40ª Sessão Ordinária - 21/05/2008
O SR. DEPUTADO JOSÉ NATAL - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas e catarinenses, no horário do nosso partido, o PSDB, vou dar continuidade ao pronunciamento feito na parte da manhã, também no horário do partido, pelo líder da nossa bancada, deputado Marcos Vieira. E com certeza ele externou daqui a sua preocupação e, acredito, de todos os srs. deputados e de toda a sociedade brasileira. E se ele tiver juízo e responsabilidade, deve ser também a preocupação do presidente Lula e de sua equipe de governo.
A imprensa vem divulgando diariamente índices de aumento da inflação em nosso país. E para que ela não comece a alcançar patamares quase fora da realidade, serão necessárias intervenções muito fortes por parte do governo federal.
No dia-a-dia as pessoas estão indo aos supermercados, às padarias, etc. e visto que, com o mesmo valor em dinheiro que gastavam menos de uma semana atrás, não conseguem mais adquirir as mesmas mercadorias. E isso está sendo comprovado, hoje, através da Folha de S.Paulo, conforme se reportou o líder da minha bancada, deputado Marcos Vieira, na manhã de hoje.
Só quero ler aqui uma parte da matéria que fala do nosso pão sagrado de cada dia, já que ainda temos um grande número de brasileiros neste país que ganham única e exclusivamente para comprar o pãozinho sagrado do dia-a-dia, quando conseguem alguma coisa. Mas diz a Folha de S.Paulo:
(Passa a ler.)
"Pressões 2
As carnes bovinas, que também vinham em queda, começaram a reagir e acumulam 2,51% nas últimas quatro semanas. Alguns tipos de cortes, como a costela, tiveram alta de 6%."
Olhem que a costela é, como se diz na língua popular, a comida do pobre, porque ele pensa que faz muito efeito por causa do preço e acaba ainda tendo perda.
(Continua lendo.)
"Efeito trigo
Já a elevação do trigo no mercado internacional trouxe mais pressões internas sobre a farinha e pãozinho. Dados da Fipe indicam que a farinha de trigo ficou 13% mais cara em quatro semanas, puxando os preços do pão francês em 7% no período."[sic]
Então, em quatro semanas, o pão francês aumentou 4%.
Então, é a preocupação de todos os brasileiros. E com certeza absoluta nós, do PSDB, que no passado éramos extremamente criticados por este governo que aí está do PT, dizendo que não tínhamos um plano de governo, que não tínhamos uma ação de governo efetiva para frear a inflação no período em que Fernando Henrique Cardoso tinha adentrado no governo como ministro da Fazenda e, depois, como presidente da República, esperamos que, com relação ao que está começando a deslanchar agora em termos de inflação, o PMDB, que apóia o governo em nível nacional, e o próprio PT, que é, efetivamente, o comandante maior da nação, façam alguma coisa para não deixar a população brasileira viver momentos de crise na inflação que vivemos no passado. Fernando Henrique Cardoso deixou este país nos trilhos para que o presidente Lula e sua equipe não cometessem deslizes para que o país vivesse com uma inflação estabilizada.
Então quero, desta tribuna, deixar esse alerta de que todos nós devemos ficar vigilantes e cobrar do governo federal uma ação efetiva contra o aumento de inflação neste país, que começou nos últimos 50 dias a deslanchar para um patamar muito alto. E se deixarmos mais 40 ou 50 dias, eles não terão condições de suportar.
O Sr. Deputado Marcos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOSÉ NATAL - Ouço o grande líder da minha bancada, deputado Marcos Vieira.
O Sr. Deputado Marcos Vieira - Deputado José Natal, na sessão matutina, eu abordei exatamente a questão do alto índice do custo de vida que hoje nos assombra, bem como a alta arrecadação de impostos que o governo federal vem obtendo a cada mês que passa.
Lembro-me de que quando a inflação chegava a 80% ao mês, sabiamente, o então candidato à Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda do então presidente Itamar Franco, colocou em prática aquilo que o povo brasileiro mais desejava: um plano que estabilizasse a moeda: o Plano Real. Inclusive, o atual senador da República, Neuto De Conto, foi o relator do projeto do Plano Real em 1994. A inflação despencou, o custo de vida estabilizou e a população passou a ter mais condições de compra no país; a população passou a ter mais alimentos em casa; a população passou a fazer com as nossas riquezas girassem mais rapidamente dentro do Brasil.
Ora, passados 14 anos, quem, hoje, tem por volta de 18 anos de idade não se lembra da inflação de 80%; só se lembra de inflação de 1%, de 0,5%, de 2%, mas enquanto o presidente Fernando Henrique Cardoso foi governo, a inflação ficou absolutamente normalizada. Hoje a inflação já começa a assustar a população brasileira. Se deixarmos a situação ficar como está, nós vamos chegar a uma inflação de mais de 6% este ano. Nós já vemos isso nos jornais; v.exa. mostrou a Folha de S.Paulo e hoje pela manhã eu mostrei vários jornais. A população está comprando menos porque começa a ter menos dinheiro. Uma senhora deu uma entrevista numa grande rede de televisão dizendo que o almoço de domingo com convidados não acontece mais, deputado José Natal! O presidente Lula disse que a inflação prejudica o menor. Quem ganha então? É o agricultor? Não! O agricultor está pagando mais caro o fertilizante. Os sais minerais aumentaram 70% ou 80%, os vermicidas tiveram um aumento de 30%, deputado José Natal.
Eu agradeço o aparte! Mas está aumentando! Presidente Lula, controle esse leão!
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO JOSÉ NATAL - Se reeditar a CPMF vão sobrar no caixa do governo, dando aumento para o funcionário público, R$ 11 bilhões...
(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DE ORADOR)