Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

76ª Sessão Ordinária - 11/08/1999

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ocupo a tribuna no horário destinado ao PPB para fazer coro àquilo que é a maior preocupação de todos os Deputados desta Casa.

Com todo o respeito que tenho por todos os Parlamentares, com todo o respeito que tenho pelo trabalho dos Deputados, quero dizer que chegamos a um momento em que a responsabilidade está depositada nas mãos dos Deputados. Chegamos a um momento em que as discussões de quem nos levou ou como nos levaram a essa situação ficam à margem. Agora, só nos cabe duas decisões, e uma delas é salvar o patrimônio de Santa Catarina oportunizando a federalização, pois só assim poderão permanecer esses mais de 5.000 empregos do cidadão catarinense.

Se assim não agirmos, a maior autoridade monetária deste País, que é o Sr. Armínio Fraga Neto, já determinou, através de um documento assinado por ele, a liquidação, já determinou a morte, o extermínio do patrimônio do povo de Santa Catarina! Isso nos dói e dói a qualquer homem público que nesse momento tenha que decidir somente sobre essas duas situações.

Eu até concordo com alguns membros da imprensa catarinense quando dizem que mais uma vez vamos gastar o dinheiro do povo para ir atrás de informações que nós já conhecemos! Ontem fiz parte de um grupo de Deputados que, mais uma vez, foi à diretoria do Banco buscar justificativas para o injustificável, buscar justificativas onde não tem, buscar justificativas para aquilo que nós já conhecemos!

Desta tribuna eu já disse, e agora repito, que a grande preocupação neste momento é a corrida para sacar o que se tem no Banco do Estado de Santa Catarina. Será que um de nós, em sã consciência, será que o cidadão catarinense que tiver suas economias aplicadas neste Banco, com essa calorosa discussão em relação a liquida ou federaliza, iria ser irresponsável a ponto de mantê-las lá?! Saca as suas economias, sim, com toda a certeza, aplicando-as em outro banco da cidade. Aí é que não vamos oportunizar sequer a federalização desse patrimônio para pelo menos salvar parte dele, pois estará fadado a uma liquidação antecipada.

Os R$800 milhões, não de caixa que o Banco tinha, não de liquidez que o Banco tinha, mas de depósitos do cidadão catarinense, já haviam baixado, no dia em que aqui esteve o Presidente do Banco para responder os questionamentos desta Casa, para R$80 milhões. Na visita que fizemos ontem à diretoria do Besc, Deputado Pedro Uczai, fomos informados que o valor já estava em R$56 milhões, e se hoje pegarmos o saldo, veremos que estará em uma situação mais preocupante ainda.

Esse é um assunto que temos que resolver com a maior rapidez. Esses 30 dias que nos deram para discutir a questão do Banco vai levar, com certeza, à bancarrota esse sistema financeiro importante de Santa Catarina.

Ontem, em função da visita à diretoria do Besc, estivemos em sua sede - que é uma das mais suntuosas sedes de banco deste País, na qual foram despejados R$13 milhões do cidadão catarinense ou desse sistema financeiro para a sua construção - e ficamos estarrecidos ao ouvir do Presidente, confirmado através de documentações, que um Diretor irresponsável ordenou uma despesa de quase U$5 milhões para investir na robótica. Só que esse equipamento comprado ainda está dentro da caixa, porque são necessários mais U$14 milhões para colocá-lo em funcionamento.

Foram ações desse tipo, Srs. Deputados, que levaram esse patrimônio do Estado de Santa Catarina à bancarrota! São fatos como esse que causaram o desastre na administração!

Agora, todos nós, homens públicos, estamos conscientes de que as empresas públicas são administradas com o "sentimento" do homem público. A empresa pública perdeu a competitividade, a empresa pública não é administrada, ou raramente é, com a responsabilidade e com o conhecimento necessários que hoje são exigidos pelo mercado. Hoje nós temos um mercado tão agressivo que o homem público, até pelo próprio sistema já não ser mais competitivo, quando passa a agir, quando toma a iniciativa, esta já se tornou obsoleta e o seu concorrente já está lá na frente, muito longe. Isso em função da demora de se tomar uma iniciativa. Essa é a realidade em que vivemos.

