Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ideli Salvatti

92ª Sessão Ordinária - 19/10/2000

A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, eu quero aproveitar este final do tempo do PT para esmiuçar mais a questão da venda, do tão apregoado leilão fantástico, com 303% de ágio, do Banestado.

O Banco Itaú, que comprou o Banestado, tem uma vantagem, como diz a Folha de S. Paulo... Eu vou fazer a leitura de como está no jornal.

(Passa a ler)

"Como vantagem o Itaú poderá abater do Imposto de Renda 30% do lucro anual do Banestado por tempo indeterminado."

Trinta por cento do lucro anual do Banestado poderá ser abatido do Imposto de Renda do Banco Itaú.

A Folha de S. Paulo também diz o seguinte. Vou fazer a leitura.

(Passa a ler)

"O diretor-presidente do Itaú, Roberto Setúbal, disse ontem que os créditos fiscais do Banestado vão reduzir o preço pago pelo banco para R$ 1 bilhão.

O Itaú comprou o Banestado por R$ 1,625 bilhão. No entanto, o banco paranaense tem créditos fiscais não contabilizados de R$ 1,9 bilhão".

Portanto, o Banestado tem crédito fiscal de R$ 1,9 bilhão, ou seja, tem dinheiro para receber, para abater, da ordem R$ 1,9 bi, e comprou por 1,6!

Portanto, veja bem Deputado Rogério Mendonça, o que eu falei no aparte a V.Exa., é pior ainda, porque eu fui buscar a "Folha de São Paulo" para trazer os dados que diz o seguinte: "Banco pode ter saído de graça para o novo dono". Então, todo esse foguetório a respeito deste leilão maravilhoso, com 300% de ágio, é porque na realidade o Itaú vai ter é lucro.

Dos um bilhão e seiscentos que ele diz que vai pagar, ele vai ter retorno com o abatimento do Imposto de Renda, ele vai ter retorno com os créditos fiscais superiores ao valor que ele comprou em mais de trezentos milhões, porque ele comprou por um bilhão e seiscentos e tem um bilhão e novecentos de crédito fiscal para abater das suas contabilidades futuras, e mais aquilo que eu falei, não está contabilizado aqui ainda.

Os créditos em liquidação feitos pelo Banco Central, no balanço do Banestado, é idêntico ao que foi feito aqui no Besc, ou seja, empresas que tinham várias atividades econômicas com o banco, estavam inadimplentes em apenas uma, foi contabilizado como crédito em liquidação, ou seja, créditos que não seriam recebidos todas as operações, isso foi contabilizado como prejuízo no empréstimo do Governo Federal.

Esse dinheiro vem para o banco, e quando o novo dono receber estes créditos que não são créditos em liquidação, são créditos bons de empresas que fazem...isso entra como lucro, como lucro! Nó tivemos aqui na CPI do Besc a possibilidade de demonstrar isto a exaustão. Portanto, comprar banco público é um negócio que eu não digo que é da China, Deputado Onofre Santo Agostini, porque lá na China, quando estivemos lá, duas semanas antes tinha sido fuzilado em praça pública um dirigente do banco chinês, que tinha sido comprovado a corrupção. Megócio da China na corrupção é na bala, é no paredão!

Aqui no Brasil não, é manchete de jornal com elogio, é manchete de jornal como algo positivo, como algo vantajoso. Um banco é comprado por um bilhão e seiscentos, tem um bilhão e novecentos de crédito fiscal, vai ter 30% de abatimento no Imposto de Renda, e ainda tem créditos em liquidação que não são créditos podres, são créditos positivos que vão entrar imediatamente este ano ainda na contabilidade como lucro.

Portanto, isto que está sendo feito no Banestado é aquilo que a gente vê aí anunciando que será feito no Besc. É o mesmo processo, é a mesma cartilha, é a mesma política de fazer com que se transfira recurso público, recurso do povo, para a iniciativa privada, do setor mais lucrativo do planeta, que é o setor financeiro, de forma muito especial no Brasil. Por isso que nós não poderíamos deixar de registrar na tribuna o nosso repúdio a toda essa fanfarronice, todo esse foguetório pelo bom negócio. Bom negócio para quem cara pálida! Esta história do leilão do Banestado, com certeza, foi para o Itaú, mas não para os brasileiros e nem para os paranaenses, como não será no caso do Besc.

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)