Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

51ª Sessão Ordinária - 20/05/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas e quem mais nos acompanha aqui, pela TVAL e Rádio Alesc Digital, gostaria de retomar o debate de hoje pela manhã a respeito do drama social brasileiro de acidentes de trânsito.

Concordo com os deputados Eni Voltolini, Silvio Dreveck, Nilson Gonçalves, mas quero dizer também da necessidade de pensarmos em termos estruturais. Tem o comportamento das pessoas, que é lamentável, da minoria dos motoristas, infelizmente. Mas temos questões estruturais e, portanto, discordo com tudo que v.exas. falaram. Temos uma quantidade de carros cada vez maior para uma quantidade e estrutura de estradas que não crescem na mesma proporção. E esse é um problema. E temos a permanência do incentivo do transporte individual em todas as cidades. Mas nem se pode dizer que é um discurso de esquerda, na sociedade atual, essa posição. E sociedades capitalistas avançadas estabelecem uma relação pública diferente com a mobilidade urbana e com a necessidade de locomoção das pessoas.

Deputado Kennedy Nunes, já trouxemos aqui, muitas vezes, experiências do sistema de transporte em algumas cidades do mundo, especialmente cidades europeias. E no Brasil não se paga, se incentiva, se retira imposto, se perdoa a contribuição previdenciária da indústria automobilística e se acha um pecado qualquer subsídio de transporte coletivo de massa. Isso é um erro econômico, social, político e ambiental, por isso precisamos, todos nós, os partidos, dessa avaliação e pensarmos em inverter essa lógica.

Quero retomar aqui e aproveitar a presença da deputada Ada Faraco De Luca para dizer que não tenho absolutamente nada contra a ponte que está sendo construída em Laguna e muito especialmente nada contra a população do sul, que merece não apenas uma, mas muitas pontes daquela. O que critiquei aqui é que a ponte poderia ser menor em termos de tamanho, pois custaria muito mais barato, mas já que foi feita, está ficando bonita e imensa. Poderia ter sido feita para durar não 20 anos, mas 50 anos. Numa ponte de 2.800m de extensão foram feitas apenas duas faixas para ir e duas para voltar. Provavelmente poderá se andar a 80 km/h sobre a ponte, e no trecho da rodovia a 100 km/h. Assim, provavelmente teremos uma lentidão ao se aproximar daquela cidade. E nesse ritmo, daqui a dez anos, ela estará engarrafada. Mas ficou bonita a ponte, não posso dizer outra coisa. E se criticar fica complicado, porque podem imaginar que estou contra a presidente Dilma Rousseff ou que sou contra a ponte no sul, pelo contrário, a população do sul merece muitas pontes e melhores do que aquela.

Também quero falar na ponte Hercílio Luz. Essa cultura, esse endeusamento, esse culto ao automóvel... Fala-se em recuperá-la. E lá vem um governo correndo e diz que até o final do ano passaremos de carro na referida ponte. Por que de carro. se são apenas duas faixas? Por que não transformá-la em uma passarela para pedestres, ciclistas? Isso diminuiria o trânsito de automóveis aqui, porque as pessoas usariam a ponte e ficariam mais perto do centro pela referida ponte do que pelas outras e atrairia o turismo, convidando as pessoas a caminharem sobre a ponte. Isso seria uma das melhores atividades turísticas desta cidade capital.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)