Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Nelson Machado

81ª Sessão Ordinária - 10/10/2006

O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. presidente, sra. deputada, srs. deputados, público que nos acompanha através da TVAL e da Rádio Alesc, enquanto eu estiver aqui, nesta Casa, até o dia 31 de janeiro, eu gostaria de dar uma resposta a tudo e a todos.

Lendo a coluna do Miltinho Cunha, meu amigo, neste final de semana, pude constatar que ele colocou no jornal que o deputado Duduco perdeu a eleição porque brigou com a Angela Amin, com o Luiz Henrique e não foi à Parada Gay.

Vocês deveriam se preocupar com os novos deputados que irão entrar nesta Casa. O deputado Duduco tem um mandato que já está no seu final e irá cumpri-lo até o último dia. É verdade que eu briguei com a Angela Amin, sim, a deputada federal mais votada em Santa Catarina. Agora, nunca deixei de admitir, neste plenário ou na Câmara, quando fui vereador, que ela administrou muito bem esta cidade. Ela cuidou muito bem de Florianópolis, com muito amor e carinho. Eu nunca vim a esta tribuna para dizer que ela foi uma má administradora. Pelo contrário, fiz uma crítica à pessoa da deputada hoje eleita Angela Amin, devido ao seu comportamento comigo. Inclusive essa era uma reclamação não só minha, mas de vários correligionários do seu partido. Não tenho nada contra a administradora. Acho que ela foi uma grande prefeita e que também será uma grande deputada federal.

Agora, não foi porque eu briguei com a prefeita Angela Amin que eu perdi a eleição. Parem de arrumar culpados! Não é o momento de se arrumar culpados. Pelo menos no meu caso, eu não quero que ninguém se preocupe, porque o culpado fui eu mesmo. Eu não vou arrumar nenhum culpado, muito menos vou dizer que foi porque eu briguei com o prefeito Dário Berger. Eu briguei com o prefeito Dário Berger, é verdade, mas o motivo foi porque eu ajudei a elegê-lo, e o prefeito tirou o meu secretário de Turismo, e eu tinha direito. Eu posso falar quantas vezes eu quiser que eu trabalhei para o Dário Berger e que ajudei a colocá-lo na prefeitura. E Nunca fui contestado pelo seu irmão, nesta Casa, o deputado Djalma Berger, que, aliás, sempre me respeitou. Inclusive, eu quero dar os parabéns pela sua eleição a deputado federal.

Agora, esse é um direito que eu tenho. Eu reclamei, sim, fiz várias críticas aqui favorecendo a nossa cidade naquilo que estava errado. Quando algo está certo, eu deixo passar. Mesmo eu não estando mais aqui na Assembléia Legislativa, quando eu ver algo de errado contra a nossa população, contra os nossos costumes, contra a nossa cultura, eu vou continuar falando. Eu vou perder este microfone, mas terei outros meios de comunicação para falar. Quem quer falar por Florianópolis, quem tem amor por Florianópolis, faz até uma manifestação pública. Temos vários meios de levar ao conhecimento do prefeito e do governo a nossa insatisfação. Não é todo mundo que tem a oportunidade de estar aqui na Assembléia, são apenas 40 deputados, mas há várias pessoas que fazem movimentos lá fora para manifestar as suas reclamações.

Eu já nem discuto mais a Parada Gay. Não gostaria de citar nome de ninguém, mas devo dizer que o prefeito Edson Andrino, meu amigo - e já fui seu eleitor e cabo eleitoral -, não brigou com a Angela Amin, não brigou com o Luiz Henrique, não foi à Parada Gay e também não se elegeu!

Eu nunca briguei com o governador Luiz Henrique! Tenho o maior respeito por ele, gostaria, de público, de agradecer tudo que ele fez pelas nossas instituições, as Creches do Duduco I e II. Eu nunca briguei com ele, a não ser que ele tenha brigado comigo e eu não estou sabendo! Só se ele falou para o Miltinho, mas eu não sei disso. Quando eu o encontro, eu o cumprimento.

No momento, estou neutro no segundo turno. Se o meu partido, o PDT, escolheu o governador Luiz Henrique, eu respeito! Eu não fui consultado para nada! Então, se o partido não me consultou, eu também não tenho satisfação para dar.

Agora, essa onda de que eu não fui na Parada Gay, que briguei com a ex-prefeita Angela Amin e com o prefeito Dário Berger, que tudo isso fez com que eu não me elegesse, não existe. Querem arrumar culpados neste momento? Acho que cada um de nós somos culpados por nossas perdas e cada um de nós somos responsáveis pelas nossas vitórias.

Eu gostaria de dizer não só ao Miltinho, mas a todos aqueles que querem uma satisfação do porquê de eu ter perdido a eleição, que o meu querido deputado, merecidamente mais votado, Herneus de Nadal não sai tanto na imprensa como a notícia da derrota do deputado Duduco. Mas é o que mais se comenta nas rádios, na televisão, nos jornais. Mas eu digo que se perdeu, perdeu, paciência, vamos para outra.

