Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

33ª Sessão Ordinária - 10/05/2000

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. Presidente, Srs. Deputados, senhores e senhoras visitantes que nos dão a honra de participar da sessão da Assembléia Legislativa na tarde de hoje.

Queríamos registrar, com muita honra, a visita dos nossos companheiros do Balneário Arroio do Silva: os Vereadores Tadeu, Adão, Paulo, o Presidente do Partido Serrano do PMDB, o Assessor Jurídico da Câmara e o seu Líder, todos de Arroio do Silva, que vieram prestigiar a sessão da Assembléia Legislativa e que têm outros trabalhos a fazer em Florianópolis, mas que estão aqui nos prestigiando.

Então, Sr. Presidente, quero deixar o registro da satisfação, da honra e da alegria pela presença deles na tarde de hoje nesta Casa.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, Santa Catarina e o Brasil acompanharam, viram e ouviram o que aconteceu no dia 1º de maio.

Há nove meses, Deputado Romildo Titon, o Brasil parou porque os caminhoneiros pararam. O Governo, preocupado com este desdobramento, chamou a representação das federações, dos sindicatos e negociou pontos fundamentais, com uma das principais categorias deste País, que é o caminhoneiro.

O caminhoneiro carrega 90% da economia brasileira em cima dos tapetões pretos deste Brasil. É a matéria-prima, é a produção. Então, evidentemente que esse acordo feito há nove meses deixou a categoria, os caminhoneiros e os representantes, que são as federações e os sindicatos, realmente satisfeitos, porque atendia o pleito de uma categoria que estava morrendo, de uma categoria que trabalha 16 horas por dia, de uma categoria que não tinha mais como sobreviver. Fez-se a paralisação e houve a negociação.

Só que na verdade, Deputado Romildo Titon, o Governo não cumpriu nenhuma linha nesses nove meses. E não cumprindo esse compromisso com essa categoria, que são os caminhoneiros, feita uma análise, uma avaliação e uma assembléia, esse movimento aprovou a retomada da paralisação para o dia 1º de maio. E no dia 1º de maio, começando pelo extremo sul, o Vale do Araranguá e Sombrio, às 8 horas houve o movimento dos caminhoneiros com a nossa presença - começou a grande paralisação. Em seguida Três Cachoeiras aderiu ao movimento, depois, aderiram outros lugares de outros Estados, e o Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro também foram aderindo. O Oeste de Santa Catarina também aderiu a esse movimento.

Foi um movimento pacífico, ordeiro, responsável, porque queríamos apenas que o Governo cumprisse aquilo que ele assumiu. Lamentavelmente duas horas depois começou a chegar a Polícia Rodoviária Federal. Primeiro a nossa, da região de Araranguá, pacífica, calma, logo em seguida começou a chegar a Polícia Rodoviária de outras regiões, porque um dos movimentos mais fortes do Brasil foi o movimento na minha região, Sombrio, em Santa Catarina. Como se apenas a Polícia Rodoviária Federal não bastasse, veio a Polícia Federal junto com a Polícia Rodoviária Federal, e veio a Polícia Especial da Polícia Rodoviária Federal, que eu nem conhecia, com uns gorrinhos azuis - eu nem sabia que existia isso em Santa Catarina.

Foram também convocadas as Polícias Militar e Civil, e passou a não ser mais uma paralisação pacífica mas, sim, um campo de guerra - um campo de guerra! Onde eles chegavam não havia diálogo, não havia nada, chegavam prendendo caminhoneiro, Deputado Gelson Sorgato, batendo em caminhoneiro, ameaçando. Era um campo de guerra em Santa Catarina e da mesma forma no Brasil.

