23ª Sessão Ordinária - 18/04/2001
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e companheiros Deputados, ocupo a tribuna na tarde de hoje para fazer alguns comentários que para mim são de fundamental importância. Mas não poderia deixar também de citar o importante discurso do companheiro e Deputado Volnei Morastoni, também aparteado pelo Deputado Heitor Sché.
Sem dúvida nenhuma, eu penso que grande parte dos problemas de segurança que enfrentamos não só em Santa Catarina, mas no Brasil, é porque colocamos toda uma estrutura da Polícia Militar a cuidar do trânsito. Crie-se a Polícia de Trânsito Municipal, esta que é a verdade!
Portanto, somos obrigados a fazer este comentário para dizer que concordamos com parte das colocações feitas, que também são verdadeiras, e que não entendemos, pois que há um empobrecimento muito grande da sociedade e que a indústria da multa transformou-se numa penalidade difícil de suportar por muitas famílias, ainda mais quando ela é feita de forma exagerada, apenas com o objetivo de arrecadar.
Mas quando se fala de indústria, estamos hoje nesta tribuna para falar um pouco do que acontece com a nossa gente, com o povo brasileiro, com o povo catarinense, quando vemos montadas indústrias do favorecimento, indústrias que vêm trazer prejuízos à sociedade.
E hoje estava fazendo uma relação dos salários que recebem os cidadãos e aí me estarreceram algumas coisas. Estava fazendo um levantamento de quanto ganha um motorista na iniciativa privada, R$400,00, R$500,00; de quanto ganha um vigia por aí afora em Santa Catarina, R$300,00, R$400,00; de quanto ganha uma professora em Santa Catarina, R$400,00, R$500,00; de quanto ganha um soldado em Santa Catarina, R$500,00, R$600,00, R$1.000,00;
Quanto ganha um engenheiro de uma Prefeitura de Santa Catarina? R$1.000,00, R$1.500,00. Quanto ganha um Secretário de Prefeitura em 95% dos Municípios de Santa Catarina? R$1.000,00, R$1.500,00. Quando ganha o Governo do Estado de Santa Catarina? R$4.500,00. Quanto ganha o Vice-Governador de Santa Catarina? R$ 3.600,00. Quanto ganha o Secretário de Estado em Santa Catarina? R$4.411,00. Quanto ganha um Deputado em Santa Catarina? R$6.000,00.
Foi avaliando isso que gostaria de relacionar algumas coisas que me surpreenderam.
Analisando a situação de uma empresa chamada Casan ou das empresas públicas de Santa Catarina, que hoje colocamos em discussão se devem ou não continuarem patrimônio público, acho que a sociedade, se soubesse desses detalhes, já há muito tinha dito: "pelo amor de Deus, com a conta da água que chega na minha casa eu tenho que pagar à Sra. Angelina Gonçalves, que é assistente administrativo, R$3.000,00, pagar ao Sr. Adelor Silva, auxiliar técnico R$3.070,00, pagar ao Sr. Altair Antônio Moreira, vigia, R$ 1.900,00, pagar ao Sr. Ademir Dário Oliveira, motorista, R$ 1.700,00, pagar ao Sr. Adolfo Laudelina de Jesus, instalador hidráulico/sanitário, R$2.000,00, pagar ao Sr. Aderlei Porto, administrador, R$7.765,00, pagar ao Sr. Alcei Pacheco, engenheiro, R$9.800,00, pagar ao Sr. Almir Reginaldo, advogado, R$6.800,00, pagar ao Sr. Antônio José Martins, vigia..."
Eles não têm culpa por lhe darem esses privilégio. Mas deram às custas do sacrifício do povo de Santa Catarina! Esse segundo vigia ganhando R$2.260,00.
Temos aqui uma secretária ganhando R$ 2.000,00, um assistente de administração, o Sr. Arcelino, ganhando R$4.600,00. Temos um contador, o Sr. Carlos Artur Araújo, ganhando R$8.000,00. Temos um engenheiro, o Sr. Carlos Anacleto, ganhando R$8.200,00. Temos um técnico de contabilidade ganhando R$3.500,00. Temos um jornalista, que deve saber fazer chover, porque ele ganha R$5.149,00. Temos um advogado, o Sr. Fernando Schroeder, ganhando R$7.158,00. Temos um assistente de administração, o Sr. Dalmo Menezes, ganhando R$7.000,00. E assim vai.
