92ª Sessão Ordinária - 25/11/2008
O SR. DEPUTADO CESAR SOUZA JÚNIOR - Sr. presidente, srs. deputados e sra. deputada, só agora com o passar dos dias começamos a ter uma noção um pouco mais clara da extensão da tragédia que se abateu sobre o estado de Santa Catarina.
Não é hora de avaliar prejuízos, não é o momento de pensar em recuperação; é hora ainda de salvar vidas! E isso se torna mais fundamental nesse grande esforço empreendido pelo governo do estado de Santa Catarina, também com o apoio já desta Assembléia Legislativa, na aquisição de botes para a Defesa Civil, de instrumentos de salvatagem, como também na aquisição de mantimentos, roupas e colchões àqueles milhares de atingidos. É momento de pensar que ainda há grande risco.
Neste momento, srs. deputados, já começa a aparecer o sol em Santa Catarina, mas é o momento de especial cuidado posto que essa tragédia, diferentemente das 1982 e 1983, é uma tragédia sobretudo de desmoronamento e não de afogamento. Das 69 mortes confirmadas até esse momento, apenas uma deu-se em decorrência de afogamento, todas as outras foram por desmoronamento. Inclusive, na região da Grande Florianópolis acabou de ser confirmada a morte de uma senhora, em São Pedro de Alcântara, nesta manhã, pois apareceu o sol, ela achou que já estava tudo bem, foi para a sua loja de aluguel de roupas trabalhar normalmente e acabou tendo a sua loja engolida pela terra. O corpo dela foi encontrado agora por volta do meio-dia. A sua filha estava junto, mas conseguiu fugir. Ou seja, é um momento de risco porque se consegue perceber quando o nível da água sobe, agora a terra molhada como está é imprevisível.
Então, é importante que nós, através da TVAL, que é acompanhada em todo o estado, e da Rádio Alesc Digital façamos este alerta, com muita força: aqueles que já pensam em retornar às suas residências têm que ter muita prudência, sobretudo aqueles que vivem em regiões, em áreas próximas das encostas, porque ainda é muito grave o risco de novos desmoronamentos, como os que vêm acontecendo nas nossas estradas. Tivemos hoje pela manhã mais um desbarrancamento na região de Águas Mornas, na BR-282, mas novos podem acontecer.
É momento de união, de arrecadação de mantimentos e de roupas. A situação mais aguda e mais grave neste momento acontece, sem dúvida, nos municípios de Itajaí e Blumenau. A cidade de Blumenau neste momento está completamente isolada de outras regiões; o acesso via Gaspar, deputado Gelson Merísio, que era possível até horas atrás, também está interrompido.
Temos que destacar a heróica atuação da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros do nosso estado, mas, com certeza, Santa Catarina, com seu povo, com seus líderes, passa a partir de agora por um grande teste. A solidariedade da nossa gente, não tenho dúvida, não faltará. A Assembléia já se colocou à disposição para a arrecadação, e nessa grande ação do presidente Julio Garcia, passando pelo hall pude perceber que vários alimentos e mantimentos já começam a ser doados.
Mas volto aqui a dizer que não é hora de inflamar discursos; é hora de agir e trabalhar. Este Poder está atento, mas antes de se falar em recuperação, em valores e em dinheiro, é hora, sim, de que a ação firme do estado e principalmente a informação possam contribuir para o decisivo salvamento de vidas humanas que ainda podem se perder no nosso estado. É o momento, sobretudo, de informar à população.
Com certeza nos próximos dias nós teremos desafios enormes e gigantescos pela frente; desafios que vão testar inclusive a capacidade dos líderes, dos homens públicos deste estado e da sociedade civil. Mas não tenho dúvida de que Santa Catarina vai sobrepujar essas dificuldades, esse grande teste da natureza pelo qual passamos.
Nesse momento em que ainda estamos consternados, em que vários parlamentares aqui não se encontram por não conseguirem acessar à capital do estado de Santa Catarina, é hora de dizer que o Poder Legislativo está alerta, está atento e está à disposição da sociedade catarinense.
Mas volto a insistir às pessoas que nos assistem agora, que nos acompanham, que pegar a estrada neste momento só em caso de extrema e absoluta necessidade, porque desmoronamentos e desbarrancamentos ainda podem acontecer em várias estradas. Eles continuam acontecendo. Só deve pegar a estrada quem realmente tiver uma necessidade imperiosa, uma questão de saúde, de vida ou morte, porque a situação ainda é grave.
Santa Catarina, mais uma vez, é testada pelas forças inclementes da natureza. Santa Catarina, mais uma vez, tem a força, a têmpera da sua gente testada por uma grande hecatombe natural. É hora de salvar vidas, é hora de tomar cuidado da nossa gente para que mais vidas humanas não se percam. É hora também - e aproveitando a presença aqui das autoridades federais - de cobrar desde agora o auxílio fundamental, que tem que ser mais ágil do que foi o auxílio governamental federal nas cheias de final de janeiro, até em função do tamanho e da dimensão dessa grande tragédia.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)