67ª Sessão Ordinária - 15/09/2005
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. presidente, prestei atenção ao comentário do deputado Antônio Carlos Vieira quanto à matéria que foi votada na Câmara Municipal de Florianópolis, relacionada ao nepotismo, e que saiu veiculada no dia de hoje. Eu também prestei atenção ao vereador que votou contra o projeto, que tinha discurso contrário a essa situação. E também sei que aqui na Assembléia Legislativa há um projeto, de autoria do deputado Afrânio Boppré, com o mesmo teor.
Creio, sr. presidente, que o nepotismo é um mal na política; é um mal no parlamento, mas poderia ser colocado um item, na construção desses projetos, dizendo que um parente poderia ser chamado. Afinal, os nossos familiares também não nos trouxeram para esta Casa? E trazer um parente é considerado nepotismo. É uma sujeira muito grande termos um parente em nosso gabinete?
Eu, por exemplo, sou de uma família extremamente pobre, e é expressivo o número de pessoas desempregadas. Embora não tenha ninguém aqui na Casa, não acho tão injusto que um parente meu, uma pessoa de minha confiança, que esteve ao meu lado durante tanto tempo, inclusive ajudando a me trazer para esta Casa, possa trabalhar no meu gabinete!
Penso que quando construíram esse projeto as pessoas estavam sendo oportunistas, preocupadas com toda aquela sujeira em Brasília, com Roberto Jefferson e tantos outros.
Quando o projeto vier a este plenário - concordo com o ele - acho que deveria estar colocado um artigo que nos permita colocar pelo menos um parente nos gabinetes.
Por que isso? Por que esse preconceito com a nossa família? Não temos uma pessoa de confiança? E v.exa., presidente, ou o deputado Vieirão ou outros deputados não tiveram familiares que os trouxeram para cá? Quantas pessoas trabalharam ao meu lado, nos quase 30 anos de creche? Parentes meus ajudaram no meu trabalho social e agora não são dignos de ter um cargo aqui na Assembléia? Isso é nepotismo? Isso é nepotismo? Isso é roubar dos cofres públicos?
Eu penso que sei o que aconteceu com o vereador que teve um discurso diferente, porque eu conheço a sua história: é de origem pobre; nasceu no morro do Vinte e Cinco, como eu; o seu trabalho também é voltado aos carentes. A situação desse vereador é como de outros deputados, porque aqui nem todo mundo é rico. Existem políticos que são empresários e conseguem empregar seus parentes em suas indústrias, em suas fábricas, mas há pessoas como eu e como esse vereador, como o próprio deputado Afrânio Boppré, de origem pobre e temos uma quantidade expressiva de parentes desempregados.
Não vamos fazer aqui um cabide de emprego, colocando a família toda! Eu discordo disso! Mas colocar um parente não é roubar! Não considero isso nepotismo, nem que vai solucionar o problema do Brasil, de Santa Catarina ou de tantas coisas erradas que acontecem no nosso estado ou no município. Pelas coisas erradas que surgem em Brasília, a Assembléia Legislativa ou a Câmara Municipal de Florianópolis terão que dar o exemplo? Precisamos separar: Brasília é um problema e aqui é outro!
Tenho orgulho dos 39 deputados desta Casa. Eu não vejo os dos Poderes estadual e municipal, envolvidos em falcatruas. Os Parlamentos de Santa Catarina têm dado um belo exemplo!
Eu não quero aqui ofender ninguém. Inclusive a deputada Ana Paula Lima já apresentou um projeto e não foi feliz com o seu pedido, do qual eu também discordei pela maneira como foi conduzido. Nós poderíamos consertar outras coisas nesta Casa, mas sem dizer que não se pode contratar um parente. Tem-se a impressão de que a partir do momento em que o projeto do deputado Afrânio Boppré for aprovado, Santa Catarina vai aparecer no cenário nacional como o maior exemplo de Parlamento deste país.
Se o projeto tivesse sido aprovado na Câmara Municipal de Florianópolis na noite de ontem, serviria de exemplo para todas as Câmaras Municipais do país? O problema, a podridão, o rolo que está acontecendo é lá em Brasília! E está sendo causada por uma ala do PT. Inclusive a bancada do PT aqui em Santa Catarina é um grande exemplo; não tem nada a ver com aquele PT de Brasília. Se não tivesse sido candidato, até daria meu voto ao PT, como já dei para o deputado Afrânio Boppré em outra eleição! Os deputados da bancada do PT em Santa Catarina são um grande exemplo.
A Câmara Municipal de Florianópolis tem feito um belo trabalho, e não há que se dizer, só porque ontem não se aprovou o projeto, que o vereador vai ser condenado, que ele foi o grande culpado. Não! Ele tem outros projetos e trabalhos bem feitos em favor de Florianópolis. Agora, quando o projeto do deputado Afrânio Boppré vier a este plenário, digo de antemão que vou votar favorável.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)