Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ana Paula Lima

67ª Sessão Ordinária - 15/08/2013

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito obrigada, sr. presidente, deputado Padre Pedro Baldissera. Srs. parlamentares muito bom-dia! Quem nos acompanha também pela TVAL, Rádio Digital e quem nos honra com a sua presença neste plenário nesta manhã de quinta-feira, bom-dia.

Sr. presidente, ouvi atentamente as palavras do deputado Gilmar Knaesel e em algumas coisas concordamos, em outras nem tanto, mas o Parlamento catarinense pode dar alguns exemplos também.

Vivemos uma crise moral. Nós parlamentares de Santa Catarina, responsáveis por fazer as leis para benefício do povo, responsáveis de fiscalizar o governo do estado de Santa Catarina, responsáveis e seres guardiões dos recursos públicos, podemos dar um bom exemplo também para outros políticos, pois esta Casa que se intitula a Casa da verdade precisa ter na prática dos componentes desta Casa a verdade.

Falo isso, sr. presidente, para elucidar este momento, porque nos últimos dias estou lendo a vida, a biografia de Mahatma Gandhi, pois também me socializei com o deputado Neodi Saretta. E nessa biografia, deputado Neodi Saretta, Gandhi nos ensina algumas coisas. Ele foi um líder pacifista na luta da Índia. Mas olhando ontem à noite ainda essa biografia, Gandhi, num determinado ponto, começou com uma campanha cujo nome é Sathiagraha.

Sathiagraha, srs. deputados e público catarinense, é um termo sânscrito, composto de duas palavras, deputado Dado Cherem, Satya, traduzida para o Português, quer dizer verdade e Agraha como busca. Então, Sathiagraha é a tradução de caminhos da verdade e que pode ser também insistir pela verdade, pode ser também firmeza pela verdade. Por isso, neste momento tem muito a ver com que estamos vivendo neste Parlamento.

A biografia de Gandhi trata também de sua responsabilidade em relação à independência da Índia. E como pacifista construiu um conceito para sua luta em defesa do seu povo contra a exploração e contra o domínio de estrangeiros. Nós acompanhamos em alguns filmes, e quem não leu a sua biografia está aí uma boa oportunidade de saber um pouco sobre esse pacifista.

Em termos muito atuais ficou conhecido também com essa campanha Sathiagraha, de Gandhi. E no Brasil também tivemos uma campanha feita pela operação da Polícia Federal, Operação Sathiagraha, que vocês todos devem se lembrar. Digo que é um termo atual, mas que está muito ausente na nossa política, especialmente na política catarinense.

Por isso, nessa crise moral que estamos vivendo em todos os Parlamentos, em todas as Câmaras de Vereadores, em que o povo vai para a rua, é realmente uma crise moral, porque o povo vai para a rua questionar inclusive algumas situações, alguns posicionamentos de alguns parlamentares.

Na filosofia desenvolvida por Mahatma tem outra palavra transcrita que quer dizer alma grande, também para o movimento de resistência não violenta, na Índia colonial.

Creio que vivemos uma crise também moral e, mesmo com o recado das ruas, continuamos a repetir as mesmas práticas rejeitadas pela população.

Eu vou me ater à defesa do povo catarinense no Parlamento catarinense, como guardião dos recursos públicos, pois é para isso que estou aqui. Não sou deputada federal, e se fosse estaria lá fazendo a defesa do povo brasileiro. Mas o governo de Santa Catarina, com sua grande bancada nesta Casa, com sua maioria parlamentar, impede que o Parlamento tenha firmeza na verdade, impede que o Parlamento cumpra uma das suas maiores responsabilidades: fiscalizar o governo.

Por que o medo da verdade? Falta então a esses parlamentares firmeza na verdade, o caminho da verdade. Aliás, insistem em esconder da população a verdade.

Assistimos a um verdadeiro funeral de CPIs nesta Casa. Primeiramente, é uma dificuldade para coletar as assinaturas, e quando conseguimos deparamos com situações como houve ontem. A CPI da saúde foi enterrada, a CPI da Casan, e vislumbramos aqui fazer as investigações, foi enterrada. E agora através de acordos nos bastidores tentam enterrar duas CPIS, a CPI das Águas e a CPI da Celesc.

Espero que os parlamentares desta Casa tenham firmeza na verdade. Falta o caminho da verdade. A política nos ensina que às vezes é preciso cortar a própria carne. Se um companheiro nosso comete malfeitos, o que se espera de um governante é que o puna exemplarmente e que o exonere.

Em Santa Catarina os que cometem malfeitos são protegidos, aliás, temos uma rede de proteção aos membros do governo envolvidos em malfeitos. Ninguém é demitido, ninguém é exonerado. Alguns são transferidos e até são beneficiados com cargos ainda melhores. Falta firmeza na verdade. O governador não pode continuar a fechar os olhos aos malfeitos no seu governo.

Este Parlamento está aqui à disposição para ajudar o governo, mas não podemos mais manter nos cargos os que pilharam os recursos públicos na Celesc, na Casan, na Saúde, a exemplo do ex-prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing, envolvido numa rede de corrupção na operação Tapete Negro do Ministério Público, mas que ocupa um cargo no alto escalão, presidente do Badesc, responsável em distribuir os recursos do Badesc para os municípios. Ora, uma pessoa que está sendo investigada numa rede de comunicação, que é o Tapete Negro em Blumenau, ganhou um cargo melhor, que é ser presidente de um banco do estado.

Essas práticas levam ao descrédito a política. A política é maior do que isso. E este é um espaço da cidadania, em que temos para defender o povo, os recursos públicos, a verdade. Esta tem que ser a Casa da verdade. Nós estamos aqui também, com toda a população catarinense, para construirmos caminhos que possibilitem a melhoria de vida para o nosso povo.

É preciso mais grandeza; é preciso mais humildade; é preciso mais verdade; é preciso mais firmeza. Na verdade, é preciso Sathiagraha.

Ontem assistimos a um episódio lamentável, nesta Casa, eis que com um acordo de bastidores tentaram enterrar a CPI das Águas que se propõe a investigar a corrupção sistêmica nas privatizações das águas do nosso estado, nos municípios.

Ora, a água é um bem público e está servindo para garantir milhares de desvios públicos para alguns que são beneficiados com isso.

Por que o medo da CPI? Por que o medo da investigação? Por que o medo da verdade?

Infelizmente, um colega nosso, deputado Maurício Eskudlark, líder do PSD, assinou o requerimento, tenho certeza que assim o fez por estar ocupando a liderança do seu partido, partido do governador. Ele teve que assinar esse requerimento esdrúxulo, não entendível. Seria muito mais elegante retirar o nome da assinatura da CPI e não entrar com esse requerimento solicitando o enterro da CPI das águas.

O que nos falta, infelizmente, é a verdade. E é para isso que estamos aqui; é para isso somos eleitos, para ter o caminho da verdade, a firmeza na verdade. Se tivéssemos condições, faríamos todas as investigações possíveis, porque não temos que ter medo da verdade, aqui, nas Câmaras Municipais, no Congresso Nacional. Mas na prática isso não acontece, porque existem altos escalões do governo que se beneficiam dessas redes de comunicações.

Sr. presidente, srs. deputados, temos muito que aprender, temos muito que ensinar também, mas temos que aprender com Gandhi, Sathiagraha, firmeza na verdade, caminho na verdade, insistirmos na verdade. É para isso que essa Casa serve; é para isso que os catarinenses nos colocaram aqui.

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)