Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

56ª Sessão Ordinária - 07/08/2007

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente e companheiros deputados, na quinta-feira passada, nesta Casa, assistimos ao passamento do ex-governador Ivo Silveira, que foi deputado, presidente desta Casa, conselheiro do Tribunal de Contas, advogado, professor e, principalmente, um bom palhocense que ajudou muito a sua comunidade.

Aos 89 anos, Ivo Silveira deixou uma lição de vida para nós, políticos. Por isso quero dar a minha solidariedade e as minhas condolências aos seus familiares, a todos os seus amigos.

E quero registrar nesta Casa que aos 89 anos o governador Ivo Silveira, como era chamado, tinha um relacionamento com a cidade, com a capital do estado de Santa Catarina, com todo o estado, na sua forma de andar e de conversar com as pessoas. E é bom recordar que nós viemos de um tempo que nem sempre foi assim como é hoje o mundo. Ele passou uma época chamada popularmente pelos intelectuais como anos de chumbo, uma época em que seu vice, inclusive, foi cassado pelo regime militar - e foi também outro grande homem, de origem da nossa querida Brusque, o Francisco Dall'Igna. E ele soube, com habilidade, atravessar, já que foi, naquela época militar, o governador eleito por último. Depois nós tivemos uma série de governadores sucessivamente sendo nomeados.

E essa pessoa, o dr. Ivo Silveira, deu-nos o exemplo de como atravessar esses anos de chumbo; de como fazer a política popular com transparência, com honestidade e ter, ao longo de sua vida, a respeitabilidade e a saudação de todos os munícipes, de todas as pessoas que o viam e saudavam-no com admiração; e de ser um governador que nunca andou com segurança, nunca teve qualquer intercalação. Ao contrário, somente carinhos.

É esse exemplo de vida que todos os políticos gostariam de ter e, tenho certeza, deveriam ter, porque é dessa forma que nós vamos dando o exemplo para as futuras gerações.

Então, não poderia deixar de registrar não só em meu nome, como deputado, mas também em nome do meu partido, o PPS, que com o antigo PSD, ao qual o Ivo Silveira pertencia, nós sempre dizíamos que tinha um certo relacionamento pela forma social, pela forma de fazer política, pela forma de conversar sobre política e não fazer a política com raiva, com ódio. A política deve ser feita com o cérebro, com a inteligência e não com o fígado. E sempre devemos propor construções de alternativas e soluções.

Há pessoas que ainda hoje fazem política de forma que, para ocupar um espaço, atacam outras pessoas, inclusive na sua idoneidade, com acusações para ocupar esse espaço. Essa é a política fácil que qualquer um faz, mas o tempo mostra as contradições e nós temos que ressaltar aquelas pessoas que são coerentes ao longo de sua vida, preocupando-se em realmente fazer a boa política, a política de propostas, de idéias, e além do seu próprio partido. Não é só dizer que o seu partido é o melhor. Não! A política social deve ser feita além do seu próprio partido, com todos os demais partidos que existem na sociedade democrática.

Então, a nossa saudação, admiração, solidariedade e condolências ao nosso amigo. E assim podemos dizer porque, não faz muitos dias, quando nós, no dia 5 de junho, lançamos o nosso livro sobre o meio ambiente, o governador Ivo Silveira esteve presente no lançamento e pôde participar e falar. Foi uma das suas últimas aparições públicas.

Assim, eu quero dar o meu agradecimento e saudar esse grande catarinense!

Outro assunto que foi falado, hoje, nós não podemos deixar passar despercebido. Falou-se aqui sobre a questão de infra-estrutura. Num mundo globalizado, realmente tem que se ter infra-estrutura para poder competir com produtos de boa qualidade, mas com o preço mais barato. Esse sempre vai ganhar a competição.

Para ter o preço mais barato, precisamos de boas estradas, de um bom transporte, seja marítimo, aéreo, enfim, nós precisamos investir naquilo que é fundamental, que é chamado infra-estrutura.

Eu vou dar um exemplo neste Brasil do que ocorre, porque não é por acaso que as nossas riquezas internamente neste país são transportadas com caminhões para cima e para baixo, encarecendo muitos produtos de uma região para a outra. Será que ninguém tem a inteligência de chegar e dizer: "Mas isso é ruim, está prejudicando o país. Por que não temos outras alternativas de transporte, como o ferroviário e marítimo"?

Então, nós vamos aqui contar uma história, e é bom que os companheiros do PT digam isso para o Lula, que se chama o sistema de cabotagem. Os senhores sabem que sai muito mais caro pegarmos o trigo produzido no sul e mandá-lo para Pernambuco do que mandá-lo à Europa e à Ásia, porque a lei de cabotagem encarece o transporte marítimo. E assim ocorre com uma série de produtos do nordeste, que poderiam vir para o sul, como do sul para o nordeste, mas o preço da navegação interna neste país, que se chama navegação costeira, a de cabotagem, é caríssimo. Por isso que os caminhões fazem norte/sul transportando, porque compensa mais do que fazer com o transporte marítimo.

Mas será que ninguém está vendo essas leis? É difícil mudar. E Santa Catarina poderia ser grande beneficiário com os seus portos naturais, como o de São Francisco, Itajaí, Imbituba. E poderemos ter outros no sul, no caso de Araranguá ou regiões, até porque o mundo vai-se comunicar com entradas e as saídas, como são aeroportos. Esses serão os futuros portos nesse sistema de economia globalizada.

Então, fica aqui o nosso aviso que podem ser melhoradas as coisas, sim, que nós temos que melhorar a infra-estrutura. A crítica tem que ser feita de forma positiva, dando sugestões para rever essa lei de cabotagem que realmente prejudica o transporte das nossas matérias-primas, das nossas riquezas.

O Sr. Deputado Darci de Matos - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Pois não!

O Sr. Deputado Darci de Matos - Deputado, eu quero registrar a presença do prefeito do município de Joinville, Marco Antônio Tebaldi, um competente e dinâmico prefeito da nossa cidade de Santa Catarina.

Deputado Professor Grando, eu não poderia deixar de concordar com as suas colocações quando v.exa. se refere à necessidade premente de investimentos maciços na infra-estrutura. O Brasil, hoje, cresce na casa dos 3%. Se o país crescesse 5 ou 6%, nós não teríamos condições de suportar tal crescimento porque nós temos carências gravíssimas de estradas, portos, aeroportos. E, pior do que isso, nós temos carência de energia elétrica.

Portanto, faz-se necessário que o governo federal e toda a estrutura pública urgentemente redirecionem os investimentos para a infra-estrutura básica do nosso estado e do nosso país.

Muito obrigado, deputado!

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - E para encerrar, sr. presidente, eu não poderia deixar de falar que nesse recesso aconteceram audiências públicas e eventos muito importantes, como a audiência pública para a criação do salário regional. Mas não poderia deixar de falar porque no primeiro dia, nesta tribuna, eu falei da questão do saneamento, do grande encontro realizado pela Fecam, com todos os municípios, como o marco zero da arrancada para melhorar o saneamento em Santa Catarina, que temos menos do que 10%. Somos o penúltimo estado da União em saneamento.

Mas o governador Luiz Henrique, também com os municípios, e com recursos disponíveis junto à Funasa, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil... E há vontade dos municípios de apresentarem projetos, buscar esses recursos e fazer obras enterradas, sim. E com cada real investido em saneamento, economizaremos cinco em saúde. Agora tenho certeza de que teremos saneamento e saúde em Santa Catarina!

Obrigado, sr. presidente!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)