Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Rogério Mendonça

76ª Sessão Ordinária - 11/08/1999

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - (Passa a ler)

"Sr. Presidente e Srs. Deputados, uma matéria publicada no dia 1º de agosto, domingo, dada a sua importância e pioneirismo, motivou-me a assomar à tribuna para discorrer mais sobre o assunto focalizado, para cumprimentar a imprensa pela qualidade da matéria e para enaltecer os protagonistas pelo discernimento, competência e visão de futuro que tiveram ao implementar tal iniciativa.

Para parte da população urbana que já se utiliza no seu dia-a-dia de instrumental moderno de trabalho, bem como para os jovens que freqüentam escolas dotadas de material didático atualizado, a matéria publicada no DC pode não ter despertado a atenção, mas para nós, da agricultura, conhecedores da situação e do nível técnico do nosso produtor, e também para a própria família do agricultor, o artigo que tem o título ‘Curso para colono leva informática ao campo’ diz muito, tem um grande significado e se traduz em mais uma proposta e num apoio ao homem do campo.

O Curso de Informática para Agricultores é ministrado no Centro de Treinamento da Epagri, em Araranguá, e iniciou em março de 1998 quando ainda ocupávamos a Presidência da empresa. Convém registrar que se trata de uma iniciativa pioneira e inédita, é o primeiro do gênero realizado no Brasil e quiçá na área de abrangência do Mercosul.

É a informática chegando até a propriedade rural. Ainda que de forma pouco agressiva e não na velocidade desejada, o produtor rural está sendo municiado de dados, informações e programas que o auxiliam na tomada de decisões e o preparam para competir num mercado aberto e de economia globalizada.

O curso completo consiste em duas semanas de aula, sendo que na primeira o treinando aprende a operar e a manusear o computador, e na segunda semana é ministrado um programa de administração rural, produzido por técnicos da Epagri, próprio para ser aplicado às propriedades rurais catarinenses.

Esse programa faz a contabilidade geral da propriedade, demonstra entre as atividades desenvolvidas as mais rentáveis e as deficitárias e permite acompanhar o desempenho de cada uma das unidades produtivas. Isto é, evidencia ao produtor das variedades cultivadas, a mais e a menos produtiva; do rebanho bovino, a vaca maior produtora e a que deverá ir para descarte; das matrizes suínas, a mais e a menos prolífera, e assim por diante.

É a informática apoiando a formação do produtor rural do futuro.

O número de candidatos interessados superou em muito a expectativa. Isso prova que programas sérios, voltados para as necessidades do público e executados por profissionais competentes são bem aceitos e adotados na prática.

Do total de pessoas treinadas, 110 desde o início, a maioria é de jovens filhos de produtores, mas mulheres e homens adultos também se fazem presentes. O Diário Catarinense cita o exemplo da produtora Márcia Alba de Sousa Gonçalves, de 56 anos, que já adotou o computador como instrumento de trabalho e afirma que até o final do ano estará ‘plugada’ à Internet.

A unidade didática onde os cursos são realizados conta com material didático em quantidade e qualidade e com instrutores devidamente capacitados.

Os cursos de informática fazem parte de um programa maior conhecido como Programa Catarinense de Profissionalização de Agricultores e Pescadores, iniciado em 1998 e instituído por esta Casa pela Lei nº 8.194, de 18 de dezembro de 1990. O programa, hoje, abrange 48 atividades e leva ao produtor conhecimentos técnicos de produção e gerenciamento utilizados em países de Primeiro Mundo.

Desde seu início, em 1998, formou o total de 55.926 agricultores/pescadores, através de 3.971 cursos. Como resultado prático do Programa de Profissionalização, cito os três mil estabelecimentos de transformação de produtos, onde cada uma dessas pequenas indústrias ocupa 6,16 pessoas, significando a criação de 18.480 novas oportunidades de trabalho.

A par desse registro, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, faço a seguinte observação e apelo: instituições, a exemplo da Epagri, que desenvolvem programas de elevada importância social e econômica, como os aqui mencionados, merecem o reconhecimento e o incondicional apoio e suas ações devem ser estendidas a todos os Municípios do Estado. Os frutos da ação da pesquisa e assistência se fazem sentir nos mais diversos setores da economia e da sociedade catarinense. E para reforçar meu apelo, cito apenas mais três exemplos:

- o suíno hoje é vendido para o abate com 4,5 a 5 meses de idade, mas há 25 anos era vendido com 18 meses;

- O Brasil e Santa Catarina até bem pouco tempo eram importadores de maçã. Hoje, o Estado exporta e até compete em qualidade com a maçã de nossos irmãos argentinos;

- Cultivadores de arroz lançados em 98 atingem produtividades de até 10.200 kg/ha. A média das lavouras de arroz irrigado, em 10 anos, passou de 2.200 para 5.100 kg/ha.

Limitado pelo tempo, encerro prometendo retomar esse palpitante tema, oportunamente, com maiores informações.

Finalizando, quero enaltecer o espírito inovador da família do agricultor e do pescador catarinense, a competência dos profissionais que se dedicam à pesquisa, à assistência técnica e à capacidade e perspicácia da imprensa na busca e divulgação de matérias de tão elevado interesse para a sociedade."

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)