Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afonso Spaniol

88ª Sessão Ordinária - 01/09/1999

O SR. DEPUTADO AFONSO SPANIOL - Sr. Presidente e Srs. Deputados, após termos votado aqui nesta Casa, na semana passada, a emenda à Constituição que autoriza o Poder Executivo a vender o Besc para a União, eu fiz diversas reflexões, análises, para me situar e para tentar entender - porque sofri várias críticas - se acertei no meu voto ou se poderia ter votado diferente.

Gostaria de fazer algumas observações: já no início do mês de agosto enviei cartas-consultas a todas as agências e a todos os postos de serviços do Besc perguntando aos seus funcionários como o Deputado Afonso Spaniol deveria votar nesta questão da federalização do Besc. Até o dia da votação, Srs. Deputados, eu havia recebido 134 retornos das agências e dos postos de serviços pedindo que eu votasse autorizando a federalização do Besc. Apenas três respostas de agências vieram no sentido contrário, dizendo que a Assembléia deveria pagar para ver, como se dizia naquela época, deveria enfrentar o Banco Central e desautorizar a federalização do Besc.

Hoje, confesso que estou com a consciência tranqüila depois dessa votação. Tenho recebido inúmeros telefonemas de funcionários do Besc. Aí tem essa discussão, essa polêmica de que de um lado há (e existia) a pressão dos sindicatos e de outro lado há a pressão dos comissionados ou, quiçá, dos administradores do Besc. Mas, sem entrar nesse detalhe, porque numa circunstância dessa sempre há pressões de todos os lados, hoje coloco-me absolutamente tranqüilo sobre esta questão. E tenho a convicção de que se nós não tivéssemos votado naquele dia a federalização, sem dúvida nenhuma hoje o Besc estaria sob intervenção, estaria numa fase de liquidação e as agências do Besc, na sua grande maioria, hoje já estariam fechadas.

Então, sob este aspecto, em que pese as críticas que recebi, estou consciente de que votei, de forma serena, equilibrada - e hoje chego a essa conclusão depois de ter passado todo esse período -, acertadamente.

Também quero fazer uma alusão ao discurso do Deputado Onofre Santo Agostini. Enquanto o Deputado estava se pronunciando aqui da tribuna, eu estava folheando o Diário Catarinense justamente naquela página que dizia que o Governo Federal iria investir trezentos e poucos bilhões em Santa Catarina no próximo ano. Chamou-me a atenção - eu fiquei com os cabelos arrepiados quando constatei isso - que de Curitibanos para o Oeste catarinense apenas e tão-somente um trajeto de asfalto estava contemplado em todas as obras do Governo Federal. E não é uma das mais importantes, Deputado Onofre Santo Agostini. A BR que liga Maravilha a Campo Erê é, sem dúvida nenhuma, importante que saia, mas tanto quanto essa temos vários outros acessos: o acesso aos Municípios de Ouro Verde, de Entre Rios, de Paial, de Cunhataí, um Município que não tem acesso asfáltico, e várias sedes municipais hoje ainda ligadas por estradas de chão no nosso Oeste catarinense.

Então, realmente o Deputado Onofre Santo Agostini tem razão e eu faço coro com S.Exa. Também concordo com o Deputado Francisco de Assis quando diz que esta é mais uma intenção, colocada no papel, de se alocar um trilhão e poucos bilhões no Plano Plurianual. E quem vai-nos dar a certeza de que alguma coisa vai ser executada, principalmente no campo social, no campo da educação, da saúde, da segurança, necessidades tão prementes para o nosso País?

Realmente, assim como a maioria do povo brasileiro, hoje nós pagamos para ver, estamos um tanto descrentes com este Governo Federal. E dizia um jornalista numa entrevista na Folha de S. Paulo, no domingo passado, que hoje o Brasil já não tem mais Governo e ainda não tem Oposição. Eu acho que é mais ou menos por aí o dilema que vivemos no Brasil hoje em dia.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)