Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afonso Spaniol

33ª Sessão Ordinária - 26/04/1999

O SR. DEPUTADO AFONSO SPANIOL - (Passa a ler)

"Sr. Presidente e Srs. Deputados, esta Casa não poderia deixar de registrar em seu Anais a ausência entre nós, principalmente na imprensa catarinense, do cidadão e ético jornalista Eloy Cortês Gallotti Peixoto, que nos deixou sem aviso prévio.

Falar de Eloy é lembrar um passado de muitas lutas sociais em busca de uma sociedade mais humana e mais fraterna.

Idealista, conciliador, generoso, manso, um contraste do perfil de um cidadão com idéias esquerdistas. Como jornalista, trabalhou no jornal O Estado; como repórter, no Diário Catarinense; como promotor de eventos sócio-culturais e colaborador, no jornal A Notícia.

Mas a sua grande marca foi ter participado ativamente com um grupo valoroso de companheiros na elaboração de jornais alternativos como o Afinal e A Bernunça, que marcaram muito a história da imprensa catarinense.

O bloqueio imposto pela censura oficial às bancas de jornais cercearam o seu exercício profissional e fizeram-no juntar-se, por afinidade, às lideranças políticas mais autênticas da Oposição em Santa Catarina: Jaison Barreto e Francisco Küster.

A partir daí, iniciou uma nova etapa em sua vida profissional, a de assessor político, e exerceu esta função com dignidade e muita lealdade nos últimos dez anos nesta Casa, assessorando os ex-Deputados José Bel, Victor Cavalcanti, Celso Bonatelli, Francisco Küster e este Deputado.

Foi promotor da 1ª Mostra do Cinema Chinês em Florianópolis, o que lhe valeu a honraria de ter sido o primeiro jornalista de Santa Catarina a visitar oficialmente a China comunista.

Foi fundador, juntamente com Antônio Freitas Moura, ex-Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/SC, do Movimento Cem Anos de Humilhação, visando, via plebiscitária, à modificação do nome de Florianópolis.

Foi, ainda, promotor do histórico julgamento na Universidade Federal de Santa Catarina, que culminou na condenação do Marechal Floriano Peixoto pela chacina de Anhatomirim, com repercussão na mídia nacional.

O famoso episódio da Novembrada, imortalizado no curta-metragem de Eduardo Paredes, teve em Eloy a memória viva daqueles momentos.

Foi Presidente do Conselho de Representante da Associação Catarinense de Imprensa por duas vezes, de 94 a 97 e de 97 a 2000, por ser conciliador.

De tradicional, Eloy carregava com orgulho o nome, porque os hábitos e os costumes eram de um homem simples, desprovido de vaidades, com desapego total à materialidade, e era nessa simplicidade que concentrava a sua grandeza e sabedoria, as quais, para mim, seu admirador, foram o maior legado que ele, Eloy, nos deixou."

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)