82ª Sessão Ordinária - 25/10/2005
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. presidente e srs. deputados, assomo à tribuna, na tarde de hoje, acompanhando aqui alguns comentários feitos desta tribuna por diversos deputados. Também preciso fazer justiça ao colega deputado Celestino Secco, pelo grande trabalho que faz à frente da Escola do Legislativo. Eu sei da importância para cada cidadão a existência de um projeto que serve a sua gente, através da política, como a Escola do Legislativo.
Então, a interiorização do Legislativo foi muito importante, deputado Onofre Santo Agostini, e o deputado Celestino Secco, com a sua habilidade, com o seu jeito, está ajudando a conduzir, com a equipe da Assembléia Legislativa, muito bem esse trabalho.
Por outro lado, quero falar um pouco sobre o que disse o deputado Paulo Eccel sobre a questão que todos nós acompanhamos e debatemos, que é a questão do desarmamento, uma questão polêmica, no nosso entendimento, uma questão desproposital.
O deputado Paulo Eccel discorreu da tribuna há pouco, e depois o deputado Reno Caramori falou com muita propriedade, sobre a questão do estatuto. Ele colocou a sua preocupação quanto à facilidade do aumento da compra de armas. Nós sabemos muito bem que o Estatuto do Desarmamento é rigoroso quanto à questão de se comprar uma arma; ele não facilita a aquisição de uma arma a pessoas que não são idôneas, a pessoas que são despreparadas.
Então, esse não é o problema do Brasil. A criminalidade do Brasil não é feita por pessoas que compram uma arma calibre 38. O crime no Brasil é comandado por aqueles que usam metralhadora R15 e assim por diante. Essas pessoas já estão usando granada, deputado Reno Caramori. O bandido já usa até míssil. Enfim, não estamos mais sendo ameaçados por essas pessoas que compram uma pistola ou um 38. Estamos sendo ameaçados, sim, por essa guerrilha montada neste país pela falta de segurança.
Srs. deputados, o "não" deu oportunidade para o povo brasileiro enxergar, no meu entender, deputado Reno Caramori, que eram os mesmos artistas que emprestaram a sua cara, que emprestaram também a sua credibilidade para enganar o povo brasileiro, pedindo voto para aquele que ia transformar o Brasil, para aquele que ia dar pão, leite, água e sombra para todos, que estavam agora fazendo a propaganda do "sim", dizendo que mudaria tudo no Brasil em termos de segurança, se nós desarmássemos o cidadão de bem.
Esses artistas deveriam, sim, ir ao mesmo veículo de comunicação pedir desculpas para a nação e cobrar do presidente da República, do PT, aquilo que foi prometido; deveriam, sim, pedir uma posição clara do PT e do governo Lula em relação ao que nós estamos vivendo neste país. Era isso que precisava acontecer.
Então, o Estatuto do Desarmamento e o referendo serviram mais para uma avaliação política do que de fato para um referendo para a questão das armas. E o povo se manifestou naquele momento demonstrando repúdio em razão da sua preocupação com as questões das armas.
Eu queria falar aqui, também, deputado Pedro Baldissera, a respeito de um assunto que vem sendo comentado pela bancada do PT, que se reuniu, hoje, para discutir o possível pedido de cassação do deputado Nelson.
Gostaria de dizer, deputado José Paulo Serafim, que exerço desta tribuna o meu papel de oposição, mas sempre procurei, em todas às vezes que assomei a esta tribuna, exercer o meu direito de fazer oposição honrando e respeitando os parlamentares do PT de Santa Catarina.
Ninguém pode dizer que este deputado desrespeitou um parlamentar catarinense do PT, até porque conheço a qualidade que eles têm. Agora, um dia desses, desta tribuna, fiz uma leitura e um comentário a respeito de um documento que não tinha assinatura, isso é bem verdade. Mas fiz um comentário com relação àquele documento porque desta tribuna tenho imunidade parlamentar e é esta a razão que me fez vir hoje aqui, livre, democraticamente, exercê-la. Só por esta razão. Não falei nada lá fora, não dei nenhuma entrevista, mas aqui o fiz exercendo o meu direito de parlamentar.
Então, quero dizer, neste momento, que nunca houve e não há intenção de minha parte de personalizar a crítica. Não posso e não tenho o direito de criticar pessoas. O que eu sempre fiz aqui foi apresentar dados, o que não estão fazendo neste momento. Mas resultado que é bom, nada.
