Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

92ª Sessão Ordinária - 25/11/2008

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, demais pessoas que nos acompanham nesta sessão, telespectadores da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, falava no pronunciamento anterior da situação vivida, nesse momento por pelo menos por 1/3 da população catarinense - e esse é o assunto da tarde de hoje neste Parlamento, nem poderia ser diferente -, em virtude das chuvas que caíram de forma insistente no nosso litoral nos últimos três meses, quase todos os dias.

E quem mora por aqui sabe que faz muito tempo que nós não temos, aqui na Grande Florianópolis, um dia inteiro de sol, aqueles dias que amanhecem com sol pela manhã e terminam com sol à tarde. Se formos puxar pela memória, ninguém irá lembrar quando foi esse último dia. Ou seja, chove quase todos os dias há mais ou menos três meses aqui na Grande Florianópolis, em toda faixa litorânea abaixo da Serra do Mar.

E sabemos que esse é um fenômeno que tem explicações pelos estudiosos do assunto, mas nunca foi percebido de forma tão absoluta, porque se chove bastante no litoral, a chuva chega também no planalto; se não vai até o oeste e o extremo oeste, mas ela chega ao planalto, chove na serra catarinense, quando chove no litoral. Ou pelo menos quando há uma semanada de chuva, ela atinge a serra catarinense. Mas dessa vez está sendo diferente. O deputado Dirceu Dresch falava em dez dias ou mais de sol contínuos no oeste e extremo oeste do estado, uma situação que pode levar à estiagem, e aqui, toda essa chuva.

Falava anteriormente da situação incrível de a pessoa sair de São Bento do Sul, Campo Alegre pegando o tempo seco - não só o asfalto está seco, mas se vê que a terra está seca, enxuta, e dez quilômetros na frente, descendo a serra, nós nos deparamos com chuva sem parar. E tivemos essa experiência duas vezes, uma para descer e outra para subir de volta. Quando chegamos lá em cima nada de chuva.

Pegamos sol, ontem, no planalto norte; até Lages, sol, e aqui não pára de chover. Claro que hoje parou, mas não é a realidade das últimas semanas; hoje tem dado algumas pancadas, mas não tem chovido de forma insistente com tem ocorrido.

Há chuvas mais concentradas também aqui no Morro dos Cavalos até a serra que sobe para Curitiba. Em Joinville outro fenômeno importante. É claro que chove nas demais partes do litoral e no litoral de outros estados, mas muito menos do que tem chovido aqui nessas áreas.

O Sr. Deputado Elizeu Mattos - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Pois não!

O Sr. Deputado Elizeu Mattos - Deputado Sargento Amauri Soares, este tema que hoje aqui domina assusta os catarinenses. Há pouco fiz um pronunciamento e falei da solidariedade e da campanha de arrecadação.

Chegou-nos a notícia, deputado Valmir Comin, de que só a região serrana já arrecadou até agora 13 mil litros de leite, isso de ontem de para cá. Mas pretendemos até sexta-feira estar com 20 toneladas de alimentos.

Vale à pena destacar isso e provocamos as demais regiões para que façam o mesmo que a serra catarinense está fazendo!

O Sr. Deputado Reno Caramori - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Pois não!

O Sr. Deputado Reno Caramori - Deputado, a realidade é esta: nós só acordamos quando a coisa realmente acontece; quando alguém dá pedradas na janela, nós acordamos, e foi o que aconteceu. Nós não estamos prevenindo. Entra ano, sai ano e os políticos e os homens responsáveis esquecem de muita coisa, que seria a proteção da nossa gente no decorrer do dia, do mês, do ano, e para perpetuar. São os cuidados na hora de construir uma casa, na hora da autorização para a construção da residência, na hora da confecção de uma rodovia onde as encostas são perigosas e não se dá a atenção devida. E aí ocorre o que está ocorrendo.

