Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Ronaldo Benedet

34ª Sessão Ordinária - 11/05/2006

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. presidente e srs. deputados, hoje, nesta quinta-feira, parece que os debates estão em um nível que o Parlamento tanto precisa, principalmente na esfera das idéias, das proposições para a sociedade. Isso é muito importante, porque nós evoluímos.

Deputado Antônio Carlos Vieira, eu quero parabenizá-lo pelo seu pronunciamento, no sentido da integração da sociedade, da indústria, porque precisamos fazer uma avaliação. Claro que quando envolve questões passionais, como a questão político-partidária entre um governo e outro, há uma relação passional entre os parlamentares e muitas vezes as nossas palavras saem do rumo maior, que é o bem-estar da sociedade, que exige do Parlamento as soluções para os seus problemas, que é o que nós temos que fazer aqui.

Portanto, eu entendo que nós precisamos entrar no âmago da questão, muitas vezes ir ao fundo, talvez, de algo que não queiramos, para não mexermos em interesses corporativos, o que muitas vezes nós, políticos de todos os partidos, não temos coragem de fazer.

Mas antes de começar o meu pronunciamento, quero fazer uma saudação especial aqui ao nosso vereador mais votado da história de Laguna, o vereador Deyvisonn da Silva de Souza, aqui presente, juntamente com o jornalista e diretor da Associação Catarinense de Imprensa da região sul, proprietário do Jornal de Laguna, Márcio Carneiro.

Também quero referir-me aqui a um requerimento aprovado pelo vereador Deyvisonn, pedindo que seja concedida uma honraria ao filho mais ilustre de Laguna neste momento, o governador do estado em exercício Eduardo Pinho Moreira. Será feita uma homenagem do Poder Legislativo municipal de Laguna. Esse requerimento foi aprovado por unanimidade e o Poder Legislativo de Laguna se orgulha em ter Eduardo Pinho Moreira como filho daquela terra e agradece pelo empenho das ações em benefício do povo lagunense.

Uma questão que é muito colocada aqui diz respeito a um contraponto entre o deputado Vieirão e o deputado Manoel Mota sobre o salário dos professores. Um diz que foi dado aumento - e realmente foi - e outro, o deputado Vieirão, diz que os professores estão reclamando. É óbvio que os dois têm razão! Foi dado um aumento - e isso foi declarado - aos professores. E nunca foi dado um aumento igual a esse nos últimos tempos. É óbvio que não é ainda o suficiente, nós reconhecemos.

Isso tudo é uma questão da mais valia, deputado Vânio dos Santos. Se nós fizermos uma análise, teremos o seguinte: primeiro, nós, políticos, agimos muito em função do ideal, daquilo que sonhamos. Cada corporação, cada sigla partidária tem seus ideais, trabalha nos seus ideais, mas existe algo que não adianta tentarmos mudar, que é a realidade econômica! E a questão salarial por categoria é a questão da mais valia.

Eu me lembro muito bem do salário dos mineiros na minha cidade de Criciúma. Quando o carvão valia muito, o salário dos mineiros era alto. Houve um período em que a cidade pegou fogo, quebrou e foram feitos movimentos imensos para a melhoria salarial. Melhorava-se em um mês, a inflação vinha e comia tudo em seguida. Mas nós não temos mais o salário que os mineiros tinham anos atrás, que se fosse fazer a conta, hoje daria em torno de R$ 4 mil por mês.

O que é que nós temos analisar, que a sociedade tem que entender e que nós, políticos, temos que ter coragem de dizer? É a questão da oferta e da procura. É óbvio que se houver mais procura por carvão e o carvão valer mais, o salário vai ser maior. É claro que a luta sindical vai ter resultado. Não pode haver, obviamente, capachos e não pode haver pelegos. E a questão da Educação é uma questão que nós precisamos analisar assim; por exemplo, existem mais professores do que o necessário.

