27ª Sessão Ordinária - 16/04/2002
O SR. DEPUTADO IVAN RANZOLIN - Sr. Presidente, V.Exa. me concedeu 15 minutos para eu me pronunciar, mas já se passaram três minutos. Gostaria de usar todo o tempo, mas se algum Deputado do PPB desejar fazer uso da tribuna para tratar do assunto que vou falar agora, informo que talvez não utilize todos os 15 minutos. Mas o assunto que trago é um assunto polêmico.
No período da manhã falei sobre essa questão que aconteceu há poucos dias, conversando com alguns Líderes de Bancada - o meu Líder, Deputado Milton Sander, me credenciou para eu tratar deste assunto em nome de toda a Bancada -, que foi o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, que eliminou o Figueirense de uma luta gloriosa e de uma conquista que teve no campo. Uma conquista que levaria Santa Catarina a ter uma vaga na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol.
É verdade que eu não sou torcedor do Figueirense, torço pelo modesto Internacional, de Lages, porque é um clube da minha cidade e está disputando o campeonato catarinense, mas torço por Santa Catarina também. Fiquei orgulhoso pelo feito do Tubarão, fiquei orgulhoso do Criciúma, que já foi campeão brasileiro, tenho orgulho do campeonato catarinense, de ir ao campo e de ver como o esporte em Santa Catarina está crescendo.
O nosso Estado, alguns anos atrás, Deputado Onofre Santo Agostini, era relegado a um plano inferior. Quando se começou a implantação da BR-101, há muitos anos, as pessoas diziam que Santa Catarina representava o zero da BR-101. Um pertencia ao Rio Grande do Sul, o outro ao Paraná, e nós éramos o zero. E o que aconteceu? O povo catarinense começou a lutar, foi buscar resultados na agricultura, na indústria, montou suas universidades e começou a crescer.
Hoje, Deputado Onofre Santo Agostini, Santa Catarina é um Estado invejável, um Estado produtor, um Estado sério, que tem qualidade catarinense. Quando exportamos os nossos produtos, ficamos orgulhosos porque os que os consomem têm procurado, cada vez mais, negociar com Santa Catarina.
Deputado Odacir Zonta, V.Exa. que foi Secretário da Agricultura até poucos dias, quantos produtos Santa Catarina colocou lá fora - produtos agrícolas, carne suína, frangos? É o único Estado do Brasil livre da febre aftosa. Isso é um orgulho para nós!
A nossa indústria nos orgulha sobremaneira, as nossas universidades, a cultura do povo catarinense e também o esporte. Nós temos ainda o Guga que está em segundo lugar no ranking mundial, apesar de já estar este ano sem poder jogar em função de uma cirurgia. Nós temos o Fernando Scherer, que é nadador. Nós temos, hoje, a Unisul disputando os primeiros lugares no voleibol masculino. Nós temos o futebol de salão em lugar de destaque, o esporte amador vencendo obstáculo, conquistando medalhas, conquistando troféus.
Vimos também os nossos representantes bem colocados. O Figueirense conquistou uma vaga, e quando todos estavam se preparando para assistir aqui à televisão de todo o Brasil mostrar o nosso futebol, com os clubes de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Paraná, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul para disputar e trazer alegria ao povo catarinense, vimos de uma maneira cruel o afastamento de uma equipe num julgamento que não consideramos sério.
Por que não consideramos sério? Será que a lei está errada? Não! Não consideramos sério porque já assistimos no Brasil o apagão, quando apagam as luzes quando uma equipe está perdendo.
Assistimos, há dois anos, na final de um campeonato brasileiro, quando as equipes do Vasco da Gama e do São Caetano disputavam, o interrompimento daquela partida por culpa da torcida, onde aconteceu um grande acidente que teve até que ocorrer a intervenção do Governo do Estado, mas novamente a partida foi reiniciada.
Mas em Santa Catarina aconteceu algo parecido recentemente com o Tubarão, que ganhou no campo, mas por uma decisão do Presidente da Liga foi colocado um resultado que não ocorreu no campo, dando ao Atlético de Minas Gerais uma vitória, quando ocorreu um empate, quando jogou com o Pelotas, porque o Pelotas foi punido exatamente porque o jogo não terminou em função de vários jogadores terem caído, segundo a sua interpretação.
