Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

72ª Sessão Ordinária - 27/08/2009

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente e srs. deputados, neste horário partidário, uma vez por semana, tenho procurado expressar-me em relação à luta e à vida interna do PPS.

Hoje, nós, do PPS, em forma de gratidão, queremos homenagear o colega Dionei Walter da Silva, que apesar do pouco tempo em que aqui esteve representando o PT, e até pelas lutas no passado em que estivemos juntos na Frente Popular, sempre se portou de forma muita aguerrida e leal. Nós colocamos muito bem uma esquerda responsável e democrática, mas há diferenças entre nós.

O que nos entristece, companheiro Dionei Walter da Silva, é que quando surge - e considero que sempre tivemos mais convergências do que divergências - um novo partido, criam-se mais demandas, quando, na verdade, a luta nacional e revolucionária é pela unidade nos pontos comuns. Vamos ter que estar juntos, e até estamos no dia-a-dia, procurando apenas nos diferenciar em alguns temas aos quais chamo de demandas. A pessoa sai de um partido, vai para outro, cria um novo partido quando, na verdade, a boa esquerda defende a unidade, sim, nas diferenças, contradições, na forma dialética que sempre defendemos, porque temos objetivos principais.

Portanto, relembrando a nossa Frente Popular, na qual fizemos caminhadas juntos, companheiro Dionei, a nossa gratidão pelo passado que tivemos e queremos desejar-lhe uma boa caminhada e um bom futuro não em nosso nome, como deputado, mas em nome do PPS, porque sei que lá no seu município outros estão juntos, estão coligados, e isso é importante também, é democrático, e nós sabemos o quanto ainda podemos avançar.

Por outro lado, também expresso que o nosso jeito de fazer política nunca foi da crítica pela crítica, mas na forma, antes de tudo, de ser educada e procurando colocar os termos em que devemos encontrar as soluções. Nunca nos viram aqui atacando pessoalmente ou criticando, mas analisando os fatos. E aí o meu companheiro Ismael dos Santos colocou muito bem, de que hoje o político sofre desgaste. Eu diria que é até natural dentro do mundo em que vivemos.

Antigamente, pela luta entre o capital e o trabalho, decorrente das horas de grande exploração do ser humano, havia a contestação do sistema empresarial. Era o que mantinha as leis, era o que mantinha as políticas, era a revolta número um de todo trabalhador. O empresário era culpado por muitos dos males sociais que existiam no país. Depois a burguesia, o empresariado, principalmente na América Latina, colocou o seu braço armado na luta, através da participação dos militares no poder. Depois de algum tempo, os militares começaram a sofrer reveses, realmente, porque perderam o essencial, que é o respeito à democracia, e foram varridos do cenário político.

Então, em função da globalização, perdeu o significado o empresariado e a burguesia serem responsáveis pela luta de classes, e os militares, pela injustiça e pela falta de democracia. Assim, o político hoje é o culpado pelas mazelas que existem no país, sim, até pelo seu comportamento nas instituições. Daí a necessidade urgente de uma reforma política e partidária neste país, uma reforma tributária, uma reforma na qual possamos dizer que o cidadão brasileiro atingiu a sua maturidade.

Com essa situação em que os políticos se encontram hoje, muitos deles estão, inclusive, desistindo da política. E é isso que nós não queremos que aconteça, porque a política tem as coisas boas que v.exa. falou e queremos que essas coisas boas...

(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)