Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Carlos Vieira

72ª Sessão Ordinária - 06/10/2004

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, boa-tarde a todos.

Eu, inicialmente, quero dizer a V.Exas. que hoje eu fiquei surpreso com a atitude do Deputado Cézar Cim, que veio para a tribuna fazer um combate à carga tributária, o que concordo com ele. Tanto é verdade que eu pedi um aparte para, além de me solidarizar com ele pelo seu pronunciamento, informá-lo que estava acreditando que essa sua colocação feita da tribuna era realmente feita de coração, que ele é contra realmente a carga tributária.

E eu coloquei de que na Casa tem um projeto de lei de origem governamental que aumenta a carga da taxa de Segurança Pública deste Estado, e aumenta violentamente, como se aumento de taxa fosse resolver o problema de criminalidade deste Estado!

O Deputado Cézar Cim não entendeu e resolveu jogar para cima de mim uma série de elogios! Chamou-me de azedo, achando que eu, na minha vida pública, seria o causador do aumento de carga tributária.

O Deputado Cézar Cim não tem a minha idade, não! Eu, graças a Deus, não tenho a idade dele. Eu sou um pouco mais vivido do que o Deputado Cézar Cim, eu tenho mais experiência de vida do que ele.

O Deputado Cézar Cim deve ter muita experiência como Promotor Público, mas hoje, na tribuna, ele, infelizmente, negou toda a sua ação como emérito Promotor Público em Blumenau, assacando contra um Colega deste Parlamento sem que razão alguma houvesse, porque a minha colocação no aparte foi exatamente em cima do pronunciamento do Deputado Cézar Cim, concordando com ele e simplesmente pedindo coerência.

Agora, se o Deputado Cézar Cim não é coerente e essa falta de coerência talvez seja em decorrência do resultado das eleições, talvez ele esteja, hoje, preocupado com a posição do Governador do Estado de Santa Catarina que, não podendo viajar por ação desta Assembléia, quer aprovar ou decidir pelos projetos de origem governamental, que exige urgência, e nós, como Deputados de Oposição, queremos que esse projeto seja decidido, mas não são decididos, não.

Talvez seja por isso que o Deputado Cézar Cim resolveu bradar contra mim. Eu não imaginava que o Deputado Cézar Cim tivesse esta atitude contra mim.

Eu quero dizer, sinceramente, que nunca tive duas caras, a minha cara é a mesma. Eu não faço jogo de comadre nem de compadre, para mim é dez ou é cem, não tem jeito, não!

Para mim inimigo é inimigo e meio. Não adianta vir para cá e depois, daqui a algum tempo ou a algumas horas, dizer que se excedeu. Não. Eu me ofendi, sim, Deputado Cézar Cim. Eu me ofendi muito fortemente e quero dizer que V.Exa. pode não ter um grande inimigo nesta Casa, mas terá um adversário, pode ficar certo. E sempre que eu puder lhe mostrar os seus erros, vou lhes mostrar!

Porque com a idade que eu tenho, 63 anos, não vou aceitar de ninguém que tenha menos idade do que eu vir me chamar a atenção por atos que eu não tenha praticado!

Eu quero, Deputado Cézar Cim, que V.Exa. me prove que eu aumentei a carga tributária do contribuinte catarinense de algum modo quando fui Secretário da Fazenda ou mesmo quando exerci algum cargo público no Estado de Santa Catarina. Eu quero que V.Exa. me prove isto. Quero que V.Exa. venha aqui e diga que coloquei esta ou aquela carga tributária, que aumentei o ICMS, que eu fiz isso e aquilo.

Eu gostaria, sim, Deputado Cézar Cim, até pela coerência do discurso, que V.Exa. prove o que disse.

Não faça ataque fácil, com palavras fáceis fluídas de um grande orador que V.Exa. é e eu não sou, porque não tive o dom e nem a esperteza de estudar bem como V.Exa. estudou.

