Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Professora Odete de Jesus

42ª Sessão Ordinária - 20/05/2009

A SRA. DEPUTADA PROFESSORA ODETE DE JESUS - Sr. presidente, deputado Jorginho Mello, demais integrantes da mesa, sras. deputadas Ada De Luca e Ana Paula Lima, srs. deputados, taquígrafas, telespectadores que acompanham os trabalhos deste Parlamento, quando v.exa salientou as viagens que teremos de fazer para tratar do Orçamento Regionalizado no mês de junho, eu lembrei que quando o nobre deputado era presidente da comissão de Finanças e Tributação sempre nos acompanhava pelo interior do estado muito cauteloso, muito atento. V.Exa. chegou à Presidência pelos seus méritos, pelo seu trabalho e pela sua competência, e nós, nessas viagens pelo interior, vamos sentir a sua falta.

Quero deixar registrado que esta deputada sempre acompanhou, e vai acompanhar, o trabalho da nossa comissão. Atualmente, o nosso presidente é o deputado Marcos Vieira, que também realiza um trabalho com muita competência e honradez, e isso nos deixa muito contentes.

Mas, srs. deputados, hoje eu vou falar sobre um assunto que está mexendo com a população da Grande Florianópolis, que está deixando as famílias tristes, pois os trabalhadores querem trabalhar e não podem porque não conseguem se locomover.

Nós sabemos que a greve é um direito de todo cidadão, de todos os sindicatos; nós sabemos que a greve é legítima, mas também entendemos que é importante que haja uma negociação. Os responsáveis devem sentar para discutir. Eu já vou pelo português claro: nós, humanos, temos que nos entender. Há determinados momentos em que discutimos, ponderamos, algumas vezes cedemos muitas coisas e outras vezes, sr. presidente, nós perdemos de um lado para ganhar de outro.

Tem que haver entendimento porque o comércio está perdendo; as pessoas querem trabalhar e não podem porque não têm como se locomover; a pessoa que está doente, que já está com a sua consulta marcada, não tem como ir até lá porque os motoristas de ônibus estão em greve; e há os atravessadores, os aproveitadores que querem ganhar em cima da desgraça dos outros.

Aí o problema se instalou: a cidade parou! Está tudo parado! No meu gabinete, eu estou com dois funcionários e por isso estou também atendendo ao telefone. Cheguei de manhã, deputada Ada De Luca, e tive de atender ao telefone! Fiquei o tempo todo nos atendimentos! É claro que esse é um momento prazeroso, para nós é bom estar direto com o público, mas tudo está parado! Os nossos gabinetes estão parados, sr. presidente! O nosso trabalho não deslanchou, ficou parado!

Então, tem que haver um entendimento. E eu quero chamar a atenção do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis, sr. Waldir Gomes, para que nos ouça, por favor. E também chamo a atenção do representante do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo da Grande Florianópolis, sr. Ricardo Freitas, para que haja um entendimento, pois a população está sofrendo.

As lojas, srs. deputados, terão de fechar, pois não vão conseguir vender nada; o dentista não vai poder trabalhar porque os clientes não conseguirão chegar. E quem é que tem dinheiro hoje, e até faço esta pergunta, para comprar um automóvel? E quando consegue comprá-lo, tem de esperar um mês para o carro chegar. Então, o problema está instalado.

O prefeito já passou o problema para o Ministério Público, porque já chegou ao seu limite. Então, aproximadamente 400 mil indivíduos estão sendo prejudicados. Cerca de 250 mil pessoas estão com esse problema, por conta da paralisação do transporte público. E a população, sem ônibus desde as 9h30 de terça-feira, está optando pelas vans e pelos micro-ônibus para conseguir chegar ao trabalho ou à escola.

Os motoristas pedem um aumento de 5% do salário, além do aumento no valor do vale-refeição, e a redução da carga horária. As empresas dizem que só podem pagar o valor pedido se a prefeitura autorizar o aumento das passagens ou passar a pagar um subsídio maior.

Então, srs. deputados, nós clamamos para que haja uma discussão, uma ponderação, pois o cavalo está até passando a galope. Então, já está na hora de haver um planejamento a longo prazo, porque todo mês de maio a novelinha começa, a tal da novela desaforada começa e a população é que sofre.

É importante um apoio dos meus colegas deputados no sentido de que haja um entendimento, porque queremos trabalhar nos nossos gabinetes e não estamos com o nosso pessoal, que não está podendo vir. Muitas pessoas já estão até perdendo seus empregos. E aquela diarista, que depende do dinheiro da faxina para comer ou para dar comida aos filhos, não tem como ir trabalhar.

Por isso é necessário que haja esse entendimento imediato, pois as pessoas precisam trabalhar e os comerciantes têm de vender, senão terão de fechar as portas.

Srs. deputados, tenho em mãos relatos de algumas pessoas. Este aqui é da dona Ermendina de Souza, de 64 anos, que espera, desde as 7h, por um ônibus para Biguaçu, no terminal integrado do centro. Ela está na cidade desde a manhã de terça-feira, quando veio visitar o irmão internado no Hospital de Caridade, em Florianópolis. Sem dinheiro para pagar outro tipo de transporte, ela está lá sem saber o que fazer. Este é um dos problemas. A cidade parou. Então, tem que haver um entendimento.

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)