Agora, por exemplo, vinculando à atividade que tive nos últimos dois anos na área de segurança pública, se perguntassem a mim qual a solução para a segurança pública, primordial, para evitarmos o aumento da criminalidade, muitos iriam dizer na linguagem comum que a solução é aumentar o número de policiais. E eu digo que é uma das soluções. Mas a mais importante é nós termos nas áreas de risco social e zonas de favelamento, de pobreza, de miséria, escola integral. Tendo escola integral, de manhã e à tarde, vamos ter mais valia para os professores e professoras. Vamos ter que contratar mais professores. E aí o salário do professor, tendo mais procura por professor, vai ficar melhor, porque vai precisar haver a contratação de mais professores.

Nós precisamos parar de esconder e de usar de demagogia, porque quem faz muita demagogia no discurso, quando assume o governo não consegue executar nada do que propôs. Precisamos entender que a realidade econômica, que é a realidade da vida, pelo menos no mundo ocidental, é determinante nas questões. Precisamos também, em algumas áreas, do intervencionismo do estado, como estávamos falando há pouco.

A agricultura é algo fundamental, primeiro, para manter o homem no campo, segundo, para abastecer as cidades e, terceiro, para não haver falta de alimento. E havendo falta de alimento, pessoas passarão fome, porque o alimento vai ficar mais caro.

Nós precisamos dar uma garantia para a agricultura, coisa que o Brasil não faz. O Brasil é o único país do mundo que não tem subsídio para a agricultura. Os Estados Unidos, que são um país mais liberal, tem um subsídio muito grande para a agricultura. A Europa inteira também tem. Quanto ao Brasil, se começar a dar subsídio para a agricultura, é claro que vai criar um problema internacional muito grande para a agricultura dos demais países. Só que nós temos que cuidar da nossa agricultura. É o nosso país.

Fala-se muito em imperialismo, mas todo o povo, infelizmente, se a regra econômica quer que o seu país seja imperialista, não quer ser dominado por outro imperialista.

O Brasil, em vez de deixar intervir na economia, precisa taxar o lucro dos bancos. E esse lucro dos bancos precisa ir para a agricultura para compensar a falta de subsídio, para remunerar melhor, sim, o estado, que precisa intervir para dar mais dinheiro, para pagar melhor os professores, mas também, em contrapartida, tem que exigir um ensino de qualidade.

Precisa haver um regulador, com qualidade de salário, com qualidade de ensino para o nosso povo, que só vai se qualificar com produtos de alta qualidade. A China fez o dever de casa na educação com produtos de alta qualidade. A China uma vez tinha produção em quantidade. E agora tem quantidade, preço e qualidade. E conseguiu isso através da educação.

Nós temos que ter a agricultura protegida, através de subsídios, sim. E no restante da economia ela vai ter que se regular, porque na questão da mais valia já existem profissões que ganham salários muito grandes, que acabam disputando com o mercado de trabalho com os professores, que só vivem a vida como professores. São outras profissões que podem praticar a função também de professor, acumulando.

Por isso quero falar do meu sentimento como político que sou. Nós precisamos, sim, deputado Antônio Carlos Vieira, trazer a nossa Fiesc para discutir, debater. Às vezes os empresários dizem que os políticos são culpados ou os políticos dizem que os empresários é que são culpados.

É importante estarmos aqui juntos porque precisamos caminhar juntos, precisamos discutir o interesse dos empresários, da sociedade, os interesses econômicos do nosso país. Precisamos defender o nosso país, precisamos de patriotismo para a nossa sociedade, para a nossa pátria, e a nossa pátria é a nossa nação. Precisamos melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro, e isso só com desenvolvimento econômico. Para haver o desenvolvimento econômico é preciso fazer o dever de casa em matéria de gestão, qualidade de ensino, capacitação de pessoas e muito trabalho. Temos que fazer o dever de casa, buscando o que a iniciativa privada está fazendo no mundo inteiro, ou seja, reciclando as suas empresas, os seus conhecimentos e aplicando isso ao poder público.

Nós precisamos rever a forma de gestão pública, que está ultrapassada. E digo aqui com muito orgulho que a única inovação que conheço neste país, proposta em campanha e realizada na prática - e está ainda iniciando, engatinhando - é a proposta do governo de Luiz Henrique da Silveira e Eduardo Moreira de descentralização. É preciso que nos aprofundemos em direção à modernidade da gestão pública, que ainda está muito atrasada e que prejudica a evolução econômica do nosso país.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)