Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Nelson Machado

76ª Sessão Ordinária - 06/10/2005

O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, público que nos acompanha pela TVAL e aqui também, eu gostaria de iniciar a minha fala dizendo da satisfação de ocupar esta tribuna como líder do PDT e dizer que coloco o partido à disposição de nossos pares, de toda a imprensa de Santa Catarina, de toda a população catarinense.

Gostaria de dizer também, sr. presidente, que hoje pela manhã assistia ao noticiário sobre a greve de fome de frei Luiz Cappio, no nordeste, o que me causou muita tristeza, justamente agora que estamos próximos a 12 de outubro, dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Eu não gostaria que acontecesse, mas pelo andar da carruagem, penso que o frei vai passar o dia de Nossa Senhora fazendo greve de fome.

O que mais me estranhou, sr. presidente, foi o presidente da República dizer que achava aquela atitude meio normal. Enquanto pessoas estão preocupadas com a situação do frei e do próprio rio São Francisco, o presidente da República deu um depoimento que achava normal. Eu não achei normal; achei anormal e muito!

O bispo está preocupado com o situação do povo nordestino, com a seca no nordeste. Ele, melhor do que ninguém, pois viveu esses anos todos lá, para saber o que aquele povo poderá passar. Hoje o discurso é diferente - como está sendo colocado pelo presidente da República - mas no futuro, o que pode acontecer com o pessoal do nordeste? Isso é muito preocupante!

Precisamos, a partir de hoje, fazer uma corrente positiva para que o bispo não venha a morrer pela greve de fome, porque eu senti em seu depoimento que é um homem decidido e que realmente está propenso a mantê-la.

A situação é muito triste. O presidente Lula já deveria ter tomado providências; afinal de contas é uma vida, é um homem que lutou muito por aquele povo do sertão. E a atitude está sendo encarada como normal. E ontem o presidente disse que aquela atitude não é maneira de se fazer greve. Realmente, não é uma maneira de se fazer greve, mas muito se viu esse tipo de greve no passado pelo povo do ABC, quando lutava por melhores salários.

Então, o presidente já participou desses movimentos; não ele diretamente, mas pessoas ligadas ao seu partido sempre agiram dessa maneira no passado contra as oligarquias, como assim gritavam; contra o roubo, contra o nepotismo. Essa era uma atitude muito comum antigamente. E hoje a atitude tomada pelo bispo está sendo repudiada pelo presidente da República.

Nós, católicos, não comungamos com essa prática, mas, infelizmente, esse foi o caminho que ele encontrou para que o Brasil soubesse; para que os administradores deste país soubessem que ele não comunga da situação que estão querendo colocar ao rio São Francisco.

Eu penso que cabe esse manifesto aqui em Santa Catarina. Pelo menos o PDT está solidário com o bispo pela situação no nordeste. Estamos solidários, atentos e rezando para que realmente o quadro seja mudado e o bispo não venha a falecer, porque, como vimos hoje, pela manhã, ele já havia emagrecido sete quilos e estava começando a ficar debilitado. Essa é uma situação muito triste para o nosso país. Um ser humano, uma liderança católica, um homem com uma história dentro do contexto político a favor dos menos favorecidos, a favor do povo ribeirinho do São Francisco, um homem de bem, um homem que prega somente o Evangelho de Jesus Cristo, morrer por não comungar com a situação do rio São Francisco?!

Sr. presidente, não sei se nos cabe, mas de minha parte gostaria de fazer uma moção de apoio ao bispo, porque realmente fiquei muito triste ao ver aquele homem humilde, de porte aparentemente fraco, fazer um movimento em prol de pessoas que deverão sofrer no futuro pela situação do rio São Francisco.

Eu sinto que o governo do presidente Lula está ignorando a situação do bispo, enquanto nós aqui estamos muito preocupados.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)