33ª Sessão Ordinária - 26/04/1999
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ocupo a tribuna na tarde de hoje para dizer da minha satisfação e da minha preocupação com a última sessão realizada aqui.
No meu entender, esta tribuna deve ser usada, sim, pelo cidadão, para se manifestar sobre assuntos relevantes, e de forma alguma como foi feito na última sessão, quarta-feira, pois em vez de haver um manifesto em defesa dos interesses de uma classe que vive às margens da sociedade, de uma classe que merece o nosso respeito, esta tribuna foi usada em benefício de alguns segmentos político-partidários.
A bandeira que muitas vezes eu tenho visto por aí não é a do País, é uma bandeira político-partidária. E em vez de sair um manifesto de educação, de respeito e, acima de tudo, defendendo aquilo que é de direito do cidadão, esta tribuna foi usada por alguém que não detém mandato, que não foi escolhido pelas urnas, mas que se sente no direito de ofender o Presidente da República, de ofender o Governador, de dar soco na mesa.
Esta tribuna pode ser aberta, sim, mas para manifestações de respeito, para manifestações que tenham o objetivo de alertar a sociedade e os Deputados, e não para ser usada política e partidariamente.
Esse cidadão, muitas vezes usado por pessoas cujos interesses algumas vezes duvidamos, veio aqui para criticar um dos institutos que entendemos ser extremamente importante, o Banco da Terra, posto que vai dar oportunidade de podermos, pela primeira vez, oferecer condições ao agricultor de poder comprar o seu pedacinho de terra e permanecer na agricultura.
E para falar de agricultura às pessoas que estavam aqui presentes, as quais merecem o nosso respeito, para defender, de fato, a agricultura e o agricultor, para defender, de fato, aquele que não tem terra, temos aqui que começar a falar pelo começo, ou seja, começar a falar de um País que não tem um programa de agricultura, que apesar de ter essa imensidão de terra, há pessoas que vivem embaixo de barracas, esperando anos e anos para ter uma oportunidade de trabalhar e criar os seus filhos, por falta de um programa definido.
O Banco da Terra é, pois, um instrumento importante para a agricultura, para aquele que quer um pedaço de terra, para aquele que quer, de fato, trabalhar. Através do Banco da Terra, ele vai ter a oportunidade de ganhar a sua terra e sistematizá-la, para poder dali tirar o sustento dos seus filhos.
Eu fico revoltado quando vejo colocarem com má-fé tanta gente em cima de um pedaço de terra. Só no Alto Vale vimos centenas de propriedades fechadas, porque aquele que já tem sua terrinha, sua propriedade, sua Tobata, sua vaquinha de leite, tem de abandonar a terra para vir a Blumenau, a Joinville e sustentar a sua família que está ali.
(Palmas das galerias)
Por isso que eu me revoltei quando vi isso aqui, e sempre me revolto quando vejo as pessoas que sofrem à margem das estradas serem usadas, muitas vezes, por alguém que tem uma bandeira político-partidária. Queremos empunhar é a bandeira deste País, a bandeira do desenvolvimento, a bandeira da nossa agricultura, porque quando o agricultor produz leite, queijo, salame e quer vender na praça para conseguir o sustento da sua família, não pode mais; quando o agricultor quer tirar o esteio para o galpão, a madeira para fazer a casa do seu filho, não pode mais. Sendo assim, como é que podemos falar de agricultura neste País?!
Então, nós precisamos discutir a agricultura e o interesse dos nossos agricultores, sim, mas com responsabilidade. Por isso defendo que se use esta tribuna para o exercício do direito do cidadão. O que não posso aceitar é o uso desta tribuna com interesse político-partidário. E acho, acima de tudo, que os nossos Deputados-legisladores, escolhidos através das urnas, devem representar o seu povo, que merece respeito e consideração.
Reitero que o cidadão, para ocupar esta tribuna, tem que ter responsabilidade e respeitar esta Casa. A defesa da classe, a defesa da agricultura é importante, o que não pode é ser conduzida de forma político-partidária, erguendo uma bandeira que não a da Nação brasileira nesta tribuna. Isso eu não posso aceitar!
Espero que os próximos manifestos aqui sejam da mesma forma com que foram feitos muitos outros, ou seja, com o respeito, a educação, a gentileza e a importância que merecem determinados assuntos. E nesses próximos quatro anos do meu mandato político, nunca deixarei de lutar pelo que é importante para a nossa Nação.
Esperamos que os nossos governantes entendam, de uma vez por todas, que é na agricultura que está a salvação deste País, do nosso Estado, do nosso querido Alto Vale do Itajaí.
Então, vamos defender sempre, nesta tribuna, a prática do respeito ao nosso cidadão, pois é através do trabalho, do suor do nosso agricultor que poderemos criar uma Nação melhor. Oportunidade nós criamos; não estimulamos o movimento do sacrifício nem do sofrimento, o que estimulamos aqui é um movimento responsável em favor de uma vida melhor para o cidadão.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)