82ª Sessão Ordinária - 01/09/2010
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, quero aproveitar esses minutos para tratar de dois assuntos, inclusive um deles já comentado nesta tribuna pelo deputado Edison Andrino, que diz respeito aos pedágios em Santa Catarina, mais precisamente na grande Florianópolis. No momento do pronunciamento queria ter pedido um aparte ao deputado Edison Andrino, e fiquei, inclusive, alguns segundos no microfone de apartes, mas entendi que seria melhor inscrever-me para assomar à tribuna e tecer alguns comentários sobre esse pedágio na BR-101.
Não estou querendo dizer que não poderíamos ou não deveríamos ter esse pedágio, a verdade é que se o PT não estivesse no governo não o teríamos, tenho certeza absoluta, porque iria ser um caos total, uma correria, um trancamento de estrada que iria virar uma loucura. Por isso não teríamos pedágio na BR-101. Mas tem!
Tem, e o nosso trecho Florianópolis/Joinville está sempre em manutenção. E aí vem a conversa que eu quero ter com os senhores. Está sempre em manutenção, e é necessária a manutenção, mas por que esse trabalho na BR-101 tem que ser realizado durante o dia? Quem viaja como eu, e como vários deputados, sabe o que é transitar naquela rodovia à tarde, principalmente com a empresa responsável pelo pedágio fazendo arrumação na estrada.
Às vezes é um trecho de 30m, mas eles colocam cones em meio quilômetro. É uma coisa que não conseguimos entender. E a fila fica quilométrica. Ontem eu tinha uma reunião em Araquari, município vizinho a Joinville, e outra em Florianópolis. Eu saí às 15h30 de Araquari e cheguei às 19h15 em Florianópolis, tudo por conta dessa tal arrumação que a empresa faz ao longo da BR. A empresa não quer saber do melhor horário, manda fazer, não está nem aí com o caos que se estabelece na BR-101. Não está nem aí!
Em Joinville, há o Moinho da Oma, perto da primeira entrada da cidade, um restaurante tradicional que serve marreco com repolho roxo. Eles resolveram simplesmente acabar com aquele restaurante, não querem saber se é tradicional, não querem saber de nada. Já fecharam a entrada para Joinville depois do viaduto e estão desviando a saída da BR-101 para mais longe do restaurante, porque a pessoa não pode fazer a manobra ali. Estão matando a pau! Não adianta apelar, não adianta pedir, porque não estão nem aí.
Outro caso sério é a questão do pedágio aqui, em Florianópolis. Inclusive, já tivemos muitos apelos dos deputados daqui e de outros deputados, entre os quais me incluo, no sentido de que haja sensatez por parte dessa concessionária em relação à cobrança de pedágio numa rodovia que nem foi terminada ainda. É a primeira vez que vejo cobrar pedágio por um lugar que não foi duplicado, em que não foi feito nada ainda.
Estipularam um número x de veículos. Quem se cadastrou se cadastrou, e quem não se cadastrou não se cadastra mais. Um negócio assim: se quer, quer, se não quer, vá procurar a sua turma, como diz o ditado. Não estão preocupados com aqueles que dão sustentação a eles.
Eu represento um segmento muito grande em Santa Catarina, o segmento dos motociclistas. Transito muito de motocicleta de um lado ao outro do estado e tenho recebido inúmeros apelos desse segmento para que conseguíssemos a isenção do pedágio para as motocicletas. Inclusive, eu gostaria de saber como e de que jeito uma motocicleta estraga o asfalto, para estarem cobrando pedágio de motocicleta. Qual é o estrago que uma motocicleta faz no asfalto para estarem cobrando pedágio? Eu queria também que um cidadão desses que faz parte de uma concessionária saísse por uma estrada de moto para ele ver como é o esquema de parar num pedágio. Você para de moto, tem que tirar o capacete, as luvas, desamarrar-se todo para achar R$ 0,60 para pagar. Aí fica aquela fila atrás de você, alguns reclamando pela demora, e você tem vontade de mandar para aquele lugar. Tudo por conta de R$ 0,60.
Fizemos reuniões com o pessoal responsável, fomos conversar, chamamos para conversar, mas não estão nem aí. A resposta é que faz parte do contrato a exploração da rodovia, e eles não podem abrir mão de arrecadação.
Em vários estados deste país, também fora daqui, no Chile, na Argentina, no Peru, você passa pelos pedágios e não paga pedágio com motocicleta. Eu já tive oportunidade de ir do Peru até o Chihuahua, lá embaixo. E não se paga pedágio de motocicleta nesses países. Aqui no Brasil em alguns estados não cobram, varia conforme a boa vontade do cidadão. Alguns entendem que a motocicleta não atrapalha. Outros acham que a motocicleta arrebenta com o asfalto, que tem que cobrar. É uma coisa impressionante e intolerável a forma como esses cidadãos que detêm a concessão dessas rodovias tratam os cidadãos catarinenses.
Eu quero me solidarizar com o deputado Edison Andrino, que falou, pela manhã, em relação ao pedágio em Florianópolis, porque é o fim da picada o cidadão ir para casa e ter que pagar pedágio. Sai de casa para ir ao mercado e tem que pagar pedágio. É o fim da picada isso que fazem na Grande Florianópolis.
Quem sabe, tenham um pouco de sensibilidade e coloquem seus funcionários para arrumar a rodovia à noite, de madrugada. Tem que ser na hora daquele movimento infernal, durante a tarde ou durante a manhã, e ficar aquele engarrafamento de horas? Quem vai daqui para o norte do estado sabe disso. Então, que haja a sensibilidade por parte dessas pessoas que detêm essa concessão, aliás, essa galinha dos ovos de ouro que ganharam aqui em Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)