É com a conta da luz, é com o sacrifício de Santa Catarina que patrocinamos essas barbaridades. Pega-se um número sem fim, uma lista sem fim de abonados, que não vivem neste País da miséria que vivemos, neste País de sacrifício que vivemos, neste País onde temos que tratar os filhos muitas vezes com calo na mão, com muita dificuldade!
Essa indústria é que nos leva à bancarrota, à falência, à desmotivação e à revolta!
Está aqui uma outra indústria, que foi montada na Celesc, onde nos cabe perguntar, primeiro, como se explica que a Celesc, ou alguém, em sã consciência, assine um contrato de aluguel de um prédio, onde está a administração dessa empresa, no valor de R$290.000,00 por mês? R$ 290.000,00 é o faturamento do maior shopping de Florianópolis!
Que barbaridade! Em que País vivemos? E dizemos que não conseguimos acertar isso! R$3.480.000,00 de aluguel/ano, só do prédio administrativo dessa empresa!
Também não são só essas barbaridades que acontecem nessas empresas públicas. A indústria de ações trabalhistas, todas já com provável ganho de causa. Como explicar que um cidadão chamado Sr. Aldo Borges de Oliveira tem uma indenização trabalhista de R$2.140.000,00? Quem é esse cidadão? De onde veio, de que mundo veio para valer tanto? De onde veio o Sr. Augusto José Seixa Vargas para receber R$456.000,00 de indenização trabalhista?
Que País é este em que estamos vivendo?! E ficamos endoidecidos por não saber como sustentar os filhos! É uma barbaridade o que acontece neste Brasil! É uma barbaridade uma ação trabalhista, lá da região de Lages, no valor de R$11.444 milhões, que é o STI. É provável ganhar? É provável!
E assim vão essas indústrias. Vejam quantas folhas dos milhões e milhões de reais das indústrias, as quais não precisam de metralhadora, que assaltam e não respondem pelo crime, que assaltam e não tem cadeia, que judiam do povo e que faz irmos para a fila do INPS, que faz faltar o remédio em casa do cidadão mais carente, que falta condição do pai dar estudo para o filho, que falta condição de tratar da criança e de termos uma casa para morar.
Tudo isso por causa dessas barbaridades e tem quem venha defender esses escândalos. Tem alguém que ainda acha que isso deve continuar, que ache que é assim mesmo, mas temos é que nos livrar o mais rapidamente possível dessas barbaridades.
Por isso eu dizia que a Constituição Federal tem que ser rasgada o mais rápido possível, principalmente o artigo que não permite reduzir salário, não permite mexer em direito adquirido - ali onde está incluída a isonomia.
Isonomia é uma ofensa contra o bom servidor público, porque sabemos que os prédios estão cheios de pessoas incompetentes, de vadios, e que muitos nem trabalhar vêm, mas, no final do mês, ganham igual aquele que está aqui prestando serviço.
É uma vergonha este País que não respeita sequer o servidor honrado, trabalhador, nivelando-o igualmente ao vadio, ao picareta, ao apadrinhado, que nem aqui comparece. E esta Casa está aposentando servidor que nunca veio e que vai receber a sua aposentadoria para o resto da vida, só porque tem uma coisa que o ajuda, que é o padrinho, que é o irresponsável, que é aquele que não respeita o povo de Santa Catarina, porque se o respeitasse, todos os funcionários teriam que estar aqui, nesta Casa.
No entanto, se colocássemos aqui todos os funcionários, um do lado do outro, não teria lugar para todos, mesmo que ficassem em pé.
É esta barbaridade que se patrocina pelo Brasil afora e que está causando a verdadeira miséria que assola, que assusta, que estremece e que esmorece o cidadão e a população. Esta é a verdade! Temos que começar a clamar por um País mais justo, mais responsável...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Onofre Santo Agostini) (Faz soar a campainha) - A Presidência comunica que V.Exa. dispõe de 30 segundos para concluir o seu pronunciamento.
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Precisamos mexer nestas injustiças que não sensibilizam os governantes com relação àqueles que lutam com muita dificuldade, a fim de lhes oferecer o mínimo e o básico para o sustento da sua família.
Sou favorável a um salário digno às pessoas, sou favorável ao respeitar por quem trabalha, mas sou radicalmente contra aqueles que se aproveitam do Poder para viver bem e encontram aqueles padrinhos para protegê-los. O Brasil precisa de justiça!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)