45ª Sessão Ordinária - 26/05/2011
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, estava prestando muita atenção no que o deputado Ismael dos Santos comentava, porque ontem acompanhei atentamente esse caso do kit gay. Essa denominação, inclusive, foi dada pela bancada evangélica. Há outros segmentos que chamam de kit anti-homofobia. Mas kit gay pegou, porque é um termo mais pesado, chocante. Mas chamaram de kit anti-homofobia porque num primeiro momento se entendeu que iria ajudar os alunos das escolas a não discriminarem as pessoas que têm essa opção.
Esse kit gay está em exposição no Youtube. E olhando atentamente o material acho que faltou bom senso por parte de quem é responsável pela educação neste país de liberar para as escolas esse tipo de material. Se não fossem as bancadas religiosas do Parlamento, a evangélica e a católica, com certeza esse material teria sido difundido e alastrar-se-ia pelas escolas públicas deste país, tentando colocar na cabeça dos jovens, crianças e pré-adolescentes que isso é a coisa mais natural do mundo.
Enquanto isso, lutamos tanto para educar nossos filhos. Embora já esteja na fase dos netos, há ainda aqueles que lutam, hoje, para dar educação aos seus filhos, neste mundo tão conturbado, tão cheio de desvios. E aí vem mais um material desses, que ao invés de ajudar acaba prejudicando, assim como fazem as novelas brasileiras, porque hoje não há uma novela na televisão que não tenha uma pessoa desse segmento.
Não tenho nada contra! Pelo contrário, até no meu meio de trabalho há pessoas com essa opção. Não tenho nada contra - e jamais teria - desde que também não me atinja. Mas entendo que deveria haver uma forma de orientar as crianças de uma maneira mais sensata, de uma maneira um pouco mais para o lado religioso, dos bons costumes, da família, do que simplesmente escancarar e dizer que é uma coisa muito natural.
É uma coisa difícil de expressar, de falar. Vão dizer: "O Nilson é contra!" Não é nada disso! O que queremos é bom senso, discernimento dentro dos bons costumes. Entendo assim, deputado Ismael dos Santos!
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - Quero apenas somar ao seu discurso, pois acho que bom senso é a palavra mais adequada para este momento. Entendo que com o kit gay eles erraram na dosagem. Com medicamento é assim, quando se erra na dosagem vira veneno.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Acredito que se deva dar uma repaginada e depois trazer de volta. Talvez em doses homeopáticas, como acabou de dizer o deputado Ismael dos Santos. Acho que pegaram o vidro do remédio e quiseram dar tudo de uma vez. Agora, se for aplicado em doses homeopáticas, acho que se vai chegar ao principal objetivo, que é a conscientização.
O Sr. Deputado Jean Kuhlmann - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!
O Sr. Deputado Jean Kuhlmann - Permita-me fazer um acréscimo ao seu pronunciamento. Estava dizendo anteriormente ao deputado Ismael dos Santos que a preocupação do governo tem sido tão grande com relação às questões das diferenças entre as pessoas, mas o erro está justamente na dosagem. Ou seja, na forma como é aplicado o remédio. O governo, ao invés de se preocupar em criar o respeito entre as pessoas, está justamente instigando o desrespeito, está fomentando a criação da diversidade. E isso o governo não pode fazer, o governo erra nesse sentido.
Entendo que v.exa. tocou no cerne da questão, o respeito. Precisa ser encontrada uma medida para que não se crie, através do exagero, o desrespeito à situação de cada um. Cada qual tem a sua opção individual, mas temos que respeitar o bom senso do coletivo. É a mesma coisa que aquele livro da educação que ensina de forma errada aquilo que na verdade não poderia ser ensinado.
O governo exagerou na dose e faltou bom senso. Às vezes até acho que falta um pouco de espiritualidade para algumas pessoas.
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - E na questão da cartilha do MEC também erraram na dose, como diz o ditado. Se formos analisar mais a fundo, veremos que existe certo sentido no que eles pretendem. O erro, porém, foi a forma como quiseram colocar. Está havendo equívocos nesse sentido. O objetivo final está correto, mas a forma como estão conduzindo é o grande problema.
Aproveitando este um minuto que me resta, gostaria de comunicar a v.exas. que lastimavelmente Santa Catarina está na rota do oxi, a nova droga aterradora, assustadora, apreendida no sul do estado, no dia de ontem. Para quem não sabe o que é o oxi, trata-se de um derivado da cocaína, misturada com querosene, com cal virgem e uma série de coisas, e a pessoa que a inala tem um ano de vida no máximo!
Infelizmente, como disse, essa droga já chegou ao nosso estado!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)