72ª Sessão Ordinária - 20/07/2010
O SR. PRESIDENTE (Deputado Jorginho Mello) - O deputado Dado Cherem fará uso da palavra no restante do tempo do PMDB.
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Em primeiro lugar, sr. presidente, quero fazer um agradecimento ao deputado Antônio Aguiar por me ceder esses oito minutos restantes do PMDB, ele é médico e sabe da importância do debate sobre a saúde pública.
Sr. presidente, srs. deputados, venho a esta tribuna porque, há uns 20 dias, 30 dias, houve um movimento em Santa Catarina em direção a Brasília, quando tivemos a notícia que o estaleiro no município de Biguaçu poderia não sair por questões ambientais e que isso traria ao estado de Santa Catarina um prejuízo econômico muito grande. Movimentaram-se o governador, senadores da República, deputados federais, deputados estaduais, lideranças políticas e econômicas deste estado, dando a entender que a vinda desse estaleiro seria o elixir para todos os problemas de Santa Catarina.
Com certeza a vinda desse estaleiro é de uma importância muito grande para o estado de Santa Catarina, só que a movimentação política foi muito forte, muito grande. E não vejo hoje, deputado Antônio Aguiar, essa mesma movimentação de ir a Brasília pedir aos congressistas que aprovem a Emenda 29 para trazer mais recursos para a Saúde e para tentar resolver ou ajudar o problema de seis milhões de catarinenses. O que tenho visto e ouvido, deputado Gilmar Knaesel, nos últimos meses, já que a eleição começa a se tornar acalorada, são marqueteiros, assessores e mágicos de plantão tirando coelhos da cartola, como se nesse período fossem resolver todos os problemas da saúde pública.
Eu tenho aqui o jornal A Notícia, de Joinville, do dia 13 de julho, em que o editorial diz o seguinte: "Preocupação com saúde. Uma pesquisa feita no estado mostra que a prioridade número um dos catarinenses é a saúde pública." Está corretíssima essa percepção da população catarinense. E o jornal A Notícia diz que se fosse feita no município de Joinville essa pesquisa, com certeza refletiria a necessidade do município de Joinville. Na pág. 15 do mesmo jornal, diz, em relação ao Orçamento Regionalizado, que os bairros daquele município pedem também postos de saúde como prioridade do governo municipal.
Ora, sr. presidente deputado Jorginho Mello, se eu fosse fazer a crítica fácil, a crítica sem fundamento, a crítica leviana, com certeza cairia em cima do gestor municipal de Saúde de Joinville. Mas não vou fazer isso, porque conheço o secretário Tarcisio Crócomo, sei da sua índole, sei da sua vontade de acertar no município de Joinville, mas gestão e saúde pública é uma coisa muito mais complexa do que simplesmente apontar o dedo tentando dizer que há um culpado pela não-organização do complexo em Santa Catarina.
Saúde pública vai muito além de palavras, vai muito além de matérias jornalísticas. Saúde pública começa, em primeiro lugar, com a vontade política de resolver, vontade que tiveram na hora de tentar trazer o estaleiro para Biguaçu, para Santa Catarina. Começa, portanto, com a vontade política. Em segundo lugar, é necessária também uma pactuação entre o município, o estado e a união, numa gestão tripartite. Aí é que a coisa começa a ficar complicada.
Lendo hoje a entrevista da candidata do PP ao governo do estado, acredito que ela, candidata, acertou no bolo, mas errou no recheio, porque dizer que o Hospital Materno-Infantil está fechado há oito anos é um absurdo. Com certeza algum assessor, acredito eu, informou muito mal à candidata a governadora.
Sr. presidente, acho até que esse debate está vindo à tona de forma positiva. Quando se fala em criar centros de excelência em saúde pública, lá em Canoinhas, deputado Antônio Aguiar, pergunto o seguinte: há dinheiro para abrir mais um serviço de alta complexidade? Vontade há, médicos existem, pacientes também, mas o ministério da Saúde tem dinheiro para abrir esse serviço? Aqui fica o primeiro ponto de interrogação. O segundo é o seguinte: os médicos aceitarão trabalhar a R$ 7,50 a consulta, lá em Canoinhas, deputado Antônio Aguiar? Esse é o segundo ponto de interrogação. E o terceiro é o seguinte: vai haver equipamentos e unidade física para fazer esse serviço?
Então, é muito fácil dizer que é problema de gestão, só que o SUS é complexo e por isso é necessária a participação dos três entes federados de uma maneira honesta, transparente, e não apontando o dedo.
Hoje nós somos governo, amanhã podem ser outros partidos políticos, mas todos, sem exceção, têm que, efetiva e honestamente, elencar a saúde como prioridade de gestão e não como prioridade de campanha política.
Eu vou completar 22 anos de vida pública, muitos deles dedicados à saúde pública do meu município, da minha região ou de Santa Catarina, e volto a frisar, deputado Antônio Aguiar, v.exa. que conhece muito bem a realidade do planalto norte, como também a conhece muito bem o deputado Silvio Dreveck, muito foi feito, muito falta fazer, mas tem que ser feito com transparência, com dedicação e com vontade política. Senão, daqui a quatro anos novamente vamos ter novos mágicos de campanha, novos marqueteiros, porque a pesquisa apontou a saúde como prioridade e agora passam a falar sobre saúde pública, mas com propostas concretas não vi ninguém. Vi apenas palavras, e palavras são palavras, que podem ser coladas agora ou amanhã.
Eu quero, sim, que em palavras digam de onde vai sair o resultado, de onde vão sair os recursos para resolver esses problemas, porque é muito fácil falar, mas resolver, com certeza, é muito mais difícil.
Por isso, srs. deputados, cada vez que falarem de saúde pública, vou subir a esta tribuna e elaborar as perguntas, para que tragam as respostas.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)