66ª Sessão Ordinária - 14/09/2005
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, srs. deputados, assim como o deputado Afrânio Boppré ficou perplexo, também a sociedade catarinense está perplexa ao ler, hoje, a nota oficial publicada, patrocinada pelo diretório do PMDB, que coincidentemente, deputado Afrânio Boppré, tem o mesmo slogan do governo do estado. Em cima encontra-se a logomarca do partido: "PMDB, o governo perto de você". Mas esse é o slogan do governo e não do partido. Portanto, o dr. Gley Sagaz vai ter que começar a se preparar para mais uma ação.
Deputado Blasi, confundir o partido com o governo geralmente não dá certo! Mas a nota, deputado Antônio Carlos Vieira, seria cômica, se não fosse trágica. E que autoridade moral tem este governo ou esse partido, porque agora eu já não sei mais onde termina o partido e começa o governo ou onde os dois se encontram! Que moral tem esse partido ou este governo para falar em política velha, criticando a direção do PFL por fazer oposição num programa eleitoral?
O PFL está cumprindo com o seu dever oposicionista. É assim que a cúpula tem-se comportado. Agora, o governo e o PMDB cobrarem publicamente através de uma nota oficial, como se o PFL fosse uma sucursal do governo, como se o PFL, deputado Onofre Santo Agostini, fosse um apêndice do governo, fosse comandado pelo governo?!
É exatamente o que debatemos aqui, ontem, deputado Afrânio Boppré e deputado Antônio Carlos Vieira, ou seja, eles não aceitam nenhum tipo de crítica!
Mas o que é isso? Política velha é isso, deputado Genésio Goulart. Velhaca! Isso não é velha, é velhaca! É política velhaca, a política patrocinada pelo PMDB ou pelo governo, porque aqui os dois se misturam.
Política velhaca é tentar comprar prefeito, vereador, liderança, como este governo está fazendo com o Fundo Social, com o dinheiro público, dinheiro do erário, procurando prefeitos de todas as regiões do estado, oferecendo dinheiro público em troca de filiação partidária. Isso é política velhaca.
Isso, sim, vai ser banido do país e do estado depois de terminar essa CPI nacional. Essa política velha, velhaca, rançosa, corrupta, patrocinada por este governo e por esse partido que se confunde com o governo, vai acabar! Essa vai acabar, porque o que está acontecendo em Santa Catarina, comparado proporcionalmente ao que acontece no Brasil, é muito mais escandaloso. O assédio, deputado Antônio Carlos Vieira, o assédio que os nossos prefeitos têm recebido, a oferta de convênio do Fundo Social para trocar de partido é um escândalo. Isso é velhaco! Isso é corrupção! Isso tem que ser limpo deste país! Isso, sim, é velhaco!
E aí pagam uma nota, publicam uma nota, dizendo que o PFL ou a direção do PFL não pode fazer isso, apresentando-se como donos da vontade do PFL, como se o PFL fosse sucursal do PMDB ou do governo.
Que equívoco o do secretario ou presidente João Matos! Que equívoco! Que política velha, velhaca, rançosa e corrupta! Isso é o que se está vendo neste estado. Mas foi muito bom isso ter acontecido, porque agora vamos começar o debate sobre o Fundo Social, sobre subvenção social e sobre votos aqui dentro, deputado Afrânio Boppré. É chegada a hora! O momento nacional é o melhor. É chegada a hora! Agora nós vamos começar a levantar! Agora nós vamos começar, deputado Antônio Carlos Vieira, a acompanhá-lo, a ser orientados por v.exa. na leitura do Diário Oficial. Agora nós vamos poder ligar Fundo Social, convênio, filiação partidária, compra de políticos patrocinados por este governo velhaco que está instalado em Santa Catarina.
