Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

82ª Sessão Ordinária - 22/09/2009

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, telespectadores da TVAL, especialmente servidores da Segurança Pública, policiais e bombeiros militares que estão-nos acompanhando, quero inicialmente agradecer a generosidade do deputado Padre Pedro Baldissera de fazer a troca de horário para que eu pudesse entrar com esse pronunciamento agora.

Infelizmente, temos que registrar, no início dos trabalhos desta semana, a morte por disparo de arma de fogo durante o horário de trabalho, enquanto desempenhava a sua missão, do cabo Paulo Roberto Coelho, cabo Coelho, no começo da tarde da última sexta-feira, dia 18 de setembro. Nós acompanhamos juntamente com todos os irmãos de farda mais essa tragédia e diante de todo o sofrimento e indignação, preparamos também um pequeno vídeo para mostrar a todos até para registrar um pouco desse drama que é ser servidor da Segurança Pública e estar cotidianamente correndo risco de vida, cotidianamente entregando a própria vida na defesa da sociedade catarinense.

(Procede-se à apresentação do vídeo.)

Srs. deputados, é o funeral do policial militar Paulo Roberto Coelho, que apareceu na foto, para quem faltavam apenas 11 meses para se aposentar. Deixou três filhos já adultos. Portanto, já trabalhava há 29 anos na Polícia Militar.

Na última sexta-feira, o cabo Coelho estava de serviço quando ouviu pelo rádio da viatura que havia ocorrido um assalto a uma lotérica na rua São Pedro, em Barreiros. Ele e outro colega que estavam indo para Forquilhinha, deputado Círio Vandresen, voltaram para ajudar os companheiros na avenida das Torres, no Real Parque, e encontraram a moto com os dois assaltantes. É evidente que não podiam adivinhar quem era. Antes mesmo de conseguir fazer a abordagem, o cabo Coelho levou um tiro de pistola calibre 380, que é um calibre pesado, no abdômen. Estava de colete, desequilibrou-se e levou o segundo tiro na nuca. Ainda sobreviveu até as 20h, mas faleceu no Hospital Regional de São José.

Era um excelente policial militar, um excelente pai de família, inclusive trabalhou na radiopatrulha com o soldado Ramos, que hoje trabalha nesta Casa e que esteve no local, muito indignado e triste.

É uma realidade que se tem repetido, deputado Kennedy Nunes, de forma cada vez mais freqüente. Já é o quarto, depois do Sidnei, em Joinville, há um ano e um mês atrás. É o quarto! Só por disparo de arma de fogo. São mais de dez nos últimos cinco anos. Está-se tornando muito comum e todos os companheiros ficam muito indignados. Todos os irmãos de farda só repetem uma mesma frase: "Isso não pode tornar-se natural!"

O cabo Coelho tinha um irmão, policial militar, também chamado cabo Coelho, aposentado há um ano e meio, e ali na hora do enterro proferiu a seguinte frase: "Sofri 30 anos na Polícia Militar e nada mudou. Agora, estou há um ano e meio na reserva, e nada mudou ainda".

Então, essa é a realidade. E a nossa categoria clama e vai-se manifestar para que isso possa ser mudado no nosso estado.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)