Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

99ª Sessão Ordinária - 04/11/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente e srs. deputados, pessoas que nos acompanham na tarde desta terça-feira, aqui ou pela Rádio Alesc Digital, quero, mais uma vez, agradecer aos servidores e às servidoras desta Casa que na última quinta-feira contribuíram de forma fundamental para que realizássemos com êxito a sessão especial alusiva aos 90 anos da Coluna Prestes, conforme ata bem lida pelo secretário, deputado Kennedy Nunes, que ocorreu neste Poder, na última quinta-feira.

Então, quero agradecer aos servidores e servidoras de todos os setores, da Casa Militar e do Cerimonial entre outros, que estiveram aqui conosco aproximadamente até as 22hs da última quinta-feira nesse evento que, para nós, foi muito importante e contou com a presença da historiadora Anita Leocádia Benário Prestes, que também é parte viva da história deste país, que fala de um movimento de jovens oficiais na década de 20, que ficou conhecida como Movimento Tenentista e que teve como principal episódio a própria Coluna, que acabou levando o nome de Luiz Carlos Prestes depois de marchar por 25.000km em três estados da federação. Na época, percorreram três estados, mas hoje em dia, evidentemente, percorreriam mais.

E o movimento que defendia bandeiras democratizantes de organização mais racional do estado, combatia as formas pouco publicas e pouco transparentes da política do Café com Leite e defendia, inclusive, o voto universal.

Foi um movimento democrático e reformista que contribuiu exclusivamente para que a sociedade brasileira nos períodos posteriores caminhasse na direção das demandas que os participantes tenentistas defendiam na década de 20. Uma epopeia do povo brasileiro que precisaria e seria bom que fosse mais conhecida e melhor ensinada, inclusive nas escolas, pois se trata de um importante fenômeno da história política do nosso país.

E nos sentimos agradecidos pela oportunidade que tivemos de falar um pouco sobre esse assunto desta tribuna, neste plenário, ao longo desses últimos oito anos, e também por participar desta sessão especial da última quinta-feira.

Queria retomar um tema que, para mim, já poderia ou deveria ter sido deixado em segundo plano há pelo menos duas semanas, que é o resultado da eleição presidencial, especialmente do segundo turno, mas continuamos assistindo a um conjunto de manifestações, aliás, a um conjunto imenso de manifestações, especialmente nas redes sociais, de inconformismo com o resultado da eleição. E aí, evidentemente que quem participa da política, há pelo menos duas décadas, sabe o que é ganhar ou perder uma eleição. Sabemos das dificuldades nos dois casos, porque quem ganha não está necessariamente muito bem, até porque precisa dar um conjunto de soluções e respostas às expectativas da sociedade e aos setores políticos; e quem perde precisa perceber também qual é o seu espaço nessa mesma sociedade na correlação de forças futuras.

Até aí tudo bem, tirando o fato de que parte dessas manifestações tem um caráter nitidamente golpista, para usar a palavra necessária. E é a isso mesmo que estão recorrendo alguns desses setores inconformados, inclusive com manifestações públicas, como caminhadas, em algumas cidades do país, chamando pela intervenção das Forças Armadas e do Exército para colocar o Brasil no prumo, segundo eles.

Mas sou um militar e, como outros militares, tenho bastante receio deste tipo de postura por parte de alguns setores da sociedade. Primeiramente, porque eu e diversos outros militares brasileiros, talvez a maioria, não concordamos com essa alternativa,porque há 50 anos o Brasil já passou por isso e há menos de um ano depois do Golpe de 64 boa parte daqueles que tinham ido às ruas manifestar e pedir a intervenção das Forças Armadas, senão a maioria, tinham arrependido-se já que o discurso era de que o golpe teria como objetivo a eleição para presidente no ano seguinte.

Evidentemente, tratava-se de uma fraude discursiva ou um estelionato político, porque dar um golpe em 64 para garantir uma eleição presidencial em 65 é, no mínimo, ridículo. Refiro-me à proposta em si, porque se fosse para cumprir esse objetivo, se efetivamente quisessem cumprir esse objetivo, seria irracional sob todos os pontos de vista, inclusive do ponto de vista financeiro e da organização da sociedade.

Agora vemos novamente algumas manifestações pedindo a intervenção das Forças Armadas para organizar para o ano que vem uma eleição que seja isenta de fraude e estão trazendo argumentos de que houve fraude nessa eleição. E eu, particularmente, só posso levar em consideração se houver denúncia formal e a aceitação da denúncia por órgão competente, e não por boato de internet ou manifestação de uma ou de outra liderança mais estressada, vamos dizer assim, ou menos adepta, na essência, ao conceito de democracia.

Nós precisamos entender que não existe nenhum risco de qualquer crise institucional com a reeleição da Dilma. Aliás, porque ela e os governos do PT até aqui foram de um sub-reformismo, porque chamar de reformismo, acho que seria avanço demais para aquilo que tem sido feito pelos governos encabeçados pelo PT. Um sub-reformismo ou um reformismo bastante acanhado.

E essa é a essência dos governos do PT, e podemos falar uma semana inteira para tentar conceituar isso que estamos falando, caracterizando as medidas que, efetivamente, foram tomadas pelo governo ou por esses governos.

Mas os governos encabeçados pelo PT, com o PMDB de vice, e com a participação do PR, do PRD, do PP, do PSD, com certeza não é um governo que ameace a estabilidade capitalista da sociedade brasileira. E o sujeito precisa ser quase um facista, senão um facista por inteiro, para ver nesses governos alguma ameaça Bolchevique, como alguns escrevem nas redes sociais.

É um governo de um sub-reformismo ou um reformismo acanhado, e participam dele quase todos os partidos da ordem existentes no Brasil, inclusive partidos que estavam apoiando e participavam da própria ditadura militar.

É preciso que haja bom senso e que se pare de difundir ódio e preconceito contra quem pensa diferente, contra quem é nordestino, contra quem é pobre, esta que é a verdade. É preciso parar de difundir preconceito com relação aos diferentes, porque estão falando de uma coisa muito séria, que é a estabilidade política e respeito às instituições e à democracia, tão frágil, é verdade.

Evidentemente, considero a democracia representativa brasileira quase uma falácia. Ela é muito frágil, muito superficial e não aprofunda, na essência, aquilo que é, efetivamente, a vontade do povo.

Mas daí a vir imaginar que é com golpe, com ataques, vendo fantasmas que não existem que se vai caminhar num rumo mais racional e mais humano, é absolutamente estranho. É preciso que haja bom senso de quem perdeu e bom senso de quem ganhou e, em se tratando de corrupção, todos os episódios precisam ser investigados pelos órgãos competentes, segundo a nossa Constituição, que deve fazer valer o seu poder para, efetivamente, punir todos os corruptos, independentemente de partido.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)