Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

16ª Sessão Ordinária - 14/03/2013

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, quero ressaltar hoje o dia internacional do rim. Como médico que sou faço esse registro, tendo em vista que o Brasil é um dos países que mais faz transplante de rim no mundo e que Santa Catarina é capital em transplantes.

Então, a minha saudação a todos os pacientes renais crônicos e a todos os centros de atendimento a esses pacientes e também aos profissionais que trabalham nessa área. A minha homenagem especial ao Centro Vida, de Rio do Sul, que completa dez anos atendendo a esses pacientes com hemodiálise, que tem na coordenação o dr. Ercides Pfeiffer, clínico e nefrologista, grande profissional daquela área.

Também quero aqui neste momento fazer um registro e parabenizar, desejando felicidades, que seja acompanhado por Deus, o argentino Jorge Mário Bergoglio, o papa Francisco, o primeiro latino-americano que assume essa missão pelo resto da sua vida. A missão de representar a igreja católica e de representar, quem sabe, um novo caminho nessa igreja. Sou um católico e quero aqui registrar que a igreja precisa quebrar paradigmas e precisa enfrentar determinadas questões que em séculos passados não faziam parte da pauta do dia a dia da sociedade brasileira, latino-americana e mundial.

Vemos que a igreja católica tem perdido uma série de fiéis em decorrência de temas não enfrentados, a exemplo do celibato. A igreja tem que abrir para ver se é isso que a sociedade que a tem seguido considera como algo que se consubstancie como uma realidade, porque quando a igreja foi criada a leitura bíblica e da sociedade era uma. E com a evolução do mundo, as questões tecnológicas, muitos temas passaram a ser debatidos.

A igreja vai ter que efetivamente fazer o debate da homoafetividade, um tema do dia a dia, em que a sociedade, através de legislação, inclusive, permite a união de pessoas do mesmo sexo. Esse tema tem que ser claro pela igreja, quebrando um paradigma. Acho que a igreja deve debater o fato também de as mulheres não poderem ser ordenadas, para também levar a religião. As mulheres não tinham direito a voto, passaram a ter direito a voto. O nosso partido definiu que regimentalmente 50% das mulheres têm que fazer parte das executivas.

Quem sabe, no século passado, não precisássemos fazer esse debate. Mas se a igreja quiser evoluir, dom Francisco é um Papa de perfil conservador e durante a ditadura militar da Argentina teve posições claras do ponto de vista político, mas tenho que reconhecer que do ponto de vista de estar do lado dos mais pobres ele sempre teve essa postura.

Porém estar do lado dos mais pobres não significa que ao estar do lado de um governo conservador não empobreça esse povo que a gente esteja ao lado.

Esse debate a igreja vai ter que enfrentar, e espero que o Papa Francisco comece a fazer esse debate, porque a igreja vai ter que começar a debater a questão da pedofilia dentro da igreja, eis que quase que diariamente estamos vendo denúncias esse problema que tem si a esse respeito. E não tem sido debatido pela igreja.

Temos a lei da transparência, então, temos que ter transparência nisso também, para que nós fiéis, cada vez mais, possamos acreditar na Igreja Católica.

Então, estou fazendo este pronunciamento, primeiramente, para desejar ao primeiro Papa latino-americano muita saúde, segundo, sapiência divina para que conduza a igreja no melhor rumo possível, porque se a gente for se aprofundar na renúncia do Papa que sai, incrustada nisso está a questão da corrupção que também tem dentro do Vaticano, principalmente dentro do banco de Roma, que está claro na mídia internacional.

Por isso, deputado Valmir Comin, que é de origem italiana, de região de Belluno, assim como eu que também tenho, foram quase dois milhões de italianos que vieram para o Brasil.

A Igreja Católica, cujo pontificado está em Roma, tem que começar a discutir novos rumos, quebrando paradigmas, adequando-se ao novo debate que existe e principalmente dando aos seus fiéis, cada vez mais, a convicção de que o caminho que se constrói, o caminho da divindade, o caminho da consistência, da solidariedade e da perspectiva de um mundo melhor, também passa pela nossa Igreja Católica, que terá agora à frente o primeiro Papa latino-americano.

Lógico que estávamos torcendo por um brasileiro, mas não há problema. É argentino, a nossa rivalidade é apenas no futebol, não na igreja.

Por isso, desejo mais uma vez ao Papa Francisco muita fé, muita garra, muita perseverança, muita disciplina e muita limpeza também na corrupção que tem no Vaticano.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)