Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

12ª Sessão Ordinária - 18/03/2003

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPRÉ - Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, por mais que compreenda a angústia do PPB no sentido de que o Governo do PMDB se acerte, resolva internamente e comece a funcionar, pois sei que às vezes os embaraços de uma coligação política pode trazer dificuldades iniciais; por mais que compreenda a posição política trazida pelo Deputado Joares Ponticelli, se olharmos, no entanto, nos jornais para saber o que se passa, quais são as matérias, os temas da Assembléia Legislativa pelos quais deveríamos fazer os debates, creio que o assunto trazido no dia de hoje não é o de maior relevância.

Qualquer jornal tirado pelas máquinas das suas gráficas, no dia de hoje, traz estampado na capa uma outra notícia, no mundo inteiro.

O que me surpreende é que não vi aqui ainda nenhum Deputado das Bancadas do PPB, do PFL, do PSDB, inclusive do PMDB, posicionar-se politicamente diante da gravidade do momento histórico que a humanidade está vivendo.

A capa do jornal A Notícia, de hoje, por exemplo, traz a seguinte manchete: "Bush dá 48 horas a Saddam."

Embaixo o subtítulo que diz: "Presidente dos Estados Unidos exige que líder iraquiano e sua família deixem o país dentro deste prazo. Mais de 250 mil soldados americanos e ingleses só aguardam Washington para iniciar o ataque." Aguardam Washington!

Vejam que estamos vivendo um momento em que temos a seguinte situação: a ordem sobre a guerra está sendo dada por determinação de Washington. Isso por si só já é muito grave, porque estamos vivendo talvez uma época de desconstituição de uma ordem social e política internacional, que até agora foi estabelecida pela ONU. E o império estadunidense decidiu que deliberará sobre a guerra, independentemente da manifestação das Organizações Unidas.

A ONU exigiu que o Iraque iniciasse um processo de desarmamento, não exigiu a retirada de seu líder Saddam Hussein nem de sua família do seu país. Mas o império estadunidense, desrespeitando inclusive a solicitação da ONU, dá prazo. E os seus generais declararam, ontem, que esta guerra tem que ser de grande impacto inicial para que seja curta, de pouca duração, ou seja, eles não estão mais querendo fazer guerras longas, como fizeram no Vietnã, até porque as guerras que os Estados Unidos participaram sempre entrou pelo cano. Querem fazer guerra curta, não querem mais fazer a prestação, mas com pagamento à vista, ou seja, é para entrar matando.

O mais grave é que pedem para fazer o desarmamento. O Iraque se desarma certamente de parte do seu arsenal, mas em seguida a iniciativa é de ataque. Mandam desarmar para, posteriormente, atacar.

Então, estamos discutindo, como já discutimos na vez passada no Plenário. É claro que a crise econômica, a situação econômica do País não é agradável. Vemos aí grupos empresariais que sempre gozaram de grande nome, de prestígio, com dificuldades. Mas é importante refletir, Deputado Jorginho Mello, que o problema da guerra não é um problema entre os Estados Unidos e o Iraque. A guerra, mesmo que não se queira, há quem não queira ter interesse, querer conhecer o que se passa, acha que não é problema seu. Inevitavelmente, a guerra vai trazer conseqüências práticas na vida de todos nós.

O Brasil não vai deixar de ser caixa de ressonância, inclusive das repercussões econômicas que essa guerra irá trazer em âmbito internacional. Portanto, vai impactar no âmbito nacional.

O Sr. Deputado Antônio Ceron - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Pois não!

O Sr. Deputado Antônio Ceron - Até porque, Deputado, V.Exa. fez um convite para que os Deputados do PFL e de outros Partidos se manifestassem aqui.

Então, quero agradecer pela oportunidade do aparte e dizer que este assunto é um assunto muito sério. Nenhum de nós, evidentemente, quer a guerra pela guerra. Mas também não sei se estamos em condições de fazer uma avaliação concreta do que está acontecendo. Talvez se o que aconteceu em 11 de setembro tivesse ocorrido no Brasil, pensássemos com mais profundidade por outro ângulo.

Porque tentar transformar Saddam Hussein em um ditador sanguinário, numa apologia do bem também não concordo. Mas quero dizer que esse é um assunto muito profundo e sério e acho que o Brasil tem muitos interesses em jogo. Antes que os representantes do Brasil possam externar os seus pensamentos, pensem muito. Até porque um País que não consegue dominar um bandido que está preso, acho que muito pouco tem a contribuir neste caso, que acho que é muito sério.

Muito obrigado!

A Sra. Deputada Odete de Jesus - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Pois não!

A Sra. Deputada Odete de Jesus - Deputado Afrânio Boppré, quero, primeiro, parabenizá-lo pelo brilhante tema que V.Exa. escolheu para este debate e dizer que hoje em dia as pessoas estão muito raivosas no seu interior; as pessoas, hoje, não têm mais aquele amor pelo próximo; falta também ética; falta amor e falta respeito às hierarquias. Existem pessoas que não respeitam as hierarquias. Aí vem aquele mal dentro do coração das pessoas e elas vêm agredindo, matando, querendo destruir o próximo.

Nós elaboramos um projeto de lei de desarmamento infantil, que foi sancionado, e V.Exa. também colaborou votando a favor na Legislatura passada.

Nós sentimos a necessidade de elaborar esse projeto de lei de desarmamento infantil, para iniciarmos dentro da própria casa, com a família, com os filhos, preparando-os para tirar esse mal...

O SR. PRESIDENTE (Deputado Nilson Gonçalves) (Faz soar a campainha) - V.Exa. dispõe de mais 30 segundos para concluir o seu pronunciamento.

O Sra. Deputada Odete de Jesus - O tema que o Deputado Afrânio Boppré levantou é muito importante, e por isso voltaremos a falar sobre o assunto em outra oportunidade.

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Agradeço o seu aparte, Deputada Odete de Jesus.

Gostaria de sugerir que a sessão de quinta-feira fosse reservada para discutirmos com maior profundidade esse assunto, até porque é um encaminhamento do Sr. Deputado Antônio Ceron, o tema guerra. E que a Assembléia Legislativa fizesse uma manifestação, uma discussão, uma vigília a respeito da situação que estamos vivendo.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)