71ª Sessão Ordinária - 29/09/2005
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Vejam, v.exas., como mudou o ambiente de ontem para hoje. Ontem era só alegria, hoje, desde o início da sessão até agora, é só lamentação. BR-282, R$ 8 milhões para a sua conclusão. O deputado Sérgio Godinho tentou justificar que existem R$ 18,8 milhões ainda neste ano, mas não vai dar mais tempo de usar, lamentavelmente.
Mas escutamos, deputado Pedro Baldissera, muitos comentários aqui. Vi o deputado Herneus de Nadal reclamar do negócio das terras indígenas. Vi o deputado Joares Ponticelli reclamar da serra do Rio do Rastro e vi várias outras manifestações. Vi a deputada Ana Paula Lima lamentando as perdas das pessoas importantes lá de Blumenau e também a vontade da ilustre deputada de que o PT ainda sobreviva.
Deputado Genésio Goulart, quando se fala em economia, quando se fala em filosofia são apenas palavras, mas a realidade é outra. Vejam v.exas o que diz a matéria de economia do jornal Diário Catarinense:
(Passa a ler)
"Madeireiras param e demitem 600
O dólar baixo paralisou a produção em SC da madeireira Arupel. Ontem, a direção da empresa, com sede no RS, anunciou a paralisação das três unidades catarinenses: Curitibanos, Ponte Alta do Norte e Santa Cecília.
Cerca de 600 funcionários foram demitidos e 400 prestadores de serviços indiretos foram dispensados. A unidade gaúcha de Bom Jesus também foi desativada e 150 pessoas perderam o emprego. Metade da produção total da empresa foi paralisada. Desde a queda do dólar, o prejuízo soma R$ 12 milhões.
- Chegamos a uma situação em que não temos mais condições de arcar com a perda de faturamento. Vamos esperar o câmbio melhorar para estudar a reativação das unidades - disse o gerente administrativo Edson Araújo.
Em SC, a Araupel exporta por mês 30 mil metros cúbicos de molduras para os EUA e Canadá.
Além do RS e SC, a madeireira também tem unidades no PR. Apenas as duas fábricas paranaenses continuam a operar para atender o mercado externo, mas com uma redução de 30% na produção.
- Mantivemos em funcionamento as unidades do Paraná porque lá a matéria-prima de pinus é própria. Em SC comprávamos de terceiros, o que aumentava nosso custo - explicou Araújo.
O secretário da Indústria e Comércio de Curitibanos, Marco Scapini, programa para novembro um fórum para discutir com empresários alternativas para reverter a situação, que prejudica toda a economia da região."
(Cópia fiel)
Deputado Manoel Mota, quando um pai de família, um trabalhador, perde seu emprego, como esses 600 perderam, ele não quer saber de filosofia partidária, ele não quer saber se deve ou não pertencer a esse ou àquele partido porque se trata da barriga dele; é a família dele que está em jogo! Isto é uma coisa real, não abstrata, como fazem esses comentários por aí.
Quando vemos, deputado, recursos para a construção da BR-282 fugirem pelo meio dos nossos dedos - e v.exa., deputado Romildo Titon, tem sido um guerreiro, juntamente com os deputados Herneus de Nadal, Francisco Küster, Sérgio Godinho e Antônio Ceron -; quando vemos que R$ 1,7 bilhão vêm para Santa Catarina, mas apenas R$ 8 milhões vão para a nossa região, isto é triste, deputado!
E o relator do orçamento da união é um catarinense: o deputado federal, Carlito Merss! E esperamos, deputado Romildo Titon, que v.exa sensibilize-o para que ele não permita esse deboche ao povo catarinense. Na minha avaliação - e desculpe-me a expressão, deputado -, é um deboche o que estão fazendo porque lá na nossa região, deputado Romildo Titon, somos os maiores produtores de soja de Santa Catarina; somos os maiores produtores de maçã e de alho do Brasil.