Eu nunca tive condições de ser Promotor Público, porque eu tinha que trabalhar, Deputados.

Então, isso é inglório para mim, porque nunca ofendi ninguém, Deputada Ana Paula Lima. Eu sempre respeitei as pessoas e os menos favorecidos da sorte, como os mais favorecidos, independentemente de idade.

Nunca joguei pecha em cima de ninguém. Sou opositor a este Governo, mas nunca, em momento algum, ofendi a pessoa de quem quer que seja, de Governador do Estado, de vice-Governador, de Deputado Federal, de Deputado Estadual, de Secretário do Estado, de Senador, porque, antes de tudo, são pessoas públicas, como hoje eu me considero, Deputado Onofre Santo Agostini.

Hoje eu me considero, com a graça de Deus, com 32 mil votos, um representante do povo catarinense. E não tenho medo disso porque não vai ter nenhum Governador do Estado, não vai ter nem o meu Partido e nem quem quer que seja para me tirar estes 32 mil votos.

Eu só devo uma responsabilidade a esta Casa, pois se eu me exceder poderei perder, sim, aí por questão minha, por interesse meu, desrespeitando o regulamento desta Casa, a posição em que me encontro. Mas até lá, até daqui a dois anos, quando vão ser realizadas novas eleições...

O povo catarinense me atribuiu votos para eu vir para cá, e não vou aceitar, Deputado Onofre Santo Agostini, que sem razão nenhuma um Deputado ou seja quem for, o Deputado Cézar Cim ou qualquer outro, venha bradar adjetivos contra a minha pessoa.

Eu nunca lhe fiz mal nenhum, Deputado Cézar Cim, mas V.Exa. pode ficar certo de que se eu desejar muito mal eu poderei lhe fazer, mas não quero, absolutamente, porque nunca foi do meu feitio guardar qualquer tipo de mágoa contra qualquer pessoa, sem que a expanda.

Eu sou este aqui que tem uma cara só, eu não tenho duas caras; quem gosta de mim gosta como eu sou, porque sabe que eu não tenho outra forma de ser e agir.

Se sou, muitas vezes, crítico à posição de projetos do Governo ou faço, com alguns Deputados, colocações desta tribuna ou nos microfones de aparte, o faço com o objetivo de colaborar com a democracia. Agora, não se conseguirá nunca ser democrático quando com democracia se procura buscar adjetivos contra pessoas que não os merecem ou pelo menos que não os sejam justificados.

Mas eu quero cumprimentar o Deputado Nilson Machado pelo seu poema, acho que entendi muito bem ao que ele quis se referir e acho que está coberto de razão.

Quero cumprimentar também a todos que se dispuseram a enfrentar as urnas no dia 03 de outubro de 2004, tendo sido eles os vencedores ou tenham sido eles os derrotados.

E quero dizer, Deputado Dionei Walter da Silva, que muitas vezes é muito mais valioso quem perde, quem é o derrotado, porque enfrentou a boa luta e saiu de uma disputa eleitoral cada vez mais com moral, porque prestou um serviço à comunidade, mesmo que essa sociedade não tenha aceitado, na sua maioria, o seu discurso ou o seu apelo.

Estes, sim, são democratas e foram para as urnas enfrentar a posição e a decisão do eleitor. Muito mais nobre do político é aquele que enfrenta, Deputado Onofre Santo Agostini, a decisão do eleitor.

Por isso quero cumprimentar a todos, sejam candidatos a Prefeitos, a vice-Prefeitos, sejam os nossos Deputados, colegas nossos, não sejam os Deputados, mas homens do povo que se dispuseram a ser candidatos a Prefeito, a Vice-Prefeito, a Vereador, a Vereadoras, aos senhores e às senhoras que se dispuseram, no dia 03 de outubro, a disputar uma vaga.

Enfim, quero cumprimentar a todos e agradecer a V.Exa., Presidente, por esta oportunidade.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)