Como aconteceu também com os jogadores do Caxias, que foi o grande beneficiado. Praticaram o “cai-cai” no Estádio da Ressacada, prejudicando o Avaí de conseguir fazer mais gols e conquistar o seu lugar ao sol. E nada aconteceu. Pelo contrário, o Caxias foi beneficiado e hoje o Rio Grande do Sul coloca o quarto time em detrimento de Santa Catarina.
Mas se o Rio Grande do Sul colocar cinco, seis ou dez, ele tem capacidade para isso, tem futebol para isso. Mas colocaram indevidamente, porque não ganharam no campo, porque faltava um minuto e a torcida, verificando que o jogo estava no fim, invadiu para comemorar.
Mas qual é o pecado cometido? É um pecado que infringe a legislação? Pode ser que infrinja a legislação, mas a regra não é igual para todos? A regra está sendo apenas contra nós que somos considerados pequenos no mundo esportivo do futebol brasileiro. Então, fiquei revoltado e conversei com vários Parlamentares.
Estamos aqui trazendo um requerimento para ser enviado à CBF, que mostra um inconformismo da Assembléia Legislativa, Sr. Presidente, de não aceitar uma decisão que, no nosso modo de ver, foi política, não técnica. E aí a imprensa e muita gente tem feito a seguinte ligação: - e eu também ousei faze-la -, será que não foi por causa da CPI do futebol? Será que não foi porque um Senador catarinense que, com galhardia, com brio, cumpriu o seu dever em aprovar um relatório que mostrou a corrupção dentro da CBF? Será que não foi porque depois de tantas e tantas caminhadas por Santa Catarina, pessoas da CBF, que vieram aqui tentar afastar da idéia do nosso Senador de apresentar aquele relatório, sem conseguir seu intento, agora deram uma resposta?
Acho que este também pode ter sido um dos motivos. A verdade é que nós não nos dobramos. O nosso Senador recebeu uma pressão terrível e mereceu os aplausos do povo catarinense, porque em que pese aqueles que conhecíamos, que eram os Parlamentares da bola, não venceram, na oportunidade, quando queriam derrubar e apresentar um novo relatório na CPI.
Ele apresentou o seu relatório, foi aprovado e hoje está na Justiça que, infelizmente, está muito morosa para apurar esta corrupção.
Para onde vai o nosso futebol, Sr. Presidente? Porque estamos tendo grandes dificuldades com a nossa seleção e quase não nos classificamos para a Copa do Mundo. É uma situação completamente difícil! As tabelas deste Brasil estão indo pelas tabelas. O nosso futebol está carente de decisões sérias que possamos reconhecer e aplaudir, porque o Brasil sempre foi o melhor do mundo no futebol.
Ainda temos melhores jogadores, mas não temos os melhores dirigentes. E eu quero, Sr. Presidente, manifestar o meu repúdio, em nome de Santa Catarina, porque o que vi e o que assisti me traz um inconformismo, e estou contestando aquilo que não gostei, porque repito a V.Exa.: frustrou toda uma comunidade, frustrou um Estado. Como aconteceu com o Figueirense no tapetão, aconteceu com o Tubarão numa decisão de um homem só.
Por isso estamos fazendo um requerimento, que gostaria de fazer a leitura, para verificar se os Deputados concordam, que todos assinem para que a Casa tire um documento oficial. Não é um requerimento agressivo, mas que mostra o nosso inconformismo.
(Passa a ler)
“Sr. Presidente, os Deputados signatários, em conformidade com o Regimento Interno desta Casa, requerem encaminhamento de mensagem ao Presidente da Confederação Brasileira de Futebol nos seguintes termos:
A Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, acolhendo proposição de vários Srs. Deputados, manifesta inconformismo diante da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva em eliminar o Figueirense Futebol Clube da Série A do campeonato brasileiro.”
