45ª Sessão Ordinária - 26/05/2015
O SR. DEPUTADO NATALINO LÁZARE - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, servidores da Udesc, telespectadores da TVAL.
Gostaria hoje de fazer um breve relato que me foi confiado na comissão de Agricultura e Política Rural desta Casa, a qual eu tenho a honra de presidir, e fazem parte os deputados José Milton Scheffer, Cesar Valduga, Dirceu Dresch, Gabriel Ribeiro, Manoel Mota e Mauro de Nadal.
O agronegócio de Santa Catarina é responsável por 20% do PIB do estado. Produzimos em Santa Catarina oito milhões de suínos no plantel permanente. Somos o maior estado produtor de suínos do Brasil e o segundo maior produtor de aves. E 89% dessa produção são oriundas de propriedades com menos de 50ha. Isso significa dizer que é uma produção oriunda de pequenas propriedades.
Temos falado muito sobre projetos de energia renovável, sobre novas alternativas energéticas, PCHs, energia eólica e tal. E, na semana passada, visitamos um projeto piloto no estado do Paraná nessa área. Tivemos a felicidade de conhecer a maior escola, hoje, no Brasil, que pesquisa o biogás. Tivemos a felicidade de conversar com o maior especialista de biogás no Brasil, o diretor da Itaipu Binacional, Cícero Bley Júnior.
Obtivemos dele informações importantíssimas a cerca desse projeto que trata da transformação de dejetos de animais, especialmente suínos, em gás e em energia elétrica.
Visitamos um plano piloto, sr. presidente, em Marechal Cândido Rondon, onde 33 agricultores formaram uma cooperativa e produzem gás e energia elétrica através de um sistema aparentemente simples. Cada propriedade tem o seu biodigestor, que processa toda essa massa oriunda de dejetos de animais. Esse, por meio de um sistema de canalização, é conduzido para uma pequena central hidrelétrica de onde sai o gás natural, que é consumido na própria propriedade, produzindo energia elétrica.
Isso mostra que um problema ambiental de impacto ambiental fortíssimo, de consequências ambientais igualmente fortíssimas pode reverter-se em uma alternativa econômica de desenvolvimento sustentável para a agricultura catarinense.
Assim, solicito à assessoria que exiba um vídeo para que os srs. deputados e as sras. deputadas possam ter uma ideia do que isso significa.
(Procede-se à exibição do vídeo.)
Srs. deputados e sras. deputadas, essa é uma síntese do projeto. Com todo respeito que tenho a qualquer iniciativa que trata de alternativas energéticas renováveis, acho que nenhuma delas tem um impacto ambiental tão marcante e forte como essa.
Quem conhece a região oeste, deputado Neodi Saretta, deputada Luciane Carminatti, deputado Cesar Valduga, sabe que há um desequilíbrio entre o homem e a produção animal.
No município Iomerê, que tem três mil habitantes, existem 160 mil suínos. Não há mais condições de conviver nessa condição. Temos que encontrar lá alternativas para minimizar o impacto ambiental. E essa alternativa, de quebra, vai dar lucro, resultado. Assim, transformamos um problema em solução, com agregação de valor. Quem conhece um chiqueiro, sabe da situação. Nesse caso, não haverá mosca, mau cheiro e ainda se produz o biofertilizante, que é jogado na natureza, ajudando a produção agrícola também.
O Sr. Deputado Cesar Valduga - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NATALINO LÁZARE - Pois não!
O Sr. Deputado Cesar Valduga - Deputado, parabéns pela iniciativa, por conhecer essa experiência e trazer esse modelo para o estado de Santa Catarina. Vejo que é oportuno esse projeto, até porque, da forma como v.exa. apresentou, a alternativa pode ser trabalhada de uma forma cooperada até pela questão da agregação de valor.
Mas acho significante, principalmente, a questão ambiental. Esses dejetos, os coliformes fecais, que até pouco tempo eram despejados nos rios, porque os chiqueiros eram construídos na beira dos rios, ocasionavam, sem dúvida alguma, impacto ambiental. E o oeste de Santa Catarina - os municípios de Concórdia, Chapecó e outros - tem sofrido muito com o impacto no lençol freático em função dos dejetos suínos.
Então, vejo que essa parceria pode ser construída. É claro que se precisa do aval e do apoio do governo do estado, da Epagri, dos órgãos governamentais, através de uma linha de financiamento que venha permitir isso. Existem muitas iniciativas hoje que vivem essa dificuldade. Mas, soluções como essas devem ser aplicadas para melhorar a produção e agregar valor à produção catarinense.
Parabéns pelo gesto! Parabéns pela iniciativa!
Cumprimento também os colaboradores da Udesc pela luta. Contem conosco!
(Palmas)
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO NATALINO LÁZARE - Deputado, não precisa agradecer, porque essa é uma ideia da comissão de Agricultura, da qual v.exa. faz parte. Não é um projeto do deputado Natalino Lázare, mas, sim, da comissão de Agricultura. E gostaria que a Assembleia Legislativa fosse a favor de um meio ambiente melhor para os catarinenses viverem.
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NATALINO LÁZARE - Pois não!
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - Quero dizer, deputado, que desde 2008, com o Projeto Semear, discute-se nesta Casa, as questões de energias renováveis. Na próxima quarta-feira, às 15h, estaremos lançando uma frente parlamentar para o desenvolvimento de energias renováveis, no sentido de buscar a sustentabilidade de forma fantástica, como esta apresentada por v.exa. nesta tarde. E queremo-nos juntar a projetos como esse para fazer de Santa Catarina uma referência para o Brasil.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO NATALINO LÁZARE - Antes de encerrar, gostaria de registrar a presença do ex-deputado, grande parlamentar desta Casa, o sr. Idelvino Furlanetto, que nos visita com o seu tradicional boné.
Seja bem-vindo, deputado!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)