Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

65ª Sessão Ordinária - 13/09/2005

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, srs. deputados, volto a um tema que considero importante, até porque nesta semana, neste domingo, o governador Luiz Henrique escreveu um segundo artigo.

No domingo anterior tratava-se do DNA espartano, e agora a polêmica do DNA. E eu quero dar a minha humilde contribuição a esse debate e a essa polêmica, porque o governador diz que "ao afirmar que os estudos avançados do genoma já nos sinalizam para a cura de doenças provocadas pela desorganização celular, ou que a intervenção genética permitirá a superação em qualquer estágio de uma determinada doença, o meu pensamento se dirigia a saudar a revolução do conhecimento humano". Mas não é verdade, não foi só uma saudação ao avanço da ciência, que vem, anualmente, diariamente, e muitas vezes, dando passos largos, porque de fato se investe muito na ciência, na pesquisa, no conhecimento.

Trago comigo a convicção, deputado Pedro Baldissera, de que o melhor cientista não é aquele que pensa que sabe tudo - as pessoas pensam que o cientista é aquele que sabe tudo, que pode perguntar qualquer coisa que ele vai responder -, não, pelo contrário, o melhor cientista é aquele que sabe que não sabe, que reconhece a ignorância, que reconhece que desconhece e por isso investiga, por isso pesquisa, vai à busca de saciar a sua ignorância, no bom sentido da palavra. Este é o bom cientista.

Por isso, estamos diante, sempre, de novas descobertas; então, não foi apenas um artigo para saudar o avanço da ciência, porque cairia no vazio, porque a ciência está sempre avançando. Na verdade, é uma saudação a um típico específico pensamento pseudocientífico que o governador Luiz Henrique da Silveira quis saudar. Ele quis saudar uma seleção, uma depuração, uma purificação da raça humana. E nesse artigo, o segundo artigo, a polêmica do DNA, que saiu no jornal ANotícia, neste domingo, ele tenta se defender das críticas, inclusive politicamente, quando o debate não está, inicialmente, produzido por ele no plano da política, o debate está no plano da ciência. Mas ele quis politizar de maneira politiqueira todos aqueles que discutiram o seu entendimento científico.

Ele diz: "Como fui mal ou maldosamente interpretado, volto ao assunto." Ao contrário, ele não foi mal interpretado nem maldosamente, é o ônus de quem quer invadir uma seara alheia, a qual ele não está preparado para discutir, que é mais uma vez confirmado nesse assunto. Porque aquela repercussão no jornal a Folha de S.Paulo, que ganhou uma página inteira, criticando o governador Luiz Henrique da Silveira por valorizar, por elogiar, por enaltecer a eugenia, ou seja, um processo de seleção, através do qual, ele dizia, os idiotas, os feios e os deformados deveriam ser alterados do ponto de vista do seu DNA geneticamente.

Vejam, os idiotas, deputado Vieirão, se esse avanço científico tivesse ocorrido décadas atrás e tivesse sido praticado o desejo do governador em aplicar uma seleção genética à espécie humana, muitos dos que escrevem hoje nos jornais talvez sequer tivessem sido selecionados.

Então, eu quero dizer que a resposta do governador no seu segundo artigo é uma resposta que saiu, aliás, é uma emenda que saiu pior do que o original. Porque ele vem trabalhando aqui, usando, tentando se escudar atrás de algumas frases do cientista Steve Hank, colocando o físico na sua frente, como um biombo, mas lá no final ele tenta mais uma vez, usando um outro personagem, escudar-se e novamente denuncia o seu pensamento, quando ele evoca, por exemplo, quando diz que "ninguém chamou de opressor ou de discriminador o nosso poeta Vinícius de Moraes, quando este afirmou ‘que me perdoem as feias, mas a beleza é fundamental’."

Para justificar o seu preconceito, para justificar a sua pretensão de mudar e definir um conceito de estética que não é científico, um conceito de estética que é social, é um conceito inclusive econômico também, o governador Luiz Henrique da Silveira pretende usar aqui Vinícius de Moraes, para se defender daquele raciocínio nazi-fascista que está por trás dessa discussão, porque na prática, quando fala no DNA espartano, ele está mais sugerindo também o DNA ariano, numa perspectiva diferente. E a humanidade inclusive já pagou caro por esse tipo de experiência.

Então, gostaria de dar aqui a minha contribuição a esse debate, porque considero que também é nossa função polemizar, já que o governador pretende escrever buscando desviar inclusive o sentido da crítica que fizemos, como se fosse uma crítica política, quando não é. Se ele faltou ao debate, tem o ônus desse debate. Então, não vai aqui nenhuma pretensão de politizar a relação.

Todas às vezes que nós fizemos uma crítica ao governador, quando nós falamos do incêndio do mercado público, do problema do Bolshoi, do DNA espartano, ele conclui como se tivesse aí uma vontade imperiosa de duelar politicamente.

Está proibido exercer o mandato parlamentar, investigar e fazer o debate, inclusive acima do calendário eleitoral, porque ele põe de manhã, à tarde, à noite e de madrugada o calendário eleitoral na pauta.

É por isso que é muito comum encontrá-lo na feijoada do Jojoca, no carreteiro da Maria. Por quê? Porque o governo está abandonado, porque de fato não consegue fazer uma pauta que não seja só eleitoral. Infelizmente, deputado Joares Ponticelli, deve doer muito ao governador. Acho que ele deveria antecipar. Ele anunciou que vai renunciar. Deveria antecipar, porque ele já está numa pauta eleitoral. Ele tem que reconhecer isso. Se ele acha que é bom se afastar com antecedência, deveria começar agora.

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. nos concede?

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Pois não!

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Nobre deputado, quero cumprimentá-lo pela manifestação e fazer coro a essa afirmação de v.exa.

O governo tenta inviabilizar o trabalho das oposições. Para alguém que se apresenta como defensor da democracia, como um democrata de carteirinha, que é originário de um partido que fez um longo período de oposição neste país, cada questionamento que é feito aqui o governo tenta desqualificar, tenta dar uma de vítima, tenta dizer que nós não os deixamos trabalhar.

Até a solicitação do Superior Tribunal de Justiça para processá-lo, e são sete processos, ele covardemente não deixa a sua bancada votar nesta Casa, porque tem medo de enfrentar a Justiça. Mas depois da renúncia vai enfrentar. Eu e o deputado Vieirão vamos, no dia seguinte ao da renúncia, levar cópia do Diário Oficial para dizer ao Superior Tribunal de Justiça que agora pode processá-lo normalmente. Até sobre esse pedido do Superior ele foi choramingar, em uma reunião, com empresários lá em Itajaí.

É de fato uma tentativa de inviabilizar o trabalho de quem com responsabilidade, como v.exa., faz oposição nesta Casa.

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, para concluir, quero dizer que o governador Luiz Henrique da Silveira deveria em alguns momentos pelo menos respeitar o debate no plano da política e não só no plano da eleição.

A eleição deve ser entendida por todos nós como conseqüência da política. No entanto, o governador Luiz Henrique da Silveira inverteu. Ele fez da eleição a política e por isso não consegue mais governar, porque está aí o governo abandonado, o governo à deriva. E ele não sabe mais onde encontrar o rumo. É só para cima e para baixo, nos palanques, fazendo campanha.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)