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Obrigado, deputado Joares Ponticelli. V.Exa., se quiser começar a debater sobre os convênios do Fundo Social relativo àquele assunto que está ocorrendo ali atrás, eu estou disposto, porque eu tenho alguns dos convênios que foram assinados, atendendo exatamente aquela situação que se encontra ali atrás no nosso plenário.
Mas ontem, deputado Joares Ponticelli, eu falei que a eugenia seria aplicada com os partidos de oposição. E está aí o DNA espartano sendo aplicado. Só que eu não fico absolutamente magoado nem chocado, não! Quem deve ficar magoado e chocado são os parlamentares do PFL que foram violentamente ofendidos pelo governo do estado, através do seu partido, o PMDB.
Mas eu me preocupo com uma outra coisa, deputado Joares Ponticelli. Eu, por ter um pouco mais de idade - e dizem que a idade reforça um pouco a experiência -, queria dizer para v.exa. que quando eu vi a assinatura dessa nota eu me deparei com outra coisa que vai acontecer lá no Alto Vale do Itajaí, que é o lançamento de uma candidatura nova a deputado federal do PFL, ou seja, a candidatura do nosso amigo deputado Nelson Goetten. E aí eu acho que já está ocorrendo uma disputa de espaço entre PMDB e PFL para a Câmara Federal, no Alto Vale do Itajaí.
Eu, pelo menos, fiz essa leitura, além da questão da ofensa ao PFL, que nós precisamos até deixar acontecer. Se o governo acha que os deputados aqui praticam atos diferentes da administração geral do seu partido, o PFL, eles é que têm de se explicar. Eu não vou explicar a eles o que acontece dentro do meu partido em nível nacional. Eu não comungo com eles, mas também, absolutamente, vou saber o que acontece dentro do PFL, embora sejam representados por deputados desta Casa, porque, até prova ao contrário, são deputados atuantes, trabalhadores e que honram este plenário, honram este Parlamento, mas que foram ofendidos agora por essa nota do PMDB.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Obrigado, deputado Antônio Carlos Vieira. V.Exa. tem razão, na nota oficial o governo ou o PMDB, porque aqui não dá para distinguir se é o governo ou se é o PMDB, a logomarca é do PMDB, mas o slogan é do governo...
O Sr. Deputado Francisco Küster - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - O deputado João Matos ora é secretário, ora é presidente em exercício do PMDB.
Deputado Francisco Küster, eu vou voltar à tribuna no horário do partido e se puder ouvi-lo, eu gostaria, porque só tenho um minuto neste momento para concluir o meu pronunciamento. Mas vou conceder um aparte a v.exa. no horário do partido.
Mas na nota, deputados Afrânio Boppré e Antônio Carlos Vieira, o governo se intitula proprietário da bancada do PFL. Ele critica a direção como quem diz: olha, na bancada quem manda é o governo. O nosso problema é com a direção.
O Partido Progressista tem com o PFL uma história de lutas, de vitórias e de derrotas também. Ganhamos algumas e perdemos outras. Temos uma relação histórica de parceria com o PFL. Mas nunca ousamos tratar o PFL ou qualquer outro parceiro da forma que o PMDB está tratando numa nota oficial. Isso é um desrespeito, é velhaco e é rançoso. Essa prática, sim, tem que ser banida.
E eu tenho muita esperança de que no passar o Brasil a limpo, com o término de toda essa lambança nacional que o Congresso Nacional está investigando, que atingiu, infelizmente, a maioria esmagadora dos partidos, inclusive o meu, se possa passar tudo isso também a limpo. Mas, de igual forma, temos que passar a limpo o que acontece nos estados. E de hoje em diante nós vamos, no dia-a-dia, nem que seja somente através da TV Assembléia, da Rádio AL digital ou de alguns poucos que nos cobrem aqui, começar a mostrar para a sociedade catarinense onde está instalada a política velha, velhaca e corrupta, pois não é só em Brasília que há coisas escandalosas para debater, aqui também há e vamos começar.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)