Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

90ª Sessão Ordinária - 08/10/2009

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, vou utilizar o horário do PSDB para deixar registrada nesta Casa a nossa preocupação em relação ao que acontece com o nosso conhecido Samu, em Joinville.

Recebi há pouco um e-mail com o seguinte teor:

(Passa a ler.)

O Samu de Joinville está sem poder trabalhar. Os três médicos e os demais integrantes da equipe estão vivendo um drama que já dura mais de 30 dias. As quatro ambulâncias básicas estão em manutenção. A única ambulância avançada com UTI móvel que existe na cidade e pertence ao Samu já está, há 30 dias, em manutenção em Florianópolis.

Segundo os médicos que trabalham no Samu de Joinville, a UTI móvel é de responsabilidade do governo do estado. As quatro ambulâncias básicas são de responsabilidade do município. Por falta de ambulância, os atendimentos clínicos e de emergência de Joinville estão correndo risco. São aqueles atendimentos a pessoas enfartadas e outros tipos que demandam a necessidade de uma UTI móvel. Os bombeiros têm apenas três ambulâncias para atender os casos de trauma, e agora mais os casos clínicos também.

A situação está complicada. E a cidade está sem o atendimento do Samu.

Estamos pedindo socorro, nós, que normalmente socorremos!"

Esse é o teor do manifesto que nos foi enviado pelos médicos do Samu, que estão, na verdade, ganhando sem poder trabalhar. São três médicos, os assistentes e mais todo o pessoal que faz parte dessa bela iniciativa que este país teve em relação ao atendimento de urgência. A iniciativa é muito boa, funciona muito bem quando há os elementos necessários para executar a tarefa. Caso contrário, é até vexatório e um verdadeiro desperdício do dinheiro público.

Os médicos que estão à disposição, que estão ganhando, não podem fazer exatamente nada por conta dos problemas com as ambulâncias. Uma ambulância que é de responsabilidade do estado está em Florianópolis fazendo manutenção e as outras quatro, de responsabilidade do município, estão também paradas, com problemas. É muita coincidência todas elas estarem com problemas. São cinco ambulâncias!

A primeira coisa que vem à cabeça de quem está ouvindo esse relato é que está faltando um pouco mais de agilidade e até, eu diria, de vontade por parte das pessoas de resolver o problema. Nós entendemos que existe o problema da tal burocracia. Entendemos que é preciso fazer licitação até para comprar um parafuso. É uma burocracia imensa! Mas nada justifica que quatro ambulâncias de responsabilidade do município permaneçam paradas. Nada justifica também uma ambulância estar em Florianópolis para fazer manutenção. Não há substituição para essas ambulâncias? O que se faz quando uma ambulância estraga? Os médicos vão para casa cuidar das crianças? Vão ficar ganhando sem fazer nada? E os doentes? E as pessoas que precisam ser transportadas? Algumas estão sendo transportadas pelo Corpo de Bombeiros, que tem três viaturas. É uma coisa impressionante!

Eu fico até constrangido de ter que falar sobre isso, mas há alguns dias havia uma fila de ambulâncias no Hospital São José e elas não estavam estragadas, não. Havia viaturas do Corpo de Bombeiros, viaturas dos paramédicos e todas paradas lá na frente do Hospital São José. Eles não sabiam por que as pessoas que tinham sido levadas estavam nas macas e não podiam retirá-las, pois não havia lugar para colocá-las e as viaturas não podiam sair novamente para trabalhar, uma vez que a maca estava sendo utilizada pelo paciente, na qual foi até o hospital.

Sr. presidente, coisas assim não dá para entender, elas são realmente constrangedoras!

O Sr. Deputado José Natal - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não, deputado José Natal.

O Sr. Deputado José Natal - Essa situação das ambulâncias ficarem paradas porque as macas estão sendo utilizadas nos hospitais já é normal neste país, não ocorre só em Joinville, lamentavelmente. E o Samu é um serviço de emergência ao qual a população tem acesso hoje, porque o restante da saúde ainda continua difícil.

Eu, pelo menos, como deputado nesta Casa, vivencio grandes angústias na questão da saúde que não consigo resolver, porque as pessoas ainda nos procuram para solucionar problemas que seriam da competência dos municípios ou do próprio estado.

Então, quero dizer, com muita tristeza, que esse assunto que v.exa. traz aqui de as ambulâncias do Samu estarem encostadas nas prefeituras por falta de manutenção é normal! Não era para ser, mas é! Somo-me a sua preocupação, no sentido de que precisa haver competência para administrar; e o administrador público da área da saúde que deixa as ambulâncias do seu município paradas por falta de manutenção não tem competência para ser secretário ou para administrar coisa nenhuma, já que saúde é prioridade na vida das pessoas e das cidades. Então, pessoas como essas devem ser banidas da administração pública, pois não sabem comandar nem o essencial.

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Para encerrar, sr. presidente, não poderia deixar de registrar a minha indignação, e tenho certeza de que também dos senhores ao verem essa corriola, esse bando do MST fazendo o que fez esta semana. Eu fiquei paralisado, estagnado na frente da televisão vendo a destruição daquele laranjal lá no estado de São Paulo, pois invadiram uma propriedade produtiva e com tratores derrubaram milhares de pés de laranja. Questionados sobre o que estavam fazendo, disseram que era para poder plantar feijão.

Ora, qualquer um que entende o mínimo de agricultura sabe que não foi por isso. Aquilo é malvadeza, mau-caratismo, desvio de conduta! É desvio de conduta de um movimento que começou sério, de um movimento que tinha tudo para ser um dos melhores exemplos para o mundo em matéria de integração dos sem-terra, mas que virou um movimento revolucionário. Se este país não cuidar, esse movimento vai virar outra Farc na América do Sul. Escrevam o que estou falando: estão fechando os olhos, não estão tomando as providências que precisam ser tomadas, pois esse movimento, repito, pode virar uma segunda Farc na América do Sul! Não esqueçam do que estou falando.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)