de energia, de entusiasmo e de vocação. Com as caminhadas que ele fazia pelo nosso estado, aqui e acolá, ia e vinha, sem descanso.

Eu até comentava com o deputado Mauro de Nadal que talvez se ele não tivesse seguido aquele roteiro, não teria machucado a perna lá em Joinville. Esse acidente vascular, que ele teve, pode estar relacionado com aquele trauma, mas ele persistiu ali. Falou para nós que tinha jogado futebol e achava que era um machucado qualquer, e continuou firme. É quase como se pudesse dizer que ele deu a vida por aquilo que acreditava.

Foi, caminhou, e estamos aí. Já estamos saudosos dele, mas temos a convicção que o pedido que a dona Ivete fez, de que nós respeitemos o seu legado e continuemos com a sua tarefa, nós vamos fazê-lo.

Afinal de contas, navegar é preciso, viver não é.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)