Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

9ª Sessão Ordinária - 25/02/2015

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL e da Rádio Digital, companheiros e amigos que vem prestigiar o Parlamento na tarde de hoje, que sofrem conosco os problemas do estado e também da federação.

Eu, como o meu ramo era o transporte, deveria, no mínimo, estar em Sombrio neste momento. Hoje temos mais de 20 focos de paralisação em Santa Catarina. Os caminhoneiros fizeram isso porque eles não conseguem sobreviver da forma que está acontecendo. É o caminhoneiro autônomo que está fazendo isso, porque ele não consegue sobreviver, não tem como sobreviver.

Os fretes caíram porque as dificuldades do país e das empresas são grandes e o combustível subiu. No mundo inteiro baixou o preço do combustível, só no Brasil que subiu. Um litro de óleo diesel está R$ 3,2. Isso é impossível para o caminhoneiro.

É o caminhoneiro que carrega 95% do PIB brasileiro no tapetão preto. É evidente que estão desesperados, mas se eles pararem, para o país, porque o caminhoneiro não precisa fazer greve, para o caminhoneiro é só encostar o caminhão na frente da sua casa e está feita a greve. Se todos pararem, não leva cinco dias e começa a faltar mercadoria.

Eu falei para eles, ontem, que é legítimo o movimento, mas que deixassem a carga perecível passar, não trancando por completo. Deixa aquilo que é de emergência tocar, aí o movimento se torna simpático, diminui o desespero do oeste que não pode passar o seu leite, esse tipo de coisa não precisa acontecer.

Mas a verdade é que eles estão vivendo o pior momento da sua história. Eles compraram caminhão porque 95% são eles que carregam neste país, mas agora eles não podem pagar porque não têm como fazer já que as nossas estradas do país inteiro, vocês sabem, é uma vergonha, é só buraco. Os pneus custam quase R$ 2,00 cada um, esses buracos vão cortando e os lucros vão desaparecendo. E agora essa alta do combustível inviabilizou tudo por completo.

Agora, é preciso, sim, muito apoio porque as empresas tem que continuar trabalhando, gerando empregos, e eles são responsáveis porque levam a matéria-prima, levam o produto. Eles precisam se locomover para levar a nossa safra. Faço parte de comissões importantes, a comissão de Agricultura, eu acho, é o termômetro da nossa economia e do Transporte, que mexe na área que eu estou falando.

Então, é por isso, sim, que é preciso muita reflexão, muito trabalho, muito convencimento, para que o governo tenha uma proposta, no mínimo, capaz de amenizar esse sofrimento. O financiamento do caminhão tinha seis meses de carência, essa carência desapareceu, tem que voltar. O caminhoneiro se aposentava com 25 anos de serviço, não existe mais.

O caminhoneiro tem que ter reflexo para evitar acidentes, é como um professor, impossível trabalhar mais do que 25 anos, pois não tem mais condições de estar na sala de aula.

O motorista é igual. Ele vive o dia a dia na estrada. Passa o dia atento no trânsito. Normalmente, o caminhoneiro trabalha 16 horas por dia. Por isso precisa ser reconhecido. Então, é preciso voltar a aposentadoria do caminhoneiro para 25 anos para diminuir os acidentes das estradas.

Cria-se uma lei no sentido de que o caminhoneiro a tal horário pare, mas, se não tem estacionamento para isso, vira um problema. E aí vemos o que está acontecendo hoje.

Neste momento precisamos ser solidários aos caminhoneiros. Eles precisam de uma luz de sobrevivência no seu trabalho. Fui caminhoneiro e depois tive empresa de transportes, sei das dificuldades que estão vivendo hoje. O governador Raimundo Colombo está tentando encontrar um caminho para ajudar, mas a questão é federal. Espero que a presidenta possa fazer um encaminhamento no sentido de que consigam continuar trabalhando e carregando as riquezas do país por esse tapetão preto.

Assim, quero convidar todos os deputados a serem solidários e buscar soluções para essa questão.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)