Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Lício Mauro da Silveira

80ª Sessão Ordinária - 15/10/2003

O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, li no jornal A Notícia do dia de hoje uma matéria dizendo que o fórum organizado na Câmara para a não-emancipação do Norte da Ilha comemorou a aprovação da lei complementar e do projeto de emenda constitucional com bastante ênfase.

O que eu estranho, Deputado Afrânio Boppré, é que o Presidente da Comissão Emancipacionista, Valmor Pires, não sabia da aprovação das matérias, até ser informado pela reportagem.

(Passa a ler)

"Ainda contando o prejuízo do 1º Rodeio da Integração, atividade realizada pela comissão no fim de semana em Ingleses para arrecadar fundos para a campanha, Pires disse estar decepcionado com o resultado da votação. Chamou os Deputados de ‘políticos interesseiros’ e ‘corja de safados’ e disse que foi difícil mobilizar aqueles que reclamavam da falta de investimentos na região."

Por outro lado, os moradores da Praia do Forte comemoraram a não-emancipação. E V.Exas. podem ter idéia, agora, de como ficaria o Norte da Ilha, caso houvesse a emancipação: cairia nas mãos de um senhor sem educação, sem postura e sem qualificação.

(Continua lendo)

"Ontem, neste Plenário, nosso comportamento foi uma atitude de gente que entendeu o valor da unidade como função vital para a continuidade da Capital dos catarinenses. Durante mais de 300 anos, a Ilha vem conquistando um status à custa dos esforços de uma população hospitaleira que é formada hoje, em grande parte, de aculturados ilhéus. Essa aculturação deveu-se a vários fatores, sendo um dos principais a criação da UFSC e a migração de catarinenses de todas as regiões de Santa Catarina.

Todos nós que aqui chegamos e ficamos aprendemos, desde o momento que aqui colocamos os pés, a gostar desta Ilha. Também como nós, os visitantes de todos os cantos da terra já se acostumaram com a originalidade de seu povo, com as belezas naturais e a sua harmonia. O hino que neste momento está tocando, o ‘Rancho de Amor à Ilha’, é cantado em verso e prosa. É o orgulho do manezinho. É o ‘chama’ e o regorjeio do pássaro ilhéu.

Por estas e mil outras razões, não poderíamos desprezar nossas raízes culturais, pelo decorrer dos anos, pelo egoísmo de alguns que não comungam o mesmo néctar que nós. Pela compreensão, pelo voto favorável à integridade territorial, a Capital agradece aos nobres Pares e à Câmara Municipal de Florianópolis, que coroou o inestimável feito desta Casa Legislativa."

E assim, Srs. Deputados, nós encerramos este capítulo do nosso pronunciamento referente ao momento mesquinho que viveu a Capital catarinense.

Mas, Sr. Presidente, gostaríamos de fazer uma homenagem aos professores. É bom que os Deputados saibam que, hoje à noite, a Comissão de Educação, liderada pelo Deputado Paulo Eccel, fará uma homenagem aos professores. Como não poderemos estar presente, faremos, neste momento, uma manifestação a respeito desta importante data.

(Continua lendo)

"Em 600 aC surge em Atenas, na Grécia, a escola primária. Após a invenção da escola de primeiras letras é que seu estudo pouco a pouco é incorporado à educação dos meninos pobres. Assim, surgem em Atenas as escolas de bairro, não raro ‘lojas de ensinar’, abertas entre as outras no mercado. Ali, um humilde mestre-escola, ‘reduzido pela miséria de ensinar’, leciona as primeiras letras e contas.

São passados 2.600 anos dessa época. Adentramos no século XXI com uma tecnologia de ponta desenvolvida pelo ser humano a partir da escola. A medicina, por exemplo, alcançou patamares tão elevados que são comparáveis a verdadeiros milagres ou obras do Criador. A educação do ser humano na ‘tecne e na teoria’, segundo os mesmos gregos, explica por si só a evolução do ser.

Um pé no presente e um olhar para o passado, é o bastante para depararmo-nos com uma impressão excêntrica.

Por outro lado, somos tão críticos de nossos mestres e humildes professores, de seus métodos, suas técnicas e da falta do pragmatismo no ensino. As nossas escolas, sob nossa ótica, no decorrer dos séculos, quase não evoluíram, apesar do avanço tecnológico.

Por outro lado, não oferecemos ao professor salário e condições dignas para sua sobrevivência e para o aperfeiçoamento, seja através de cursos ou pela aquisição de livros.

E como se explica esse nosso desenvolvimento? Porque somos o que somos hoje?

Será também um milagre da natureza? Ou será um milagre do Todo Poderoso, que faz da profissão um sacerdócio, concedendo ao professor as bênçãos da sabedoria, por caminhos ínvios e por nós desconhecidos?

Que paradoxo! Com certeza todos nós e nossos filhos têm deficiências, problemas culturais gravíssimos. Pode ser até que nossos mestres não estejam conseguindo incrustrar a famosa ‘Paideia’ como os gregos tratavam a educação, isto é, a formação harmônica de todo o corpo e de toda a consciência. A não-consecução é fruto das diferenças sociais e econômicas, do desenvolvimento da criança aquém do desejável antes da idade escolar.

Contudo, apesar do paradoxo, nossos professores, independente de salário, das más condições oferecidas, continuam, dia após dia, nas salas de aula, nos laboratórios e em outros ambientes, com as condições mais imprevisíveis possíveis, a exercer de forma brilhante e invejável, o sacerdócio do ensino.

Parabéns nossos mestres, nossos amigos. Que o altar onde diariamente ofereces o teu holocausto pela educação de nossos filhos, seja sempre um altar de recompensa e de consideração de todos nós. Jamais esmoreças, pois ao bravo não é dado o direito da derrota.

Parabéns, parabéns... Só vocês são iguais a vocês. E, por isso, recebam nosso carinho e a nossa gratidão."

Tenho certeza de que todos nós Parlamentares os abraçamos carinhosamente nesse dia. E que hoje seja dia de reflexão, não só para eles como para nós também, que podemos, no futuro, melhorar as condições dos professores e, consequentemente, a educação.

É um dever não só dos Parlamentares, não só dos poderes constituídos, mas é um dever de todo e qualquer cidadão brasileiro.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)