Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Celestino Secco

12ª Sessão Ordinária - 18/03/2003

O SR. DEPUTADO CELESTINO SECCO - (Passa a ler)

"Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, venho à tribuna convencido de que a vida e a emoção não se fazem só por palavras e por discursos. Fazem-se, especialmente, por ações, por atos e por gestos.

Muitos de nós queremos imprimir velocidade sem pensar na direção. Brian Wells nos ensina que o que importa é a direção e não a velocidade, e que é preciso ter certeza do caminho.

É fundamental que permanentemente se tenha compromisso com a verdade, mesmo usando o artifício da erística, e não com expressão falaciosa sobre factóides que a imaginação criativa do descompromissado com a verdade produz.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, que com essas primeiras palavras eu preste uma homenagem de exaltação à democracia; que eu reverencie o direito e a dignidade do ser humano; que eu preste meus respeitos à pluralidade de conceitos e de idéias; e que eu ressalte as diferenças para que por suas divergências conceituais possamos, todos nós que temos espírito público e buscamos o bem comum, encontrar as convergências reais e necessárias na direção da melhor prestação de serviços públicos, direito primeiro e maior da cidadania.

Que minha gratidão aos catarinenses se faça por um comportamento pautado sempre pela ética, pelos princípios de valor e dignidade da vida humana, pela atuação serena, atenta e permanente em defesa dos interesses coletivos, e, mais do que isso, por um conjunto de ações que não sejam simplesmente geradoras de expectativas e de esperanças, mas de resultados concretos, sensíveis e palpáveis pelo cidadão catarinense, a quem deve ser destinada toda a atividade política e pública.

Seria vilipendiar minha consciência humana e filosófica, minha capacidade de discernimento, acreditar que a simples expressão da crítica se constitua na verdade plena ou no verdadeiro sentido e direção da atividade política.

O exercício da crítica propositiva sobre fatos, situações, conceitos ou formas, dentre outros, é um dos preceitos mais sagrados da democracia. A ofensa; o mal querer; a distorção da verdade dos fatos; a agressão política a pessoas, a sua honra e dignidade; e a demonstração verbalizada do desprezo pelo ser humano não acrescentam absolutamente nada ao processo político, ao desenvolvimento da democracia representativa e a melhor formação da consciência plena da cidadania.

O ser humano pode e deve mudar de idéias, pois só não muda aquele que é dono de uma só. Pode e deve mudar de idéias e de conceitos, mas não porque mudou de posição, e sim porque amadureceu opiniões, ampliou seus conhecimentos, desvendou novas formas e novas facetas de ver o mundo e as coisas.

Mudar de idéias quando se muda de posição, por exemplo, da Oposição para a Situação, é ser encontrado no contrapé da marcha, é ser apontado, senão como mentiroso, ao menos como aquele que falseia a verdade para a satisfação dos seus interesses pessoais e menores. E então será hora de perguntar: quando mentem?

Estou plenamente convencido de que o Brasil da política e dos políticos será olhado pela população, pelo cidadão, de forma diferente. Não aceitará mais a fala e o discurso do que tem a palavra voltada apenas para o mundo da crítica personalizada, do que deseja eco apenas para satisfação de suas aspirações pessoais e não a construção de novos caminhos para o alcance de bem comum, do bem maior para o maior número de pessoas.

Já se percebe, e não mais de forma tênue, mas de forma acintosa, que temos em novas vozes velhos discursos e em novos gestores públicos velhas práticas, quando na Oposição, pela palavra, são algozes de tudo e de todos. Não há nada de certo, nada de correto, nada de justo, nada em que se possa encontrar retidão de propósitos, de intenções e de procedimentos.

Quando na situação, na responsabilidade do exercício do poder e no dever de realizar para o bem comum, pela palavra, são lenientes e pusilânimes consigo mesmo, sem perder a surrada e a velha mania de encontrar fora de seu nível culpados por tudo, mesmo que o fracasso lhe seja de inteira propriedade. A algaravia continua a ser a expressão de suas litanias.

Aqui na política como na ética, a vida não se resume a apenas duas posições, na singularidade de que se uma está certa a outra, obrigatoriamente, está errada.

Essa imposição, essa obrigatoriedade e essa compulsoriedade de que uma posição é a única verdadeira e a outra absolutamente falsa, é que fez, ao longo da história da humanidade, nascer a agressão, a raiva, o ódio, o fundamentalismo, religioso ou não, a segregação, a discriminação e o rancor.

Talvez neste momento em que vivemos um dos períodos de maior falta de segurança da humanidade - e aqui a segurança é entendida no seu mais lato sensu -, devemos buscar, pelo conhecimento, tomar consciência de como nasce a agressão, a raiva, o ódio e, enfim, a própria guerra. Como nasceu o ódio entre gregos e troianos, entre romanos e cristãos, entre alemães e judeus, entre israelenses e palestinos, entre brancos e pretos, entre ricos e pobres, entre cristãos e protestantes, entre americanos e russos, entre patrões e empregados, entre seres humanos?

É teatralmente perfeito vociferarmos contra a ameaça de guerra, contra as guerras de todos os dias, contra a ausência de segurança, gerando uma nova reação agressiva sempre. Mas só é eticamente defensável quando na macrodimensão do palco social trabalhe-se com as informações todas por inteiro, buscando o melhor momento da verdade e não deturpando algumas informações.

Vou retomar a face original deste pronunciamento. Quero, para finalizar, Sr, Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, reafirmar o meu compromisso com a cidadania, buscando, efetivamente, participar do processo político que é dinâmico e que, portanto, deve nos conduzir para uma permanente revisão de procedimentos, de correção de rumos e rotas, de reencontro com o verdadeiro sentido - e papel - da política como a ciência que se finaliza e se realiza no bem comum; política que prepara espaços para o desenvolvimento de programas efetivos para todas as pessoas - políticas de inclusões e não de segregações -, para o jovem, para a criança, para a mulher, para o homem, para o agricultor, para o empreendedor, para todos os trabalhadores, de políticas públicas ou não, para o idoso e para todos os seres de cujos equilíbrios dependem o futuro de nossas vidas.

Ao olhar para a história buscando suas informações para melhor compreender nossa caminhada, percebemos que todas as teorias econômicas e que todas as ideologias políticas que inventamos até aqui fracassaram.

Os caminhos que temos trilhado têm ampliado, na política e na ciência social, as distâncias entre povos e pessoas.

Quem sabe esqueçamos um pouco a convicção de nossas teorias econômicas e de nossas ideologias políticas como nossas verdades absolutas e permanentes, para construirmos juntos uma nova proposta: a da teologia da libertação de nossos preconceitos, eles, sim, na maioria das vezes, razão maior dos nossos desencontros com a consciência planetária, a teologia da comunhão e da solidariedade como medida justa da compreensão humana.

Sr. Presidente, Sra. Deputada, Srs. Deputados, essa é a diretriz e a forma como desejo pautar minha atuação e participação neste Parlamento. Daqui espero extrair lições para um grande aprendizado. Será dessa forma que vou tratar os assuntos que espero aqui discutir para que a política produza sempre as melhores conseqüências para um maior número possível de pessoas e, principalmente, de catarinenses."

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)