Hoje, antes de sair de Caçador, eu liguei pela manhã para os sindicatos, as associações e as empresas de transporte de Caçador e região pedindo que tivessem cuidado porque tínhamos problemas no litoral. Acompanhamos, através da imprensa, e por telefone com o Deinfra, o DNIT e a Polícia Rodoviária Federal, pari passu todo o problema e alertamos. Mas eles diziam: "Deputado Reno, tem sol alto. Por que estás falando em estrada interompida para os menos desavisados"? Eu respondi: hoje existe uma comunicação através de rádio, fax, com os cidadãos nos caminhões. Então é importante que alertem os motoristas que se deslocam para essas regiões e tomem cuidado. Como não chove na nossa região, eles pensam que está tudo seco, mas é só da BR-116 para cima que está assim. Na medida em que se desce para a orla marítima, começam a acontecer os grandes problemas.

Por isso é importante que as nossas autoridades alertem a comunidade toda. Falava com um carreteiro que vinha de Curitiba, tentou por Joinville, não deu e veio por aqui, mas encontrou problema em Águas Mornas e não vai passar. Mantivemos contato com o dr. Edemar Martins, do DNIT, para que mande verificar na saída do asfalto em Águas Mornas, no sentido norte/sul, à esquerda, que está com problema e daqui a pouco não passará mais ninguém.

O problema é o alerta - e não é só o socorro - para o que pode acontecer daqui para frente!

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, deputado Reno Caramori.

Essa situação é mesmo grave! Os caminhões que vão para o Rio Grande do Sul, que passariam pela BR-101, estão indo pela BR-116. As famílias que tentam descer para a Grande Florianópolis acabam ficando perdidas pelas estradas, tornando até uma situação de crise, de dificuldade, por falta de hotéis nas cidades aonde conseguem chegar.

Falava também da decisão da diretoria da Aprasc de suspender temporariamente as manifestações que estavam previstas com relação ao pagamento da Lei n. 254.

Nós estamos numa situação de catástrofe; 100% dos praças da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos estão empenhados em salvar vidas, e nós não temos condições de prosseguir com as nossas mobilizações por questões objetivas, mas também pela sensibilidade humana, porque a hora é de ajuda humanitária, é hora de salvar o nosso povo, defender mais vidas.

A orientação da Defesa Civil e dos órgãos de segurança tem sido, nas últimas horas, de dar prioridade a salvar vidas. Isso significa dizer, muito mais do que parece, que onde há desbarrancamento, há casa soterrada e há, provavelmente, gente morta lá embaixo. E a orientação é tirar as pessoas que estão em situação de risco e que ainda estão com vida.

É uma situação muito grave e por certo o número de mortos aqui no estado vai aumentar; é possível até que passe de uma centena, até que se termine esse processo de busca. É uma situação muito grave e a nossa solidariedade ao povo catarinense.

Todos os companheiros estão trabalhando, foram deslocados de outras regiões para cá para ajudar nesse trabalho.

O cronograma de atividades que estava previsto, de mobilizações da Aprasc, está suspenso de forma temporária. Isso não significa que as reivindicações deixaram de existir. Elas permanecem, mas no momento oportuno, quando não tivermos mais ninguém em risco de vida, quando não tivermos mais nenhum catarinense em desabrigo absoluto, então retomaremos esse trabalho, essas mobilizações. E é preciso deixar todo mundo sempre de prontidão, sempre alerta para que possamos retomar esse trabalho com busca também aos nossos direitos.

Mas a hora é de ajuda humanitária, a hora é de ajudar e contribuir cada vez mais com a defesa da nossa população que está em áreas de risco.

Muitos companheiros estão trabalhando há 96 horas sem parar e, portanto, nós, da reserva remunerada que estamos fora das escalas, devemo-nos - e essa é a orientação - apresentar no local onde estamos sendo necessários para ajudar os nossos companheiros a sair dessa fadiga, porque provavelmente muitos estão em situação de risco extremo buscando salvar a vida do povo catarinense.

Tivemos contato com as autoridades da Defesa Civil: major Márcio Luiz já na manhã de ontem; comandante da Polícia Militar, coronel Eliésio Rodrigues, e estamos à disposição, sim, para ajudar a salvar a população e contribuir com os companheiros que estão na frente de batalha.

Muito obrigado!

(EM REVISÃO DO ORADOR)