32ª Sessão Ordinária - 09/05/2006
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. presidente e srs. deputados...
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Sr. deputado Nelson Goetten, v.exa. me concede um aparte, antes de começar a falar?
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Pois não!
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Como ficou decidido naquela audiência pública dos madeireiros, moveleiros e papeleiros, deputado Nelson Goetten, consta aqui nos anais uma solicitação de v.exa. e de outros deputados, para encaminhar o pedido ao sr. presidente da República, ao ministro do Planejamento, ao ministro da Fazenda, ao governador do estado, aos secretários, aos deputados e aos senadores.
Vou fazer chegar documentação às mãos de v.exa., para que o ilustre deputado, juntamente com os outros, principalmente com o presidente da comissão, comece a tomar as providências para tentarmos salvar este setor produtivo de Santa Catarina.
Assim, solenemente, na presença aqui de todos, faço a entrega do documento que v.exa. nos solicitou.
(Procede-se à entrega do documento.)
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Muito obrigado, meu companheiro, deputado Onofre Santo Agostini.
Este documento é extremamente importante, porque nós tivemos a oportunidade de receber nesta Casa - uma das poucas vezes na história deste Parlamento, porque normalmente, vemos chegar aqui pessoas na busca de aumento de seus salários, de seus benefícios, de seus privilégios - empresários que geram a riqueza, que produzem o emprego e que pararam a sua atividade para pedir apenas a esta Casa de Leis, aos seus representantes, que só querem continuar trabalhando em favor de seu país.
Foi isso que originou este documento, que contém dados estarrecedores de um segmento que está desempregando o seu povo. Aliás, deputado Onofre Santo Agostini, eu desconheço este Brasil! O Brasil em que estou vivendo não é o mesmo da Globo e também não é o mesmo do PT. O Brasil em que vivo é outro!
No Brasil em que vivo, o madeireiro, desesperado, está fechando as portas e mandando o povo embora; o setor cerâmico também está fechando suas atividades e mandando o povo ir embora.
No Brasil em que vivo, tenho visto e acompanhado o agricultor dizer desesperadamente: "não tenho mais condições de sobreviver na lavoura, meu filho e eu temos que ir embora de lá".
No Brasil em que estou vivendo, vejo agricultores fecharem ruas, avenidas, rodovias, e ali, derramarem e destruírem produtos, porque não vale mais à pena colher pelo custo da produção da colheita.
No Brasil em que eu vivo, se é o mesmo Brasil, hoje mesmo estão lá na porta do Palácio do Planalto, centenas, milhares daqueles que trabalham no setor calçadista, dizendo que não podem mais sobreviver.
No Brasil em que eu vivo, o povo brasileiro está gerando uma montanha de riqueza, que se transforma em tributos e o governo desmonta essa riqueza tirando 45% para si e outra parte, 17%, vai para o especulador. Se esse é o mesmo Brasil, eu não sei! Mas no Brasil em que eu vivo o povo está desesperado!
No Brasil em que eu vivo, estou vendo, aos poucos, acabar, silenciosamente, o cidadão médio, privilegiando só os magnatas e os ricos, aumentando a fila dos pobres que depois pegam um tal de vale, um cartão que, orgulhosamente, alguns têm coragem de levantar e que não é do Besc, e eles podem ir a um banco e tirar dali o dinheiro para comprar uma sacola de comida, sendo humilhado esse cidadão. Esse é o Brasil em que vivo, que tem mais de 40 milhões desses cartõezinhos espalhados por aí, porque quando jogamos um cidadão na miséria, depois somos obrigados a dar a ele uma esmola, para humilhá-lo de fato, só falta pisar no pescoço dele.
No Brasil em que vivo estão jogando o cidadão na miséria! O Brasil em que vivo, se é o mesmo, tenho visto o governo sair em defesa de uma Varig que deu um prejuízo, que deu um furo de R$ 7 bilhões, mas a mesma sensibilidade não há para sair em defesa de um segmento empresarial que gera o emprego, que gera a riqueza e que trabalha para que o governo possa até fazer o programa da distribuição da bolsa de comida.
