56ª Sessão Ordinária - 18/08/2004
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Sr. Presidente e Srs. Deputados, nós não poderíamos deixar de fazer hoje à tarde algumas considerações a respeito da reunião que tivemos na manhã de hoje, na Comissão de Finanças, com a presença do eminente Deputado Federal e Presidente do Badesc, Dr. Renato Vianna.
Eu fui um dos subscritores, juntamente com o Deputado Joares Ponticelli, do requerimento para que a Comissão de Finanças ouvisse o Presidente do Badesc de uma maneira respeitosa. E o requerimento foi respeitoso, tanto é que obteve a aprovação da unanimidade dos nove membros da Comissão de Finanças.
Ouviu-se e leu-se muita coisa na imprensa nos últimos dias a respeito da SCGenéricos, Elofar e outras empresas envolvidas neste processo, dando a entender que pode ter ocorrido irregularidades na implantação da empresa, e agora, principalmente, na venda dessa empresa que foi criada para produzir remédios baratos em Santa Catarina.
Causou-nos decepção a maneira como o Deputado Renato Vianna, uma pessoa costumeiramente polida, super experiente e tranqüila, chegou hoje na reunião da Comissão. O Deputado Afrânio Boppré indagou se eu, como um dos requerentes, queria dar alguma explicação ou fazer algum comentário. Eu disse que gostaria, com base no requerimento feito, de que o Deputado Renato Vianna fizesse uma divagação, colocando os fatos sobre aquilo que ele foi convidado para vir falar a respeito. Ele falou durante quarenta e poucos minutos e não disse uma palavra com relação ao tema. Abriu a reunião - e é bom que o Deputado Manoel Mota esteja aqui, porque pela manhã ele fez a defesa - de maneira inusitada, totalmente fora de si, contrariando a sua história e a sua biografia, colocando-se acima do bem e do mal, e colocando na vala do mal este Deputado e os Deputados Antônio Carlos Vieira e Reno Caramori.
O pecado do Deputado Reno Caramori é ter uma irmã que casou com o cidadão e o mal do Deputado Joares Ponticelli é que, ao ser indagado, quando Líder do Governo, sobre as condições de tramitação de um projeto aqui na Casa, ele disse que não teria problema. E qual o pecado deste Deputado? Ele disse que eu assinei uma ata...
Aliás, ele se equivocou dizendo que eu era o Presidente do Conselho. Na verdade, eu era o vice-Presidente, pois o Presidente do Conselho era o Deputado Antônio Carlos Vieira, por força de lei. Como Secretário da Fazenda, era o Presidente do Conselho e o Secretário do Desenvolvimento Econômico à época era o vice-Presidente.
Em março de 2002, houve uma reunião na qual foi-nos colocado, como Conselheiros, sobre a viabilidade de se implantar em Santa Catarina uma indústria de remédios baratos, populares, utilizando até uma visita que uma comitiva de Santa Catarina fez à China, capitaneada pelo vice-Governador Paulo Bauer, que trouxe um projeto. E quando esse projeto foi-nos apresentado, ele foi de interesse para Santa Catarina, e o Conselho, naquela oportunidade, autorizou a continuação dos estudos. Eu teria que ver a ata daquela reunião, mas vou tentar me reportar ao que me lembro. Então, como Conselheiro, assinei a ata da reunião, uma ou duas, em que se autorizava a continuidade dos estudos para se instalar em Santa Catarina essa unidade.
Aí no mês de abril, por força da lei eleitoral, eu me desincompatibilizei da Secretaria e o Deputado Antônio Carlos Vieira também, e, evidentemente, não fiz mais parte do Conselho de Administração do Badesc. E foi exatamente no ano de 2002 - portanto, totalmente depois que nós estávamos lá - que essas coisas aconteceram.
Inclusive, vou usar mesmas as palavras do Deputado Renato Vianna, que disse: "Admira-me que os mesmos autores de um ato lesivo ao erário público de Santa Catarina tenham a coragem de assinar o requerimento para que eu viesse aqui fazer o depoimento".