O Poder Público, infelizmente, em função de um sistema adotado no País, não é mais competitivo. Nós vivemos a era não da informática, mas a era da Internet.

Se o Bradesco, desta Capital, quiser investir na modernidade do seu Banco, quiser comprar o melhor computador, ele atravessa a rua e do outro lado compra um equipamento, instalando-o dentro da sua agência. Mas se o sistema financeiro público quiser fazer isso, ele terá que reunir a diretoria, discutir qual o equipamento a comprar, abrir licitação, comprar realmente, e na hora de instalar esse equipamento ele já não será mais útil, porque já tem um mais moderno no mercado.

Nós sabemos que hoje o sistema financeiro depende de agilidade. E essa empresa, o Besc, que tem entre os seus 5.300 funcionários mais de 1.300 lotados no Centro Administrativo, não pode, de forma alguma, se sustentar! Este Banco financia hoje 147 agências deficitárias, e quem paga a conta? O Besc está plantado em todos os Municípios de Santa Catarina, porque o povo está pagando a conta para que isso aconteça!

Sou defensor de uma agência prestadora de serviços no Município, mas através de um programa da sociedade, de um programa do Governo, porque uma instituição financeira não sobrevive pagando prejuízo. O Besc, hoje, gera mais de R$7 milhões de prejuízo/mês. E qual empresa sobrevive com esse enorme prejuízo? Só quando tem um homem que trabalha, um homem que luta, como é o cidadão de Santa Catarina, para pôr dinheiro nessas instituições falimentares! O povo precisa é de saúde, é de um programa de agricultura, é de desenvolvimento! O povo quer é oportunidade de emprego!

O nosso jornalista Moacir Pereira, conceituado em Santa Catarina, diz aqui no jornal que uma pequena agência da Grande Florianópolis possui 11 gerentes ou 11 pessoas que ganham como gerente e ao lado, próximo, há uma outra agência com movimentação menor que tem apenas um gerente.

Essa mesma agência financia para um abonado cidadão, apadrinhado do "senhor" PMDB que governava este Estado de Santa Catarina, em mais um de seus atos de irresponsabilidade, mais de R$1 milhão! Para um amigo, para um apadrinhado, para um afilhado! Foi assim a maioria das ações desse que foi o mais desastroso Governo que Santa Catarina já teve, desse que foi o mais irresponsável dos Governos, desse que deu o maior prejuízo à economia de Santa Catarina e que fez com que chegássemos a essa situação de perder um dos mais importantes patrimônios do nosso Estado.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché) (Faz soar a campainha) - V.Exa. dispõe de mais um minuto para concluir seu pronunciamento.

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Obrigado, Sr. Presidente.

Quando se fala aqui que não é só o Besc, que a Celesc está aí com 974 milhões, que a Casan está aí em situação falimentar, que a estrutura do Estado faliu, que é o povo de Santa Catarina que vai ser chamado para pagar a conta, que mais um bilhão vamos ter que enfiar no Besc, isso dói! Dói para cada um de nós, para cada Deputado que tem essa decisão importante sob a sua responsabilidade.

O Sr. Deputado Rogério Mendonça - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Desculpe-me, Companheiro Rogério Mendonça, mas o meu tempo se esgotou e por isso não posso lhe conceder um aparte.

Mas, aproveito para lhe dizer que eu, como Deputado, sinto ter que votar a favor da federalização do Besc, mas voto na defesa do patrimônio de Santa Catarina, voto na defesa dos 5.000 empregos, voto pelo zelo que tenho por esse patrimônio e que merece ser restabelecido, porque têm acionistas que colocaram dinheiro neste Banco e se ele quebrar, quebra o capital do acionista; se ele quebrar, quebra também aquele que aplicou dinheiro no Banco.

Por isso, temos que ter responsabilidade para defender este patrimônio, que é o patrimônio do povo de Santa Catarina.

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)