Eu já falei aqui, quem diria, mas o presidente da Casa, deputado Julio Garcia, já perdeu uma eleição e hoje é presidente da Casa! Eu não gostaria de repetir, mas parece que tenho que repetir, pois acho que eles não assistem muito à TVAL ou não têm ninguém aqui para passar as informações para eles.

O ex-presidente Collor de Mello, um homem que recebeu impeachment, foi o senador mais votado de Alagoas! Será que ele participou da Parada Gay de Alagoas? O Clodovil, eleito deputado federal, foi o segundo mais votado de São Paulo, tem horror à Parada Gay. E brigou com a Marta Suplicy de tanto que ela apóia esse evento! E quantos deputados desta Casa que não estão brigados com a ex-prefeita Angela Amin, que não estão brigados com o governador Luiz Henrique da Silveira, que não estão brigados com o

Dário Berger, que não foram à Parada Gay e assim mesmo perderam a eleição?

Mas que bom que ainda sou notícia! Que bom, fico feliz! Isso é sinal de que não estou morto! Até gostaria de dizer a todos eles que estou satisfeito, que estou satisfeito! Contra o povo ninguém pode ser!

Gostaria de desejar mais uma vez felicidades aos reeleitos, aos novos deputados. Eu tenho que agradecer a esta Casa, pois aqui aprendi muito. Eu agradeço a Deus por ter chegado aqui, pois um ex-empregado doméstico de Florianópolis virou deputado, um ex-juntador de feira da rua Mauro Ramos virou deputado, um ex-servente do Hospital Celso Ramos virou deputado. Para mim, foi tudo de bom. Deus me deu tudo de bom quando cheguei aqui, nesta Casa. Às vezes me olho dos pés à cabeça e digo: quem diria, Duduco, você chegou a deputado! Chequei aqui levantando a bandeira da criança, a bandeira do idoso, a bandeira do meu povo negro. Eu não cheguei aqui levantando a bandeira do gay, do homossexual. Eu sou e assumo! Mas eu nunca disse que vim aqui em nome dos homossexuais! Eu respeito e fiz projetos traduzidos, voltados para o homossexual, mas eu não vou agora, jamais, admitir que cheguei a esta Casa, que cheguei à Câmara de Vereadores levantando a bandeira dos homossexuais! Eu nunca fiz isso e não é porque perdi uma eleição agora que vou dizer que estou aqui defendendo os homossexuais. Até fiz umas defesas aqui, mas não disse que cheguei a esta Casa levantando essa bandeira. A minha bandeira vai ser sempre a mesma: a criança, o povo do morro, o idoso, o meu povo negro, os menos favorecidos, não exclusivamente o povo do arco-íris.

Eles olham muito para mim, para o deputado Duduco, como o mundo do arco-íris. Olhem um pouquinho para mim como o mundo da criança. Olhem para mim como o povo do morro, que vou ficar mais satisfeito! Jamais vou negar a minha identidade. Nunca neguei a minha identidade nem para a minha família nem para meus amigos nem para a sociedade. Agora, só acho que deveriam ter um pouco de respeito com as pessoas - achar que eu perdi a eleição porque eu não fui à Parada Gay? Não fui e não vou! Ganhando ou perdendo, não vou à Parada Gay, a nenhuma! Fui a três em São Paulo e achei uma vergonha, sim! Achei uma vergonha! Não gostei da Parada Gay. Fui lá assistir, queria saber como era, falavam tanto da Parada Gay que fui lá ver. Vi um bocado de gente nua se arrastando pela avenida Paulista e não gostei! É uma opinião minha, particular, tenho fotos que comprovam que a Parada Gay de São Paulo, para mim, não merece crédito. Até que a de Florianópolis foi boa!

Agora, volto a dizer que um deputado nesta Casa fez um troféu para os homossexuais. As galerias encheram; inclusive, o organizador da Parada Gay de Florianópolis veio aqui, ganhou um troféu enorme, e o deputado perdeu a eleição. Aquele deputado poderia ter sido eleito com o mundo gay. E eu perdi! Eu perdi porque não fui à parada e não fiz nada pelo homossexual? E ele? Porque eu nunca vi tanto homossexual nessas galeria!

Mas as pessoas insistem em ir ao jornal dizer que o deputado Duduco não foi à Parada Gay. Não fui e não vou! Sou, mas não vou! Eu sou a favor de que a Parada Gay tenha uma conotação cultural, reivindicatória, de saber quantos somos, de procurar elucidar esses crimes que aconteceram pelo Brasil afora, por Santa Catarina e por Florianópolis, sobre os quais não foi dada satisfação: o caso Norton, o caso desse professor da universidade. Mas a Parada Gay não tem esse propósito; ela é um carnaval fora de época. E ainda se fosse um carnaval, eu até aceitaria. O problema é que o que eu vi em São Paulo, o que eu vi no interior de Minas Gerais, não gostei. Respeito, mas não gostei e não sou obrigado a ir. Eu vou aonde eu quero. E se é verdade que eu vou continuar perdendo eleição porque eu não vou à Parada Gay, então eu não volto mais para esta Casa, porque na Parada Gay eu não vou nunca!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)