97ª Sessão Ordinária - 06/12/2001
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, estendendo nossa saudação aos nossos ilustres visitantes, quero me associar à manifestação do Deputado Gelson Sorgato. É sempre uma alegria podermos receber os catarinenses nesta Casa, que afinal de contas é a Casa dos catarinenses, porque eles nos outorgaram o mandato e é preciso que estejam aqui permanentemente para poderem acompanhar os nossos trabalhos e nos avaliar. Quando recebemos visita de estudantes a nossa responsabilidade aumenta, na medida que temos sempre a oportunidade de mostrar para as gerações futuras, para aqueles que estarão aqui daqui a pouco, qual a importância do Poder Legislativo de Santa Catarina.
Mas, conforme eu havia prometido, Sr. Presidente, quero fazer constar nos Anais desta Casa o artigo de autoria do Sr. Gilberto Scopel de Morais, que é médico e ruralista no Rio Grande do Sul. Este artigo foi publicado no Jornal Zero Hora, no dia 1º de dezembro de 2001, com o título Deputado Volnei Morastoni, muito sugestivo, talvez tenha sido muito usado pelo Partido de V.Exa. Diz o título e a matéria:
(Passa a ler)
"No fundo, você é PT...
Vamos partir de um fato que não é contestado nem pelo PT: em 1999, Diógenes, homem de confiança do Governador Olívio Dutra, deu um carteiraço em seu nome para que a polícia não reprimisse os banqueiros do jogo do bicho. Descoberto, foi repudiado publicamente pelo mesmo Olívio e expulso do Partido, engolindo calado até este momento, como um cordeiro que foi para o sacrifício. Pensemos um pouco em quem se beneficiaria do carteiraço:
- Os banqueiros do jogo do bicho, que parariam de ser reprimidos, portanto poderiam trabalhar tranqüilamente e ganhar mais.
- O partido do Governador, que, ordenando à polícia que deixasse de reprimir, receberia dos bicheiros a única coisa que tem de valor, dinheiro.
Não passou pela cabeça de ninguém que Diógenes estivesse praticando corrupção em proveito próprio, que estivesse cavando dinheiro para seu próprio bolso.
Em seu cargo de confiança, como o PC Farias do PT do Rio Grande do Sul, buscava proveito para o seu Partido.O canal para receber as doações, com a fachada de Comitê da cidadania, estava disponível e era bem conhecido dos bicheiros.
Jamais qualquer alto dirigente do PT e muito menos o Governador se exporiam a fazer o jogo diretamente. Isto era função do confiável Diógenes.
O esquema consistia em:
- Providenciar que a polícia não pressionasse os bicheiros.
- Como a máfia, cobrar proteção dos banqueiros.
- Manter a torneira do Comitê da Cidadania aberta.
- Encaminhar ao partido os recursos auferidos.
Se fatos podem ser discutidos, a decorrência lógica deles não pode: por que Diógenes parou de dar carteiraços? Só uma resposta se encaixa: porque foi atendido. Porque a polícia parou de pressionar os bicheiros? Porque os bicheiros puderam trabalhar em paz e pagaram por isto. Porque o PT passou a receber o retorno do favor prestado.
Diógenes não queria nada para si, queria para o PT, que o repudiou e o expulsou para livrar a cara do Partido e do Governador.
Em suma: se você tiver a oportunidade de fazer uma falcatrua, tendo um companheiro fiel como testa de ferro para assumir a culpa e se algo der errado, se você tiver garantida a sua impunidade, lembre-se, no fundo, você é PT."
Esse, artigo, como já disse, é de autoria do médico e ruralista Gilberto de Morais, publicado no Jornal Zero Hora, do último dia 01 de dezembro. E ontem, uma nova surpresa, no Rio Grande do Sul, que foi a decisão da Assembléia Legislativa de aprovarem por 36 votos a 10 o parecer da CPI da segurança pública, pedindo um impeachment do Governador Olívio Dutra e o indiciamento de mais 41 pessoas acusadas de irregularidades. E aí, continua a insistência de que isso é orquestração. Pedido de impeachment, no Rio Grande do Sul.
Essa, é a decisão. Denúncias do Ministério Público de Blumenau. Nada do que foi escrito em outros jornais, nada do que foi dito, foi rebatido, por V.Exa., Deputado Volnei Morastoni. Apenas um único artigo contra volumes e volumes de denúncias, de artigos, de informações, nunca esclarecidos nesse Parlamento.
O indiciamento do Prefeito de Gaspar até agora não teve nenhuma defesa. AS informações de Rio do Sul até agora não prestaram a esse Parlamento. E quando ocupam a tribuna os Deputados do PT retomam o discurso do golpe, retomam o discurso da orquestração.
Sr. Presidente e Srs. Deputados, não há como contestar fatos. O intrigante é que o Ministério Público quando age contra, denuncia ou apresenta qualquer ação contra um integrante de qualquer outro Partido, no mesmo dia os Deputados do PT se revezam nesta tribuna para enaltecer, para destacar, para elogiar a ação do Ministério Público. Quando esse mesmo órgão age contra pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores, detentores de cargo, Prefeitos são acusados de estarem integrando esta tal orquestração.
Mas que verdade é essa? A verdade do PT é a verdade que só lhe serve, que só prevalece quando não atinge os seus integrantes?
Nós temos que agir com coerência, com responsabilidade e reconhecer, como já disse e repito, que detentores de cargos são humanos e que erram.
Essa, tese que o PT tenta defender a qualquer custo de que os seus são semi-deuses não pode prosperar. Não há como contestar fatos e não houve até o presente momento nenhuma argumentação plausível, não houve nenhuma contestação que possa, efetivamente, comprovar que as ações do Ministério Público, das Câmaras de Vereadores, das Assembléias, não são verdadeiras. O que se tenta fazer, permanentemente, é o discurso de quem ainda não se deu conta, na minha avaliação, de que é Poder.
A impressão que se passa, a impressão nítida que fica é de que o PT está vivendo um momento crucial, difícil, de não ter se adaptado, ainda, a essa condição de estar no outro lado do balcão.
Essa condição de vidraça... Porque até aqui o PT só tinha condição de pedra, e parece que essa condição de vidraça não está sendo assimilada, porque não é possível que a cada denúncia comprovada, a cada ação do Ministério Público, de novo, os Parlamentares do PT venham dizer que isso é orquestração.
Não é orquestração quando essa ação ocorre com qualquer outro Partido. Agora, qualquer ação contra alguém do PT é armação? É preciso modernizar esse discurso. O PT precisa se dar conta de que é Poder, de que comete erros e que precisa reconhecer esses erros. Isto é, Deputado Volnei Morastoni, um gesto de grandeza. O Partido dos Trabalhadores precisa reconhecer que o Poder tem desgastes e é preciso que os erros praticados pelas administrações sejam reconhecidos. Não é possível que a cada erro o PT venha ou crucificando alguém, como crucificaram o Diógenes, no Rio Grande do Sul, ou, do contrário, quando...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Ivo Konell) - V.Exa. tem 30 segundos para a conclusão.
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Ou do contrário, quando não acham nenhum "cristo", nenhum bode expiatório, nenhum mordomo, para poder crucificar, que venham atacando Partidos, que venham atacando Ministério Público, ou que venham atacando a imprensa. O PT precisa reformular urgentemente o seu discurso. O PT precisa deixar de acreditar que integra um núcleo de semi-deuses. Isso não existe. O Partido é composto por humanos que erram, e que precisam pagar pelos seus erros.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)