62ª Sessão Ordinária - 25/06/2002
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sra. Deputada, entre tantas comemorações com o resultado dos jogos maravilhosos da Copa, o Brasil está passando por uma das suas piores crises econômicas, superando todos os países, com exceção da Argentina, que está no risco, perdendo o controle do dólar, tendo uma situação muito difícil com relação à sua dívida.
Isto está estampado nas revistas desta semana, e eu gostaria de reproduzir alguns trechos, porque não quero falar aqui enquanto Deputada, Parlamentar do PT, mas, sim, reproduzir personalidades que têm uma diversidade ideológica bastante ampla, e estão todos colocando a mesma questão.
Sérgio Lírio coloca, de forma muito clara, o seguinte: “Nem o mercado está satisfeito.
O que aconteceu, desde 1999, foi uma tremenda escalada tributária para sustentar a máquina.
Paulo Rabelo de Castro diz que o ajuste da era FHC é ineficaz e prega um ‘choque’ fiscal”.
Luiz Carlos Mendonça de Barros coloca que “o malanismo só é um quadro na parede, mas como dói! E vai doer ainda mais no próximo Presidente da República, seja ele quem for.
2003 será destinado a resolver problemas emergenciais deixados como herança por FHC.”
Antônio Delfim Neto: “Na era FHC a propaganda enganosa tentou esconder que o País quebrou 02 vezes.
A prova de que os ‘fundamentos’ não estão no lugar certo é o novo programa imposto pelo FMI. O que os piromaníacos não sabiam é que o nevoeiro que cercava a economia continha uma alta dose de combustível.
Encerram-se, portanto, os 08 anos com o Brasil tendo quebrado 02 vezes, o que é cuidadosamente escondido na propaganda enganosa do Governo, que custa à Nação R$1 milhão por dia (sem perdoar feriado, sábado ou domingo). A melancolia não pode deixar de atacar os brasileiros, quando eles verificam que o Chile e o México, que também realizaram sua estabilização, cresceram mais do que o Brasil nos últimos 05 anos; têm desemprego e taxa de inflação menores do que a nossa e não carregam a herança das dívidas.”
“O FMI e os Estados Unidos em clima de pavor. Mark Weisbrot diz que eles ajudam o Governo brasileiro a jogar a culpa dos seus próprios erros na esquerda.
Com a ajuda do FMI e do Tesouro dos Estados Unidos, o Governo FHC tenta jogar a culpa de seus próprios erros para a esquerda. É o que diz, nesta entrevista à CartaCapital, o economista Mark Weisbrot, Ph.D. pela Universidade de Michigan e co-diretor do Center for Economic and Policy Research, think tank da esquerda democrática norte americana, sediado em Washington.”
José Luiz Fiori: “Melhor olhar de frente.
Os senhores da finança sugerem que na periferia as eleições ficaram inúteis.
‘Na Roma Antiga, só votavam os romanos, no capitalismo global moderno, só votam os americanos, os brasileiros não votam.’
George Soros, na FSP, 08 de junho de 2002.
Agora, nesta última semana, foi George Soros quem completou a lição, ensinando aos que querem se beneficiar do ‘imperialismo voluntário’, que também devem abrir mão do direito a eleições livres, porque ficaram inúteis. Só serão legítimas se derem a vitória aos candidatos oficiais e que contam com a benção dos agentes financeiros nacionais e internacionais.
Faltou a Soros dizer que a eleição e reeleição dos homens de confiança dos investidores e aplicadores não impediu o caos, basta lembrar que todas as crises financeiras de 90, na Argentina, 94, no México, 99, no Brasil, 2001, na Argentina e agora em 2002, de novo no Brasil, ocorreram sob o mando de governos fiéis aos ‘interesses do mercado’, e incondicionais na defesa dos políticos recomendados pelos seus credores.”
Raymundo Faoro: “O blef sujo do calote e confisco.
A crise forjada serve para amedrontar os desobedientes, aspirantes ao poder.
Parece que a alternativa cultivada pelos intérpretes da atual política econômica é um golpe sem armas, esboçado fora daqui, mas que terá o apoio dos subservientes vassalos.
O Ministro da Fazenda exige - com que título? - que o candidato da Oposição e líder das pesquisas declare que, no poder, permanecerá escravo de seu programa. Ele quer que tudo continue a mesma coisa, inclusive com a gigantesca dívida interna, que ele não sabe como administrar.”
A Nação paga o pato como, em 1998, a tentativa de assegurar o continuísmo está custando muito caro ao Brasil. Só pelas barberagens econômicas feitas, nos últimos dias, a dívida a ser paga no primeiro semestre de 2003, seja quem for o Presidente, foi acrescida de mais US$40 milhões.
Ao pregar que Lula é o anti-Cristo e vai transformar o Brasil numa Argentina, o Governo e seu Partido agravaram o quadro delicado deixado pelo últimos anos.”
E depois de todas essas reportagens, artigos, declarações das mais diversas correntes ideológicas, Deputado Afrânio Boppré, eu li aqui personalidades tipo: Delfim Neto, Raymundo Faoro, até Belluzzo.
A capa da Carta Capital diz tudo: Fernando Henrique e Malan. Rapazes, peguem o boné! Adeus, tia Chica! Tchau! Vão embora! Chega de colocar este País na bancarrota! Chega de trazer aos brasileiros um estremecimento na economia, uma situação onde todos nós estamos ficando apavorados, mas não apavorados com os que poderão vir a assumir a Presidência da República, não, apavorados com os que estão governando há 08 anos, porque eles são os únicos responsáveis por tudo que aconteceu no País.
E pasme, Deputado Afrânio Boppré! Por coincidência, ontem, bem tarde, ao chegar em casa, ligo a TV e vejo nada mais nada menos do que o Sr. Armínio Fraga falando sobre a independência do Banco Central.
Depois de fazer o que eles fizeram, depois de ter uma revista, como a Carta Capital, colocando na capa que eles têm que entregar o boné, eles querem continuar mandando no Banco Central! Ou seja, a independência do Banco Central é: ganha a eleição pelo Luiz Inácio Lula da Silva, eles querem continuar comandando o Banco Central! Eles querem continuar fazendo com que a política econômica adotada, nesses últimos anos, continue beneficiando os especuladores, continue beneficiando aqueles que fazem com que o Brasil tenha uma das maiores taxas de concentração de renda do planeta, uma das maiores taxas de miséria do planeta, uma das maiores taxas de juros do planeta, fazendo com que este processo eleitoral acabe se transformando num ato de terrorismo. Terrorismo não pelo que vai acontecer, mas terrorismo pelo o que fizeram acontecer neste País, o que vai ser muito mais difícil reverter pelo próximo Presidente.
Nós estamos animados, Deputado Onofre Santo Agostini, para reverter o quadro, mas não vamos levar a culpa pelos atos odiosos desses homens que há muito tempo tinham que ter pegado o boné e ido embora, que ainda não foram, mas irão, a partir...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)