12ª Sessão Ordinária - 16/03/2004
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, não vou falar sobre o índice de desenvolvimento do jovem, como colocou o Deputado Ronald Benedet, mas que não deu a fonte, que seria do período de 2000 a 2001, e não vou também colocar sobre a engenharia financeira da Tetrahedron, mesmo porque nós não temos aqui número suficiente de Deputados e nem tampouco o Deputado Ronald Benedet para nos dar a honra de dizer que a Invesc foi, na época, uma grande engenharia financeira.
Também não vou entrar em detalhes com relação aos saneamentos feitos na Casan e na Celesc, empresas essas que marcaram prejuízo no exercício de 2002 e que em 2003 marcaram um lucro muito expressivo, o que dá uma demonstração de que a diretoria das duas casas ou encontrou a saúde das empresas relativamente boa ou então elas devem ser colocadas para o Prêmio Nobel de Economia.
Hoje também não vou falar sobre compras da Celesc na mira - isso sobre transformadores. Vou deixar isso para mais tarde, porque esse não é o momento.
Também não vou colocar, Deputado Rogério Mendonça, que a farra das diárias continuam. No mês de janeiro, o Diário Oficial do dia 11 de março publicou uma relação de diárias em que um diretor ganhou no mês de janeiro R$15.560,00, e que um outro recebeu R$14.100,00, só de diárias.
Mas hoje eu vou tratar de uma coisa muito especial. Não sei se hoje pela manhã os Srs. Deputados tiveram a dificuldade que o povo de Florianópolis teve para o seu deslocamento. Eu tive! Hoje Florianópolis teve o resultado de gestões praticadas contra a cidade ou de forma muito inocente ou de forma muito premeditada. O que tivemos foi um caos total no trânsito da cidade de Florianópolis, principalmente de quem queria adentrar na nossa Ilha.
(Passa a ler)
"Mais uma vez Florianópolis viveu uma manhã de transtornos. Uma manutenção de rotina da cabeceira da Ponte Pedro Ivo Campos transformou a manhã de milhares de pessoas num verdadeiro caos. A Via Expressa, a Avenida Ivo Silveira, os acessos de Coqueiros e de Estreito ficaram totalmente congestionados por mais de duas horas. A repetição de eventos, como o ocorrido nesta manhã, demonstra o desprezo que o Governo do Estado tem pelas pessoas que aqui vivem. Que haja diferenças políticas com os administradores de Florianópolis, até entendemos, mas que o florianopolitano tenha que pagar o preço dessa divergência, não podemos admitir.
Pais conduzindo seus filhos para escolas e creches, horários marcados em clínicas e consultórios, clientes aguardando profissionais liberais, trabalhadores tendo de justificar ausências e atrasos, transtornos de todo tipo, tudo porque o Deinfra não avisou ninguém. Não dá para admitir, não dá para aceitar.
Era muito difícil ao Deinfra avisar a população que realizaria a manutenção da ponte nesta manhã? Não foi possível manter contato com a CBN-Diário? Era complicado contatar as operadoras de celular para que enviassem mensagem aos seus clientes avisando para não saírem de casa entre as 7h e 9h da manhã?
O Governo anterior também realizou obras de manutenção nas pontes Pedro Ivo e Colombo Salles. Em outubro, novembro e dezembro de 2002 também foram recuperadas juntas de dilatação dessas pontes, mas sempre orientando a população: as obras iniciariam às 11h da noite e antes das 6h da manhã estariam concluídas. Não foi possível antecipar o início da manutenção?
A repetição desses transtornos causados simplesmente pelo desleixo de autoridades do Governo do Estado leva-nos à triste conclusão de que vai acontecer outras vezes, que podemos esperar mais problemas, que Florianópolis e sua população devem estar preparadas para outras pequenas maldades.
Faço este registro porque vindo da minha casa, na parte continental da cidade de Florianópolis, até a Assembléia Legislativa pude observar o quanto as pessoas estavam indignadas. Os homens públicos e os servidores do Estado estão aí para servir a população, para facilitar o cotidiano das pessoas e não para complicar, não para subtrair o bom humor e a alegria das pessoas.
Era isso o que desejava assinalar, Sr. Presidente, com relação ao dia de hoje, um dia conturbado no trânsito de nossa cidade.
Como Deputado e como cidadão florianopolitano, só me resta torcer para que o Governo mude seus procedimentos em relação a Florianópolis. Chega de má vontade, chega de tanta maldade com Florianópolis!"
Sr. Presidente, após esses comentários, não gostaria de pintar a Polícia Militar como um setor que não tem a credibilidade do povo catarinense. Não! A nossa Polícia Militar goza de toda decência e de todo o respeito do povo catarinense. Mas o que hoje estão fazendo com a Polícia Militar, Deputado Rogério Mendonça, é algo que nunca se viu nesta nossa Corporação e neste querido Estado. É concurso de sargento fraudado, é concurso de ingresso de soldado fraudado, são militares em locais que, pelo seu Regimento Interno, são proibidos de adentrar quando não em serviço. Tudo isso cria, sim, uma animosidade não com a Polícia Militar, e sim com quem a dirige.
Hoje tomamos conhecimento de que o Coronel Caminha, envolvido no episódio na casa de "Marlene Rica", em Joinville, voltou do seu descanso e reassumiu uma função no Comando Estratégico da Política Militar. Diz ele que é inocente, que não sabia que a casa de "Marlene Rica" era o que é.
Hoje eu até posso concordar com ele, Deputado Rogério Mendonça. Creio que ele foi levado pelas mãos de alguns amigos que até hoje estamos por saber quem são. Mas eu assinarei qualquer documento que o Governo do Estado ou os Deputados desta Casa que dão sustentação ao Governo quiserem fazer para que o Comandante Caminha volte a comandar a Polícia do Estado, porque um homem inocente, como é o Coronel Caminha, tem mais é que retornar, sim, para o comando da Corporação.
Depois de tudo o que ocorreu, talvez o Comandante Caminha não se deixe mais levar por amigos e também não possa mais dizer que determinados locais são ou não lugares de prostituição.
Tenho certeza de que daqui para frente nenhum convite formulado ao Comandante Caminha será atendido, sem que identifique o local com uma fotografia estampada, que não o deixe ficar com qualquer dúvida de onde está adentrando ou chegando.
Sr. Presidente, o assunto é por demais empolgante. Só gostaria de dizer que o Comandante Caminha, pelo que diz hoje a imprensa, aceitou a transação. Mas essa transação, Deputado Rogério Mendonça, nós só vamos saber no dia 2 de abril. E nesse dia saberemos a que ele vai se submeter para evitar os processos. Mas eu ainda confio na nossa Justiça, seja ela a Justiça Civil, seja ela a Justiça Militar, seja ela a Justiça Divina. Mas ainda acredito na Justiça!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)