Lá no município de v.exa. vemos uma produção extraordinária, deputado Romildo Titon. No nosso querido extremo oeste, desde São Miguel d’Oeste até o entroncamento do inferninho de Campos Novos, a produção é extraordinária. A exportação dos produtos ali produzidos é feita de forma extraordinária, mas, em compensação, vemos isto.
Para umas das BRs mais importantes, porque corta Santa Catarina do começo ao fim, sendo, portanto, uma estrada de suma importância, nós vemos este deboche: R$ 8 milhões! Deputado Antônio Carlos Vieira, R$ 18,8 milhões deste orçamento vão para o brejo porque não vai mais dar tempo. Não foram liberados ainda! Mas até abrir a licitação e realizar a obra - e eles não liberam o dinheiro, sem apresentar as faturas - este ano se foi.
Por isso, deputado Romildo Titon, quando eu vejo que madeireiras param e demitem 600... São 600 pessoas que não têm nenhuma especialização e que irão ficar à beira da amargura por causa de uma política econômica absurda! Gasta-se US$ 105 bilhões de juros para o pagamento da dívida externa, mas pais de famílias ficam na rua da amargura!
Não estou aqui dizendo que o presidente Lula é o culpado. É claro que tem a sua parcela de responsabilidade, mas a situação agravou-se dia-a-dia. E às vezes fico indignado quando vejo a equipe econômica do Brasil querer convencer o povo brasileiro de que esta política está certa. Somos nós que estamos errados?! São esses 600 pais de famílias, que irão para a rua da amargura, que estão errados?!
Penso, deputados Romildo Titon e Antônio Carlos vieira, que esta situação realmente está errada.
O Sr. Deputado Romildo Titon - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Pois não!
O Sr. Deputado Romildo Titon - Quero parabenizar v.exa, deputado Onofre Santo Agostini, pelo tema que traz no seu pronunciamento de fundamental importância, focando realmente as dificuldades que as famílias que foram demitidas destas madeireiras estão passando.
V.Exa. traz o número de 600 famílias da região em que atua, isso sem falar nos outros recantos do estado de Santa Catarina, e sabe que próximo a Curitibanos, região que compartilhamos juntos, em Monte Carlo, em Campos Novos e em tantas outros municípios inúmeras empresas fecharam as suas portas justamente por esta questão. E enquanto isso o Congresso Nacional está focando todo o tema em cima da reforma política e dos problemas que estamos assistindo todos os dias: malas de dinheiro, dinheiro na cueca, mensalão, etc., esquecendo-se da economia do país, sendo que milhares de famílias estão sofrendo.
Outra questão muito importante é a da BR-282 e que v.exa. já enfocou. É revoltante quando se vê um relator de Santa Catarina colocar uma das rodovias, que é a espinha dorsal do estado, com apenas R$ 8 milhões e para um simples contorno de uma cidade alocarem R$ 16 milhões ou R$ 18 milhões, se não me falha a memória!
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Agradeço a v.exa., deputado.
O Sr. Deputado José Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Pois não!
O Sr. Deputado José Carlos Vieira - Sr. deputado, eu ouvi uma entrevista do deputado Carlito Merss já se desculpando, por antecipação, dizendo que não vai poder colocar dinheiro porque o governo federal não tem dinheiro.
Mas, para não dizer que nós não demos uma sugestão, quero dizer que a sua intervenção é de suma importância! Nós não podemos deixar que este recurso não venha para o nosso orçamento! Este ano o governo federal deixou de aplicar bilhões; colocou R$ 11 bilhões no orçamento do saneamento e só aplicou R$ 2,7 bilhões. Então, que o deputado Carlito tire de lá e coloque, a nosso pedido, para estas obras indispensáveis que v.exa. acabou de citar.
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Eu agradeço a v.exa. e desejo que o fórum presidido pelo ilustre parlamentar Romildo Titon, que orgulha, sem dúvida nenhuma, a nossa região, faça com que todos nós, juntos, consigamos fazer com que o orçamento da União seja melhorado com relação aos recursos para esta BR tão importante para nós, que é a 282!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)