O Lula realizou 43 viagens internacionais. E o que digo aqui pode ser mentira, mas é baseado em uma revista de conceito nacional, que é a revista Veja. Essa revista pesquisa, analisa e coloca que o resultado das 43 viagens realizadas pelo governo do Lula foram pífias, sr. presidente. É o que a revista Veja coloca, eu só repito. Mas quero dizer que o sentimento que temos é verdadeiro, sim.
Agora, quero falar aqui sobre o nosso parque empresarial catarinense. A política externa que estamos adotando neste país está causando conseqüências terríveis ao parque industrial catarinense. Que o diga o nosso industrial madeireiro, deputados Onofre Santo Agostini e Antônio Aguiar, que está vivendo um momento de desespero. Estamos fazendo um desmonte na indústria madeireira e moveleira de Santa Catarina, colocando em risco um segmento importante que gera muita riqueza para o estado. E acima de tudo é muito emprego, deputado Altair Guidi, que hoje estamos também colocando em risco. Estamos colocando em risco a indústria cerâmica, que gera muito emprego, e também uma indústria muito importante que temos em Santa Catarina, no nosso Alto Vale do Itajaí, que é a indústria metalmecânica.
No Alto Vale do Itajaí temos as grandes indústrias do Brasil que produzem parafusos e porcas. Mas esse parque industrial precisa ir até a China negociar. Aliás, eles foram para a China e estão voltando de lá hoje, porque tiveram de comprar nesse país o parafuso, deputado Celestino Secco, para poder atender os seus clientes no Brasil.
Só o parque industrial de Trombudo Central e de Braço do Trombudo teve de desempregar 400 pessoas e terá que deixar de ser um parque industrial parado para se transformar em um comerciante de produtos metalmecânicos, porque estamos mandando o nosso aço para a China, com todos os incentivos, e eles lá estão industrializando o produto e enviando-o de volta para nós. E aqui temos que absorver, comprar e conviver com essa situação de dificuldade de mercado, pelo baixo custo do produto chinês que chega até aqui.
Não bastando isso, temos mais um problema grave que nos preocupa, que é a questão da agricultura. Sobre essa questão temos que dar um grito em seu favor. Custa-nos acreditar que é o governo dos trabalhadores, do PT, que está criando uma dificuldade muito grande ao pequeno produtor rural, o qual não consegue mais vender o seu produto, não tem mais segurança de preço mínimo, não tem mais segurança de estocagem. Ele está vivendo um momento de desespero.
O Sr. Deputado Sérgio Godinho - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Pois não!
O Sr. Deputado Sérgio Godinho - Deputado, eu gostaria de parabenizar v.exa. pelas colocações e dizer que a comissão de Economia, Ciência, Tecnologia, Minas e Energia fará, no dia 9 de novembro, na Assembléia Legislativa, às 9h, uma audiência pública para tratar da crise do setor madeireiro. Nós contamos com a presença dos sindicatos dos madeireiros de todo o estado, o setor de base florestal, seja do setor moveleiro ou do madeireiro.
Dessa forma, será discutida a crise nesse setor. E a partir dessa discussão, que irá dar oportunidade aos empresários de colocarem os seus problemas, vamos fazer encaminhamentos ao governo do estado, ao governo federal, no sentido de acharmos uma solução para salvar esse setor que só na região serrana, nos últimos três meses, já demitiu 1.400 pessoas.
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. deputado Sérgio Godinho, veja o tamanho da preocupação que temos que ter com essa política equivocada, que em um primeiro momento parece que estamos vivendo no país das maravilhas, porque quebramos todos os meses o recorde de exportação, mas as conseqüências que estão ficando para o futuro são preocupantes.
Temos acompanhado a indústria madeireira, que para nós é muito influente, tanto no planalto, no vale, como em todas as regiões de Santa Catarina, já que é um parque industrial muito forte, mas agora a crise atingiu violentamente a nossa agricultura. Somos pequenos proprietários, e o endividamento do nosso pequeno proprietário rural causa muita preocupação a todos nós.
Ora, no ano passado vendemos o arroz a R$ 36,00 a saca e neste ano estamos com dificuldades de vendê-lo a R$ 15,00! Quem tem gado no pasto não consegue vendê-lo. O pequeno agricultor está vivendo uma situação de desespero.
Então, essa é a realidade, e precisamos amparar o pequeno produtor rural neste país, senão haverá mais pessoas nas grandes cidades, mais problemas nos grandes centros, mais dificuldades para este país e mais problemas sociais!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)