No Brasil em que vivo, se é o mesmo Brasil em que vivo, os banqueiros estão drenando toda a riqueza do povo brasileiro, faturando bilhões e bilhões como nunca na história. Se é o mesmo Brasil em que vivo, um tal de José Dirceu, homem que vem das batalhas de rua, como dizem os petistas, só num jantar gastou R$ 15 mil; tomou vinho de R$ 5 mil e, por dia, está gastando R$ 12 mil em aluguel de jatinho.
No Brasil em que vivo existe corrupção e vergonha, um tal Zezinho Pereira, Zezinho que é o bagrinho dos homens do PT, que diz que o plano de assalto aos cofres públicos era mais de R$ 1 bilhão. Se é o mesmo Brasil em que vivo, existe um banco suíço convidando para uma festa fechada, um grupo de pequenos aplicadores de dinheiro na Suíça, convidando um brasileiro chamado José Dirceu, como um dos grandes aplicadores dos bancos da Suíça. Se é mesmo esse Brasil em que eu vivo, parece que não, é um Brasil que promete um futuro muito negro para todos nós.
É triste vivermos num país onde não se respeita, sequer, um cidadão que produz e que luta. Mas neste Brasil em que vivo também tem estas palhaçadas aqui: "Polícia Federal intima Silvinho para depor, e amanhã a CPI dos Bingos também quer ouvi-lo."
É por isso que estamos desmoralizados! CPI dos Bingos não tem nada a ver com Silvinho, é verdade! Essas coisas é que desmoralizam, ou seja, quando usamos apenas a politicagem nas ações que tinham que ser sérias.
Queremos aqui cumprimentar o Ministério Público pelo seu trabalho mas, infelizmente, a política, o Congresso Nacional, pouco tem a ver e tem pouca competência para ajudar a corrigir ou acertar os desmandos deste país, meu presidente Herneus de Nadal.
Estava lendo aqui, e quero fazer justiça, deputada Ana Paula Lima - "por verbas, prefeitos procuram o genro de Lula." Ora, até eu, deputado Paulo Eccel, procurei por ele, até eu! Ora, qual é o pecado, qual é o crime quando um assessor parlamentar, que faz um trabalho sério - e aí eu não condeno, de forma alguma, aqui nenhum dos parlamentares do PT desta Casa - e sai em defesa da luta em favor de um prefeito? É o papel dele!
Então, de repente, querem convocar o cidadão para lhe fazer uma inquisição! Acho que essas coisas é que desmoralizam! A coisa tem que ser séria! Defendo as coisas certas, as coisas sérias! Esse cidadão me atendeu quando precisei dele de forma justa, democrática e foi muito atencioso.
Quero deixar registrado que eu não concordo com esse tipo de coisa! Eu concordo com trabalho sério, com trabalho responsável, com o que está certo, com o que está errado, pois nós temos é que fazer justiça no país. Temos que parar com acusações levianas e tentar construir um país com seriedade e com responsabilidade.
Encerro, deputado Paulo Eccel, dizendo que são oito os governadores citados por v.exa; que orgulho termos oito ex-governadores entre tantos milhões de catarinenses! Merece atenção, até porque o próprio desembargador, ou qualquer um na sua função, leva para casa a sua pensão.
Defendo que os ex-governadores recebam a sua pensão, até porque nunca mais vão se livrar da posição de homem público. Sempre serão homens públicos e sentir-se-ão honrados por terem sido governador dos catarinenses, e remunerados, serão até o final das suas vidas. Até porque eles não se desprendem do cargo vitalício de governador ou de senador.
Acho que este não é um dos males da nação, mas, sim, a corrupção e o mau uso do dinheiro público; são as coisas erradas, quando não se aplicam bem os recursos e quando se permite que os especuladores, que drenam as riquezas da gente, venham assaltar o Brasil.
Mas este não é um mal só do PT. Esse é um mal daqueles que governaram o Brasil e, ao longo da sua história, não têm coragem de enfrentar aqueles que, através da força do dinheiro...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)