50ª Sessão Ordinária - 20/05/2014
O SR. DEPUTADO ENI VOLTOLINI - Sr. presidente, srs. deputados, a bancada progressista traz hoje um tema que quero ancorar em algumas questões. Uma é que nós, há alguns dias, estivemos, deputado Darci de Matos e eu, em nome dos deputados Kennedy Nunes e Nilson Gonçalves, presentes a um lançamento do evento Maio Amarelo, em Joinville. Na oportunidade repetiram-se algumas informações que foram trazidas a esta Casa sobre a preocupação com relação a mortes e pessoas acidentadas no trânsito.
Eu quero resgatar algumas coisas aqui e até vou pedir para a bancada do meu partido para talvez na sessão da tarde poder concluir aquilo que aqui iniciei.
O documento que o projeto Maio Amarelo trouxe à nossa Casa fala de alguns números, como dizia o secretário, ex-deputado, que nos precedia, podem parecer apenas estatísticas. A estatística na área da saúde é uma estatística danosa, porque você somente a sente se faz parte dela, senão, você apenas usa como referência.
E aqui se fala do Brasil como o quinto maior país no ranking de mortes e acidentados no trânsito. Apenas quatro países estão na frente do nosso país, nesse infeliz ranking de mortes e acidentados. E vou trazer esse número para Santa Catarina, para o nosso estado, em que vivemos.
Eu quero chamar atenção das pessoas que nos ouvem para esses números. Nós estamos aqui, em Santa Catarina, vou falar dos últimos anos, a partir de 2008, com 1.850 pessoas que morreram no trânsito e 3.894 pessoas que ficaram vitimadas, não falecendo, mas acidentadas. Em 2009 esse número foi para 5.870 pessoas vitimadas no trânsito, acidentadas. Já no ano de 2010, 1.859, o número sempre se aproxima, morreram no trânsito. Em 2010 foram 6.223 pessoas sequeladas por esses acidentes. Em 2011, 1.997 pessoas morreram em acidentes no trânsito, em Santa Catarina, e 6.402 pessoas foram vitimadas e permaneceram sequeladas.
Talvez o que nos chame a atenção sejam coisas como, por exemplo, neste final de semana aqui, em Florianópolis, o acidente que vitimou três jovens. E nós somos muito movidos, deputado Kennedy Nunes, pelo momento. Então, certamente virão para esta tribuna, durante o dia de hoje, várias pessoas a falar sobre esse acidente. Mas apenas iremos desfiar um rol de acidentes diários que vitimam pessoas saudáveis. É sobre isso que quero falar.
As pessoas dizem que o nosso sistema de saúde não tem recursos suficientes para atender a tantas e tantas pessoas que estão esperando o atendimento necessário, fruto da sua idade, fruto de uma fatalidade ou fruto de circunstância de ter contraído uma doença que exige um tratamento todos os dias nesses hospitais regionais, nos hospitais especializados em traumatologia.
Pessoas que estão na fila das chamadas cirurgias eletivas têm que sair delas, porque adentra ao hospital uma pessoa que foi vitimada de acidente... E estamos apenas assistindo a esse processo. Toda sexta e todo sábado à noite, famílias choram pela perda de jovens que saíram saudáveis das suas casas e que não voltarão mais. Toda sexta-feira e todo sábado, à noite, são dias não de alegria, mas são dias de tristeza.
O Sr. Deputado Gilmar Knaesel - V.Exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO ENI VOLTOLINI - Pois não!
O Sr. Deputado Gilmar Knaesel - Sr. deputado, quero cumprimentá-lo por debater esse assunto tão importante para Santa Catarina e para o Brasil. Infelizmente, não se vê nenhuma ação concreta, nenhuma estrutura governamental, privada, associativa, em defesa da mudança desse cenário.
Eu já tive a oportunidade de me pronunciar a respeito desse mesmo assunto, até pensei em fazer uma Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa.
V.Exa. é muito feliz na sua colocação quando diz que todo final de semana, infelizmente, morrem aproximadamente 15 pessoas nas rodovias de Santa Catarina, em média, e não se vê nenhuma ação prática, objetiva, no sentido de conscientização, de educação. Uma série de fatores entram nesse processo, não apenas as estradas ruins, mal sinalizadas, que é um dos problemas, mas especialmente a educação de trânsito.
Então, v.exa. levanta esse assunto numa hora oportuna, porque neste final de semana tivemos mais uma vez, eu mesmo presenciei, dois acidentes, um em Gaspar, na sexta à noite, com uma morte, e no sábado, pela manhã, no trevo entre Pomerode e Blumenau, mais uma morte de ciclista. É uma sequencia de fatos que acontecem semanalmente em nosso estado.
Quero apenas me solidarizar com o seu pronunciamento.
Temos que fazer, sim, na Assembleia Legislativa um movimento, mesmo que não tenhamos poder de decisão, mas pelo menos poder de mobilização, de conscientização.
O SR. DEPUTADO ENI VOLTOLINI - Agradeço ao aparte, pois enriquece o depoimento da bancada progressista.
Como eu disse, quero voltar aqui, porque quero completar algumas informações. Ontem mesmo estava chegando a Florianópolis e na Beira-Mar, uns 50m, 60m na minha frente, vi os exemplos daquilo que falamos.
Temos em Florianópolis semáforos inteligentes. Mas, infelizmente, algumas pessoas ignorantes acham que se está fechando o sinal devem acelerar, para passar logo. E, ali, quase, por uma fração de segundos, um veículo que ultrapassava em sinal vermelho não mata uma pessoa na nossa frente.
Quero falar mais sobre essas questões...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)