Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

77ª Sessão Ordinária - 14/10/2008

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, srs. deputados, senhoras e senhores que participam desta sessão através da TVAL e da Rádio Digital Alesc, quero cumprimentar também todos os que participam da sessão nas galerias desta Casa, especialmente os vereadores e prefeitos eleitos que nos estão acompanhando, e, de uma forma especial, o vereador Jones, do DEM de Brusque, e a sua comitiva.

Sr. presidente, eu também me sinto parte integrante da congregação dos padres do Sagrado Coração de Jesus, até porque durante sete anos fui seminarista da congregação dos padres dehonistas, do Sagrado Coração de Jesus, em Rio Negrinho, em Corupá, em Curitiba, onde, na época, os meninos faziam o primeiro e o segundo graus antes de fazerem a faculdade de Filosofia. E esta semana essa congregação dos padres dehonistas está de luto por uma grande figura que se despede: o padre Pedro Paloschi, natural de Botuverá, que representa também naquela comunidade uma família humilde, porém influente, nascido em 1943, que hoje teria 65 anos.

Os pais, agricultores, plantavam milho, feijão e fumo, que era a renda, na época em que ele era pequeno, de todas as famílias de Botuverá. Em 1955, 1956 foi estudar no seminário e em 1970 ordenou-se padre, o padre Pedro Paloschi.

Por onde passou ele deixou marcas indeléveis. Foi vigário em Brusque, tinha muitos amigos, tinha um grande coração, um coração sincero, uma mente aberta para os jovens, aberta para novidades. O padre Pedro foi vigário em Guabiruba e, como italiano, estava sempre lá no meio dos alemães, mas todos gostavam muito dele. Gostavam justamente pelo seu jeito carinhoso de tratar todas as pessoas. Foi vigário em Cianorte, no Paraná, foi vigário em Joinville durante muito tempo e marcou a sua passagem por esse jeito afetuoso de tratar as pessoas. E agora era vigário em Jaraguá do Sul.

Era bem quisto pelos paroquianos, pela comunidade em geral e também era muito bem quisto pelos colegas, pelos padres, pelos ex-seminaristas, por todos aqueles que o conheciam melhor, que o conheciam de fato.

E na semana passada, no dia 8, quarta-feira, ele vinha de uma reunião dos padres e numa avenida em Jaraguá do Sul, quando o sinal estava verde, onde ele deveria ter virado para a direita ou para a esquerda, seguiu reto, batendo contra uma árvore. O padre Pedro machucou o pulmão, quebrou a bacia, enfim, teve múltiplas fraturas pelo impacto, foi para a UTI, depois de alguns dias evoluiu uma insuficiência renal e no dia 12, dia da Nossa Senhora Aparecida, ele se despediu. Despediu-se deixando uma grande marca por todos os lugares onde passou. Sei que todas as comunidades que souberam dessa fatalidade prestaram de lá a sua homenagem.

Jaraguá do Sul, onde ele estava residindo e onde era o pároco, prestou uma homenagem ao padre Pedro com a missa de corpo presente. Uma multidão acorreu para aquela homenagem.

Em Botuverá, a sua terra natal, ele foi sepultado no dia de ontem com a missa de corpo presente com mais de 40 padres, parece-me que com 44 padres. Uma multidão esteve lá presente e talvez precisasse de três ou quatro igrejas do tamanho da paróquia para caber todos que vieram de Botuverá, de todas as comunidades, de todas as localidades do município que acompanharam, ou seja, de Brusque, de Jaraguá do Sul, de Corupá. Enfim, várias caravanas acompanharam aquele grande evento de despedida do padre Pedro, que deixou saudade para todos nós, que deixou saudade para a congregação e certamente muita saudade em Botuverá.

Por isso eu elaborei hoje, nesta Casa, um requerimento para ser dirigido à Paróquia São José de Botuverá, bem como à Paróquia São Sebastião de Jaraguá do Sul e à sede provincial da congregação dos padres do Sagrado Coração de Jesus, o Brasil Meridional, com sede em Curitiba, que tem hoje como superior geral o padre Léo Heck, enviando os sentimentos não só deste deputado, como também da Assembléia Legislativa que representa o estado de Santa Catarina e que reconhece o trabalho que o padre Pedro fez pelas muitas paróquias por onde passou. E eu sei também que é igual ou parecido ao trabalho de muitos padres e religiosos, trabalho esse que, sem dúvida alguma, contribui grandemente para a formação da sociedade.

Hoje nós temos uma sociedade justa, uma sociedade equilibrada e isso se deve a uma porção de fatores: à questão da nossa família, à questão da escola e à questão da religião. E a religião católica - cada um tem direito de ter o seu credo - é ainda a que tem maior contingente de pessoas. Mas há padres, freiras, pastores em todas as religiões, abnegados que com a sua orientação dão melhor qualidade de vida às pessoas, justamente por terem uma alma dirigida, uma alma equilibrada, um espírito equilibrado com a realidade.

Por isso a Assembléia Legislativa reconhece, através da homenagem que nós encaminhamos hoje ao padre Pedro Paloschi, esse seu belo trabalho que também todos os padres fazem por este estado afora. Mas hoje prestamos esta homenagem carinhosa e especial a ele, inclusive de Botuverá, que elegeu para a prefeitura o sr. Antenor Escort, do Partido dos Democratas, tendo como vice-prefeito o Pedro Paulo Costa, do PSDB. E eu, como tenho uma irmã que participou como candidata à vereadora desse município, vamos propor, para o início do ano que vem, se não acontecer antes, que lá seja feita uma homenagem também ao padre Pedro numa grande rodovia ou numa grande escola, enfim, com alguma obra grande, dando destaque ao tamanho do padre Pedro Paloschi, para lembrar sempre essa figura que ele foi, pela importância que teve em todas as cidades por onde passou, por levar, a todos os lugares que foi, o bom nome da sua gente, da sua família, da cidade de Botuverá, que hoje é um município com 4.500, não chega a 5.000 mil habitantes. Mas eu sei que a sua família, o pai e a mãe já morreram, a formação da sua família é muito parecida com a família de todos os catarinenses.

Então, nossos parabéns e nossas condolências...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)