85ª Sessão Ordinária - 03/10/2000
O SR. DEPUTADO JAIME DUARTE - Sr. Presidente e Srs. Deputados, quero fazer aqui uma saudação também ao Secretário da Agricultura, Deputado Odacir Zonda, que se encontra aqui no Plenário e dizer que estamos todos hoje retornando aos trabalhos depois desse processo eleitoral, agora com uma nova concepção de socialismo democrático, com uma visão moderna, que se consolida enquanto Partido no Brasil. Os pleitos eleitorais significam a possibilidade dos Partidos consolidarem enquanto força real e concreta de chegada ao Poder.
Vejo aqui o jornal Folha de S. Paulo, na edição de hoje, uma manchete bastante expressiva que diz: "o PPS tem o maior crescimento de Prefeito do Brasil."
E é verdade. E aqui está a representação dos números, comparando apenas com o PT, que se coloca no nosso campo ideológico (alguns do PT não acham isso, mas eu entendo que pela nossa história, pela nossa luta, talvez nós estejamos em muitos aspectos mais a esquerda).
O PT fez 114 Prefeitos no Brasil, em 96, e ampliou em 2000 para 171 Prefeitos e o PPS fez 33 Prefeitos em 96 e 163 agora no ano 2000, significando dizer que em relação comparativa ao PT nós fizemos 8 Prefeitos a menos em nível de País. Agora, relativamente a Vereadores em termos de números: em 96, o PT fez 1900 Vereadores e nós fizemos 490, agora no ano 2000, segundo dados do TSE, estampados na edição da folha do Estado de São Paulo de hoje, no ano 2000 o PT fez 2.421 Vereadores e nós do PPS fizemos 2.543 Vereadores. Cento e pouco Vereadores a mais que o PT no Brasil. Significa dizer que o Partido se consolida, o Partido cresce. Aqui em Santa Catarina mesmo, os números, devemos reconhecer, não foram totalmente aqueles que nós idealizamos, mas, sem dúvida, que representou também um grande crescimento.
Nós saímos de zero Prefeito para um Prefeito exatamente na cidade de maior referencial religioso deste Estado que é Nova Trento.
Eu tenho certeza absoluta que nós saímos abençoados pela única santa desse País, que é a Madre Paulina, com a eleição de Prefeito em Nova Trento. Com a marca de quem tem coragem de assumir desafios. Elegemos sete Vice-Prefeitos quando tínhamos eleito apenas dois na outra vez. De um Vereador nós fizemos 44 Vereadores nessas eleições em cidades importantes desse Estado.
Então, Srs. Deputados, estou fazendo aqui um balanço não no sentido de dizer que nós somos melhores que ninguém, até porque eu acho que a tarefa de construir um País melhor é de todos os Partidos e todas as forças políticas.
A hegemonia da verdade não está com ninguém. Muito menos com aqueles que crescem mais ou que crescem menos.
Agora, eu gostaria de colocar, especialmente para o Deputado Heitor Sché, que fez uma referência específica a Rio do Sul, e com certeza com conhecimento de causa já que disputou eleição lá, mais especificamente ao nosso Prefeito Nodgi Pellizzetti e ao Vice, que é do Partido dele, o Garibaldi.
Eu estive nessas eleições duas vezes em Rio do Sul e senti, Deputado Heitor Sché, que as eleições lá eram difíceis porque a candidatura do PT vinha num processo de crescimento desde a última eleição, perdeu por pouco, e todo administrador tem um processo de desgaste natural de estar no poder, ainda mais o nosso Prefeito que estava lá, somando as duas gestões, há oito anos.
Agora, Deputado Heitor Sché, o senhor sabe melhor do que eu que se trata de uma figura política de Santa Catarina extremamente honesta. Com certeza tem defeitos. Mas se ele fosse como V.Exa. disse, que usasse a máquina de forma acintosa talvez ele tivesse condições de ganhar as eleições. Eu andei pelo Estado inteiro e um dos comitês mais pobres de campanha que eu vi foi exatamente em Rio do Sul. E aí a surpresa: numa cidade onde nós detínhamos o poder. O que é não tão comum, inclusive no seu Partido, o PFL.
Eu quero dizer a V.Exa. com relação ao Vice, que eu não sei quais foram as práticas, pelo que conversei se trata de uma figura de muita formação técnica, funcionário do Banco do Brasil, se não me engano, e aí cabe ao seu Partido fazer a avaliação e não a mim. Eu acho que o senhor tem legitimidade de fazer a avaliação sobre a postura do Vice-Prefeito, que é do PFL, não eu.
Mas com certeza ele fez a opção por aquilo que ele entendia melhor para cidade de Rio do Sul.
Acredito que sim, embora deva se reconhecer, especialmente em V.Exa., uma figura de respeito em Santa Catarina. Não sei se daria para dizer o mesmo do cabeça de chapa, já que o que ouvi foi, especialmente naquele projeto relativo a permuta de terreno, uma prática não muito aconselhável.
De qualquer forma, Deputado Heitor Sché, penso que as seqüelas de campanha ficam e o fundamental mesmo é que possamos agir sempre na visão do bem comum.
Derrotas e vitórias para quem faz política são a tônica desse jogo. Temos que ter capacidade de ganhar e de perder. É evidente que ganhar é muito bom, até porque acreditamos que nossas propostas são as melhores. Mas aceitar o jogo faz parte e acho que ganha a democracia, especialmente quando se respeita o resultado, apesar de não aceitá-lo.
Evidente que ganhar é melhor, até porque acreditamos que nossas propostas são as melhores. Aceitar o jogo faz parte e acho que quem ganha é a democracia. Respeito o resultado, apesar de não aceitá-lo. É o imperativo que temos de ter.
O Sr. Deputado Heitor Sché - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JAIME DUARTE - Pois não!
O Sr. Deputado Heitor Sché - Nobre Deputado, quero reafirmar aqui o que disse na tribuna: sou amigo pessoal do Prefeito Nodgi Pellizzetti. Jamais irei duvidar da sua conduta e da sua honestidade. A incompetência ficou comprovada, porque o povo demonstrou. Não estou falando da desonestidade. Estou falando do procedimento de um técnico, funcionário do Banco do Brasil que é do meu Partido, chamado Garibaldi Ayroso, que usou, irei provar, a máquina administrativa em favor do seu candidato Nodgi Pellizzetti. Já está provado em juízo.
V.Exa. que me desculpe. Tenho o maior respeito pelo Nodgi Pellizzetti. O procedimento do nosso candidato a Vice-Prefeito, que é do PFL, não se justifica porque ele cometeu dois crimes: um, por usar a máquina administrativa; dois, cometeu crime de infidelidade partidária.
Tenho certeza que vai para rua do meu Partido. Quanto ao procedimento de ter usado a máquina administrativa, quem vai julgar é a Justiça.
O SR. DEPUTADO JAIME DUARTE - Bom, quanto a conduta do candidato a Vice-Prefeito do seu Partido já fiz referência de que é uma questão interna. Isso não me compete. Já tenho problemas que chega do meu Partido para administrar.
Com certeza o PFL, já que preza muito pela questão ideológica, pela ética, pela moralidade, deve agir corretamente em relação a esse companheiro de Partido.
Entendo que o recado das urnas vem na linha de que investimentos sociais devem ser mais firmes neste País. Às vezes não basta ser competente, fazer grandes obras. É preciso investir fortemente na área social, já que as desigualdades, as exclusões são fortes neste País.
Com certeza nosso Partido sai desse processo eleitoral bastante fortalecido, esperançoso e convicto de que nesse cenário é um componente importante.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)