Quando tive a oportunidade de falar, perguntei se ele me achava com cara de bobo, porque só se eu fosse muito bobo para assinar um requerimento para trazer uma questão contra mim! E é mais ou menos isso que o PMDB está fazendo hoje: defendendo o Paulo Afonso e as Letras, que vai estourar em nós, porque se der tudo certo, o Estado vai ter que pagar um R$1 bilhão. Santa comemoração que estão fazendo hoje! Se der tudo certo para o Paulo Afonso quanto a essa questão das Letras, o Estado vai ter que pagar R$1,2 bilhão e não vai ter Conta Única, Deputado Jorginho Mello, que vai salvar para pagar isso!
Quer dizer, como eu iria fazer um convite a uma autoridade, pela qual tenho o maior respeito possível, para vir aqui falar de uma coisa que estaria envolvido?!
Quero deixar registrado aqui que hoje pela manhã até me passei - algumas vezes falo num tom acima do devido, mas essa é a minha maneira de ser, e nunca com maldade, mas com sinceridade -, mas é que eu nunca imaginei que um dia uma pessoa do quilate e da biografia de Renato Vianna pudesse usar de um argumento tão rasteiro, tão mesquinho e tão medíocre para chegar numa Comissão e intimidar.
Talvez um dia eu conte a história do pires, Deputado Renato Vianna, que o Senador Jaison Barreto falou, mas hoje não vou contar essa história. Olha o pires, Deputado Renato Vianna! Quem sabe um dia Santa Catarina vai se lembrar da história do pires, Deputado Renato Vianna! Eu sei que talvez desperte a curiosidade, mas não vou contá-la hoje. Talvez um dia eu precise dizê-la, mas não gostaria porque sempre tive o maior respeito por todas as pessoas. Posso até esbravejar de vez em quando, mas jamais, com intenção própria, vou tecer algum comentário desairoso a qualquer colega do Parlamento, a um Deputado Federal, pelo respeito às pessoas.
Sou Oposição, já fui Situação, mas, acima de tudo, sou um cidadão de bem, graças a Deus! Sou pobre, com pouca cultura, mas tenho muita vergonha na cara. Nunca fiz um ato que seja desonesto nos meus 59 anos de vida! E se o fiz, não sei, e pode ter sido inconsciente. Segui uma formação de berço, reforçada durante três anos de seminário, que me levou a fazer o bem sempre! Duvido que algum dia uma pessoa adversária minha levante a insinuação de que eu tenha praticado alguma coisa de mal a alguém. No meu ser não há alguma coisa de maldade; só quero fazer o bem e é isso o que eu faço!
Agora, aquilo que eu ouvi hoje do Deputado Renato Vianna constrangeu-me - e saibam que tem horas que dá vontade de parar e que alguns fatos fazem-nos esmorecer -, porque se valer da inocência de pessoas que estavam ali para tentar se autodefender de uma coisa que ele não estava sendo acusado... Ninguém acusou-o de nada! Eu disse - e inclusive saiu na imprensa - que eu torcia para que ele viesse aqui e esclarecesse tudo. Mas fiquei com sérias dúvidas. Depois da maneira como ele entrou no circuito, acho que temos que ir fundo nessa questão, porque quem não deve, não teme!
Eu não tenho medo de insinuações porque nunca fiz nada de mal. Jamais pratiquei o mal e jamais vou praticar. Não me intimido com as insinuações maldosas, levianas e irresponsáveis dele, que um dia foi comparado a um animalzinho que gosta de fazer a sua refeição num pires. Mas essa história eu conto outro dia!
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Gostaria, somente para confirmar suas palavras, de dizer que a minha participação, bem como a de V.Exa., nessa história dos Genéricos limitou-se a essas duas atas de assembléia em março de 2002. E em abril nós nos afastamos para sermos candidatos.
Agora, não entendi também a reação nervosa do Dr. Renato Vianna, que tem uma memória também muito interessante; ele só se lembra o que aconteceu até abril de 2003 com relação ao Genérico. Após essa data ele não se lembra de mais nada.
Essa memória das pessoas é que me assusta. As pessoas, ao invés de lembrarem das coisas atuais, lembram-se das coisas passadas. Na medicina isso tem um nome. Eu acho que o Deputado Renato Vianna, Presidente do Badesc, tem essa doença!
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Muito obrigado, Sr. Presidente e Srs. Deputados!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)