13ª Sessão Ordinária - 07/03/2013
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sra. deputada, pessoas que estão presentes nesta Casa na manhã desta quinta-feira, pessoas que nos estão acompanhando pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, temos vários assuntos, evidentemente, a tratar neste Parlamento de ordem conjuntural, do dia a dia, como segurança pública, salário e carreira, policiais e bombeiros, saúde pública ou a falta dela, dificuldades na educação ou os auspícios dos servidores do Magistério estadual. Temos que falar e vamos fazer esse debate aqui ao longo de todo o ano, nas próximas semanas e meses.
Tivemos também, ontem, mais uma batida de martelo acerca da construção da alça de contorno viário da BR-101 na região da Grande Florianópolis. Esse assunto daria um capítulo à parte ou até vários capítulos, porque um conjunto de absurdos sempre em desfavor da sociedade a este parlamentar chega a estarrecer. E interpreto isso como subordinação, talvez conivência dos poderes ou, por que não dizer, de autoridades com relação às empreiteiras e a outros monopólios.
O Morro dos Cavalos é um absurdo, a alça de contorno viário da Grande Florianópolis é um absurdo, a ponte de Laguna também é um absurdo sem tamanho. Creio que se poderia construir aquela obra com 20% do dinheiro que irão gastar, para inventar uma forma de empreiteiras ganharem mais dinheiro.
Parece que dinheiro cresce nas árvores, se gasta mais de propósito, é uma república das empreiteiras, dos bancos e do agronegócio. Mas, como diria, é preciso uma análise mais aprofundada, até para justificar isso que acabei de falar, e pretendemos voltar também a esse assunto.
Mas quero falar ainda hoje do acontecimento tristemente mais importante da América Latina ocorrido esta semana que foi o falecimento de Hugo Chaves, presidente muito eleito pelo povo da Venezuela.
Hugo Chaves representou o reinício, depois de décadas de silêncio compulsivo imposto por ditaduras, da luta pela soberania, pela emancipação popular na América Latina ainda na década de 90. Inclusive os seus detratores, seus opositores não vão reconhecer, mas o seu próprio discurso de hoje, quando se fala em rediscutir a dívida dos estados ou a dívida-geral do estado brasileiro, do estado federal, é para o movimento de ressurgimento da contestação das políticas anteriores instituídas sobre o povo da América Latina aqui no Brasil e em todos os outros países.
Muito se tem a dizer e teria também a dizer a respeito desse assunto da morte de Hugo Chaves, do processo bolivariano na Venezuela, da importância daquele processo que influenciou inclusive o Brasil, os países diversos da América Latina a partir daquele momento.
Para economia de tempo, vou ler uma nota da minha organização política, a Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes, que está assinada também pela Juventude Comunista Avançando.
O título é o comandante fica e o ianque fora, que na verdade é uma música que eles cantam. O povo de Caracas e das outras cidades da Venezuela canta na rua. "El comandante se queda, el yanqui a fuera." Isso é música popular que a massa do povo canta na Venezuela há 15 anos, especialmente e mais principalmente desde 2002, quando se fez um golpe contra o povo da Venezuela.
Mas passo ler a nota:
"Ao receber a notícia de que havia falecido no país o aguerrido comandante Hugo Rafael Chávez Frías, a Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes (CCLCP) e a Juventude Comunista Avançando (JCA) juntou-se a todo o povo latino-americano e do mundo com grande consideração e respeito. Todos aqueles que compreendem dia após dia o caráter anti-humanista de uma sociedade baseada na exploração da vida olharam o horizonte com pesar e deram seu até logo.
O processo pelo qual passava a Venezuela com Chávez à frente demorou para ser compreendido no Brasil. O documentário 'A revolução não será televisionada' - que retratou a manipulação midiática diante da tentativa fracassada de golpe reacionário na Venezuela em 2001 - contribuiu para que os brasileiros tomassem conhecimento de que algo diferente acontecia na Venezuela no começo do século XXI. Poucos sabiam que esse país hermano sofreu um golpe porque tinha um presidente a favor de seu povo. Pouco se sabia por que, no Brasil, ensinavam a ficar de costas para a América Latina. Pouco se sabia por que a revolução não era transmitida na televisão, mas sim combatida pela mídia.
Porém, o tempo passou e ninguém mais poderia deixar e saber que algo diferente acontecia na Venezuela. No Brasil, a vontade de se saber mais aumentou com a palestra de Hugo Chávez durante o Fórum Social Mundial em Porto Alegre, quando publicamente o Comandante defendeu o socialismo como alternativa real para a humanidade. Neste dia, os brasileiros se deram conta que Chávez não era um presidente qualquer, mas um homem consciente das profundas mudanças que o mundo necessita.
Pode-se dizer que na Venezuela avançou-se na luta pelo socialismo, porque avançaram as condições dignas de vida de seu povo e, com isso, sua consciência e organização. Avançou a soberania nacional, a luta contra o imperialismo, a solidariedade entre os povos e, sobretudo, avançou a esperança de que sim, é possível lutar pelo socialismo e que o capitalismo implica a destruição da humanidade.
E Chávez? Não foi o único responsável, mas, sim, foi o comandante! E assim o chama o povo venezuelano e seus hermanos, porque sabem bem a diferença quando dizem: 'El Comandante se queda, se queda, El ianque a fuera, a fuera (o Comandante fica, fica, o ianque fora, fora). E assim o seguiremos dizendo porque, como dizia Ali Primera, cantor venezuelano: ' Los que mueren por la vida no pueden ilamarse muertos y a partir de este momento es prohibido llorarlos.'
Chávez se foi, mas ficou na consciência e organização de todo o povo venezuelano. Rechaçamos qualquer tentativa de intervenção e desestabilização promovida pelo imperialismo contra a soberania popular neste país. Depositamos nossa sincera confiança na capacidade desse povo e de suas organizações políticas e sociais revolucionárias de seguir avançando na luta pela emancipação humana e contra o imperialismo, a qual não é possível sem a construção do socialismo. Sociedade esta que foi defendida por Chávez por ser a única alternativa viável.
É certo que a chama da vida, a esperança, a dedicação e força do comandante Chávez acompanharão seu povo na Venezuela e servirão de exemplo a todos os povos da nossa grande pátria latino americana. O povo venezuelano, no fim da tarde de terça-feira despediu-se de seu comandante reunindo-se nas ruas de seu país e mantendo acessa a chama da esperança.
Hugo Rafael Chávez Frías, 'hasta la victoria, siempre'!
CCLCP - Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes
JCA - Juventude Comunista Avançando. " [sic]
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)