Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

29ª Sessão Ordinária - 03/04/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, aqueles que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Digital aqui nesta manhã de quinta-feira.

Eu quero pedir licença para voltar ao debate da UFSC em outro foco, em outra avaliação, sair dos calores da discussão sobre polícia, não polícia, maconha, não maconha, até porque, como policial militar, já expressei nesta tribuna as minhas posições a respeito, inclusive, destas concepções em debate na sociedade brasileira hoje.

Quero voltar, até porque na última terça-feira não guardei tempo suficiente para esta reflexão. Estava lendo a página 47 do jornal Diário Catarinense, do último domingo, e dois parágrafos, alguns trechos desta reportagem me chamaram especial atenção, como militante político de esquerda e também como policial. Não sei até que ponto é possível, mas acho que não dá para separar os dois, porque somos um ser apenas.

Volto a ler a matéria da página 47 do Diário Catarinense, do último domingo:

(Passa a ler.)

"Em meados do ano passado, um alerta feito pelo comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar(BPM), tenente-coronel Carlos Alberto Araújo Gomes, mudou a rotina da reitora Roselane Neckel. Durante uma das tantas reuniões informais sobre a segurança no campus da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC)e o policiamento comunitário, ele ressaltou que era importante ela ampliar os cuidados, principalmente com o Morro da Serrinha, onde os chefes do tráfico estavam próximos do campus e teriam ficado insatisfeitos com a vitória dela nas urnas, um ano e meio antes.

Após oito anos à frente da direção do Centro de Filosofia e Ciências Humanas(CFH) e um trabalho intenso contra as drogas ao longo deste período, Roselane percebeu que estava exposta demais, alertou seu motorista para ficar mais atento e pediu ajuda aos vigilantes do Departamento de Segurança(Deseg) do campus para que mantivesse o controle da movimentação no entorno de sua casa: estava com medo. Nada aconteceu na época, nem novas ameaças surgiram. Mesmo assim, ela continua em alerta."

A ameaça mais especificamente era de que sequestrariam a reitora, inclusive para dar uma escola nela, como diretora do CFH no passado e depois reitora, deixasse de estabelecer política de combate ao tráfico de drogas dentro da Universidade Federal de Santa Catarina.

Então, isso aqui expressa de forma clara a inveracidade da acusação que se tenta colocar sobre a reitora Roselane Neckel e contra ela de que é conivente com o uso e tráfico na UFSC ou muito mais, o absurdo ainda que queira fazer da UFSC uma república de maconheiros.

Então essa matéria estabelece esta verdade necessária.

Sobre a matéria ainda refleti, além disso, como policial e como militante ou como policial ou como político, e acho que bastaria meio policial e meio político para ficar intrigado com a informação de que traficantes estariam ficado descontentes com a vitória nas urnas da atual reitora.

Afinal de contas, qual é o interesse dos traficantes na universidade? Se eles não gostaram da vitória na eleição para a Reitoria da UFSC da reitora Roselane Neckel, poderia, sim, induzir que eles gostariam que outro candidato tivesse vencido.

Então, é muito estranho que justamente quem tem sido pressionada e ameaçada, inclusive por traficantes, possa ser agora interpretada e acusada de forma leviana, eu diria, pouco forte com relação ao uso e consumo de drogas no campus da UFSC.

Dizer ainda que é preciso, sobre a Universidade Federal de Santa Catarina, que os setores que defendem a democracia, defendem primeiro a universidade, e eu me sinto na obrigação de defendê-la por ser pública, gratuita, de qualidade. Poderia ser mais e aí defendo fortalecimento, mudanças necessárias, também porque estudei lá e me formei na década 1990, há 20 anos, conheço parte dos integrantes da direção atual e das direções passadas da Universidade Federal de Santa Catarina.

Acho absolutamente estranho o fato de um ex-dirigente, ex-pró-reitor, para não pensar que foi um dos reitores, que escreveu uma carta pedindo o impeachment da reitora Roselane Neckel.

Eu acho que precisamos refletir sobre isso. Por que será? É uma dúvida e um silêncio que permanece, porque não tem justificativa absolutamente nenhuma para lançarem essa palavra de ordem. Aliás, não sei se ainda é, mas era filiado, ligado a partido que se propõe de esquerda pedindo o impeachment do ex-reitor da UFSC.

Então, existe muito mais coisa naquela universidade que precisamos defender do que aquilo que tem surgido e aparecido de forma mais evidente, mais destacada, nos meios de comunicação. Precisamos observar, porque o futuro da universidade é que está em discussão. E esta é uma responsabilidade de cada um de nós, especialmente daqueles que por terem estudado lá, por terem trabalhado lá, têm mais condições, na minha avaliação, não que os outros não a tenham, é só investigar e buscar informação, de avaliar o movimento das pessoas, dos sujeitos, dos dirigentes atuais, dos ex-dirigentes e dos pretensos futuros dirigentes.

Existe um movimento, e aí vão dizer que estamos sempre aqui vendo um inimigo oculto, golpista, na UFSC, tanto que foi um esforço imenso por conta de práticas protelatórias, em alguns setores da universidade, para que as contas da reitoria, da administração central do ano passado, fossem aprovadas. E foi aprovada no último dia, e um destaque: ausência de quórum, mais um pedido de vista, enfim, com a intenção de colocar em xeque a administração atual da UFSC.

Articulações de lideranças, especialmente professores, que historicamente pretenderam se desenhar como do campo popular e de esquerda, articulações com figuras reconhecidamente da direita mais conservadora da UFSC, isso tudo precisa ser visto pela comunidade universitária, pois os estudantes não podem cair em armadilhas de setores que têm, sim, interesse inclusive de derrubar a pró-reitora, não é nem ganhar a eleição do ano que vem, porque existem questões do passado sendo investigadas que não se pretende que se tornem públicas.

Então, isso também a sociedade inteira precisa saber, e a comunidade universitária precisa estar atenta. Os estudantes que se propõem a construir o futuro de forma diferente precisam estar atentos, também, para não se deixar enrolar e serem usados por práticas golpistas que nada têm a ver com a proposta de universidade pública que defendemos e que eles também defendem. Precisam tomar cuidado para não serem usados por golpistas, oportunistas.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO ORADOR)