A vaga assegurada ao time catarinense em campo é reflexo de um longo trabalho de sua diretoria e do empenho de seus jogadores. A decisão equivocada do Superior Tribunal de Justiça Desportiva em favor do Caxias, time que protagonizou espetáculo lamentável em território catarinense, que ficou conhecido como cai-cai, prejudica o Figueirense e o Estado todo de Santa Catarina.
O resultado conquistado dentro de campo é que deve prevalecer e este fato foi registrado na súmula pelo árbitro da partida. Invasões de campo são condenáveis e prejudicam o espetáculo, contudo não é a primeira vez que torcedores de times brasileiros, eufóricos, ansiosos para comemorar, movidos pela paixão de seu time, entram em campo antes do total encerramento regulamentar. E nem por isso estes times foram prejudicados. Não tenho conhecimento de nenhum.
A punição para tais fatos deve existir e para isso existem outros mecanismos e retirar um direito conquistado dentro do campo, neste caso específico, é um fato lamentável que prejudica o futebol catarinense, todo o Estado de Santa Catarina e a sua grande expectativa.
Estranhamos também uma decisão que prejudicou o outro time catarinense, o Tubarão, que foi eliminado do torneio Sul Minas por causa do julgamento do episódio que envolveu outro time gaúcho e que também protagonizou o cai-cai diante do time mineiro.
Estranho episódio da mesma natureza que envolveu o time beneficiado em detrimento do Figueirense até hoje ainda não foi resolvido. É preciso equidade no tratamento efetivamente. Isto não está acontecendo.
Sr. Presidente, estaria conformado se acontecesse com todas as equipes que participam de atos desta natureza.
Há dois ou três anos assistimos no estádio de São Paulo, num jogo entre São Paulo e Palmeiras, uma verdadeira guerra que levou à morte alguns torcedores e não aconteceu nada às equipes. Apenas a Justiça disse: vamos acabar com a torcida organizada, mas as equipes nada sofreram. O resultado foi mantido.
Sr. Presidente, como é que vamos acreditar, como é que vamos torcer pela nossa seleção brasileira que está indo para a Copa do Mundo, que é a maior alegria do povo brasileiro, com esta diretoria, com esta CBF que tem praticado gestos inadequados e irresponsáveis para com o futebol do nosso País? Santa Catarina foi prejudicada e não pode ficar calada.
Lembra-se V.Exa., no ano passado, quando prejudicaram o Gama, o que aconteceu. O time estava fora, eliminado, foi à luta, foi buscar resultados e a CBF quando sentiu a pressão política e a pressão da população de Brasília cedeu o espaço e o Gama voltou para a primeira divisão.
Então, se ela cede espaço é porque não tem autoridade para manter as suas decisões, porque não são decisões amparadas absolutamente na lei e na moral.
Por isso, Sr. Presidente, é que faço este pronunciamento veemente, pedindo a todos que a Assembléia se engaje, como se engajou a Câmara de Florianópolis, como está se engajando toda a sociedade e como deu a sua posição o Governador do Estado, que disse: embora avaiano, eu realmente defendo os interesses do Estado de Santa Catarina e estou à disposição na luta para que o Figueirense volte a sua situação conquistada dentro do campo.
Deixo a tribuna, Sr. Presidente e acho que este é um assunto importante para ser tratado hoje por esta Casa, para votarmos esta proposição, e que todos os Deputados assinem, num sinal de defesa dos interesses catarinenses, para mostrarmos a todos aqueles lá de fora que, quando o desejo pisar em Santa Catarina terão todos os catarinenses unidos para defender os nossos interesses, seja nas áreas educacional, esportiva, comercial ou industrial. De uma maneira total, precisamos defender os nossos interesses, especialmente quando o ataque vem de fora.
Por isso, Sr. Presidente, deixo a minha manifestação de solidariedade ao povo catarinense pela conquista feita pelo Figueirense. Se fosse o Avaí, o Marcílio Dias, o Tubarão ou qualquer equipe de Santa Catarina que tivesse disputado esta competição, estaríamos com a mesma veemência defendendo as cores bonitas do Estado de Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)