Nós, lamentavelmente, tivemos que assumir, porque lá foi criado um comando, e tivemos que assumir, sim, com responsabilidade o comando, porque em Tubarão foi paralisado e, evidentemente, Deputado Romildo Titon, a polícia, com suas ameaças, acabou dissolvendo. Acabaram fazendo com que os caminhoneiros, presos, apanhando, tivessem que deixar a sua reivindicação pacífica, o seu movimento pacífico, o seu movimento necessário para a sobrevivência dessa categoria.

Após essa segunda-feira, que foi exatamente assim, na terça-feira tinha helicópteros sobrevoando, parecia uma praça de guerra. Achamos até que poderia cair bomba.

Trataram o caminhoneiro como se trata o marginal, como se trata as pessoas sem qualificação nenhuma, como se fossem os chefões das quadrilhas - parecia exatamente isso.

Portanto, lamentamos profundamente que uma categoria tão importante, como é a categoria dos caminhoneiros para este País, precise passar por essa humilhação.

Nós não podemos dizer que toda a Polícia Rodoviária deu esse tratamento, mas a maioria da Polícia Rodoviária que veio de fora deu um tratamento horrível para os caminhoneiros. O parceiro do caminhoneiro quem é? É a Polícia Rodoviária Federal. Os dois vivem lado a lado nas BRs de todo este País.

Na terça-feira continuou aquela praça de guerra. A quarta-feira foi uma loucura. Não dávamos conta: prendiam; corre ali; prendiam outro lá.

Mentiram, inventaram que o motorista foi atirado. Os motoristas jogaram uma pedra no pára-brisa de um caminhão e aí mentiram para o Brasil inteiro. Passou na Globo, na Bandeirante que o motorista foi atirado, para poder ter uma ação mais forte, para tirar o motorista de qualquer maneira.

Então, isso deixou uma marca muito profunda. Eu sempre tive e tenho um carinho especial pela Polícia Rodoviária de Santa Catarina, mas alguns policiais deixaram uma cicatriz muito profunda nessa passagem. Vou custar muito, vou demorar muito a esquecer desse episódio em Santa Catarina e no Brasil.

Nós, na quarta-feira, Deputado Romildo Titon, recebemos várias ligações do Ministro dos Transportes e de outros Ministros, pedindo para que o Deputado Manoel Mota se retirasse, saísse. Mas tenho uma coisa que é mais profunda, que me motiva: acho que o nosso Partido, o PMDB, tem um estatuto sempre em defesa da classe trabalhadora, daqueles marginalizados, daqueles que querem sobreviver e não conseguem. Esse é o nosso estatuto, e por isso eu disse: vou cumprir a minha missão, vou fazer com que o direito de um Parlamentar possa valer aqui, sim! Tenho um outro motivo também, qual seja, a honra de ter sido caminhoneiro e de lutar por uma categoria fundamental nas grandes decisões deste País.

Deputado Romildo Titon, o tempo está pequeno, mas eu vou usar o tempo do Partido e V.Exa. vai ter o tempo suficiente...

O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché)(Faz soar a campainha) - V.Exa. tem mais um minuto.

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - V.Exa., Deputado Romildo Titon, terá o tempo suficiente para poder registrar o que aconteceu também no Oeste de Santa Catarina, na sua região, na região do Deputado Gelson Sorgato, onde prenderam motorista, queimaram lona, sovaram motorista.

Esse episódio nos marcou profundamente, até pelas ameaças de prisão, de enquadramento na Lei de Segurança Nacional. Até parece que voltamos a viver na época da ditadura. Mas não é isso que nós estamos vivendo.

Gostaria de dar continuidade ao meu pronunciamento, dizendo que conquistas importantes, fundamentais, nós alcançamos às custas de muito sangue, muito suor, muitas pessoas machucadas. Isso porque não foi respeitada a categoria dos caminhoneiros, que reivindicaram justamente uma causa fundamental para a sobrevivência.

Então, quero, com certeza, poder voltar e poder dar essa oportunidade aos meus Companheiros para que possam registrar o que aconteceu e os ganhos fundamentais da categoria dos caminhoneiros...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)