Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

13ª Sessão Ordinária - 08/03/2007

O SR. DEPUTADO SÉRGIO GRANDO - Sra. presidente, deputada Ana Paula Lima, e companheiros deputados, o mundo moderno da robótica, da automação e da informática gerou um desenvolvimento que, para apresentar excelência, produtividade, gera a conseqüência do desemprego no mundo, nos países em desenvolvimento.

Mas não podemos negar a evolução da ciência. Se o sistema binário zero e um... Nós podemos fazer todas as nossas contas - adição, subtração, radiciação, exponenciação, derivada e integrada - por sistema decimal, e sabemos que a máquina também faz todas as operações, no caso, com zero e um. Podemos ter outras bases numéricas para realizar operações, base 5, base 3, mas o zero e o um essencialmente significam liga e desliga, ou seja, sim e não.Dessa maneira, de forma ágil, a informática permitiu decodificar o DNA humano e, em conseqüência, o genoma. E como conseqüência trouxe a cura para as principais doenças, de forma ágil, preventiva e rápida.

Esse zero e um do sistema binário, do sistema de informática, gerou um processo dos transportes - tudo sincronizado, o mundo passou a ter agilidade e rapidez. Em conseqüência disso, temos que lutar, e estamos lutando cada vez mais, para a democratização da informática, desses dados, do mundo econômico que surgiu, porque não mais só o circuito integrado, mas também os semicondutores se fazem presentes.

Vimos que a conseqüência da não-democratização gerada por esse processo da informática fez com que tivéssemos uma catástrofe, e o mundo ficou aterrorizado. Os satélites, quatro horas antes, já sabiam que aquele Tsunami produzido na Indonésia iria ocorrer, mas, no entanto, não havia comunicação para, de forma preventiva, avisar. Com certeza, se aquilo fosse para a costa americana, haveria alguma mobilização, mas como eram países pobres, em desenvolvimento, mais de 250 mil pessoas morreram, mais do que com as duas bombas de Hiroshima e Nagasaki.

Qual a conseqüência disso? A Organização das Nações Unidas obrigou os países desenvolvidos a fornecerem a tecnologia dos satélites, com bóias, inclusive, junto ao mar, de forma preventiva, para que não acontecesse mais isso. Quer dizer, precisou que houvesse todo esse sacrifício, todo esse desastre, para depois, então, trazerem a solução.

O que significa isso? Isso significa que hoje, além da informática, estamos vivendo um outro momento. Nós, que participamos na votação e na discussão do Protocolo de Kyoto, temos que entender que os Estados Unidos não assinaram o Protocolo de Kyoto não por serem imbecis, serem contra, mas devido a algumas cláusulas de conquista da humanidade. Uma delas: para poder absorver um dos gases do efeito estufa, seja o metano, que é o resultado da putrefação, da decomposição; seja o dióxido de carbono, que é da queima; seja o enxofre, que produz a chuva ácida; seja o nitrato, que é dos adubos... Então, esses gases produzem o efeito estufa. Ora, o que acontece? Qualquer mecanismo de desenvolvimento limpo que sugar um dos gases do efeito estufa, ao estar em funcionamento, cai a patente. Foi isso que os americanos não aceitaram.

Outra questão: 65% da matriz americana são originárias do combustível fóssil, quer dizer, do carvão e do óleo, enquanto que o Brasil tem 94% de origem hídrica, somando aí as questões do álcool, do biodiesel e outras alternativas.

Então, está surgindo, assim como na informática surgiu, uma nova economia mundial - inclusive, há uma bolsa chamada Nasdaq -, que é a questão do crédito de carbono.

Ora, o homem, com a inovação, com a tecnologia da informática, passou a ser dono da informação. Vejam que cidadania importante estamos tendo no mundo: o cidadão ser dono da informação! As pessoas têm o seu computador em casa e o seu celular e, portanto, qualquer coisa que acontece no mundo, elas ficam sabendo on line, no mesmo momento.

Então, caiu a cortina de ferro. A democracia da comunicação fez com que não houvesse mais segredo de pesquisa, de desenvolvimento em outros países; passou a ser democrático.

Ora, o que estamos vendo hoje? Hoje estamos vendo que podemos ter uma cidadania mais completa, em que o homem, além de ser o dono da informação, passa a ser o dono da energia, porque o mecanismo de desenvolvimento limpo chamado carro de hidrogênio, que absorve hidrogênio e oxigênio e sai a água, poderá estar ao alcance de todos os cidadãos. A pessoa compra esse carro de hidrogênio e pode recarregá-lo na tomada, através do sistema, como é feito com o telefone. E isso já existe no Japão, nos Estados Unidos e na Alemanha, que acabou de lançar, e eles não podem cobrar patente. Então, esse cidadão passa a ser o dono da energia. Portanto, ele vai andar sem passar pelos postos de gasolina porque tem um carro de hidrogênio.

Ora, dessa forma temos o surgimento da nova economia, como acontece com os biodigestores aqui em Santa Catarina e que a Sadia está pesquisando na questão dos dejetos de suínos; como existe na questão do metrô, que tiram de circulação os ônibus que emitem dióxido. E vamos, então, ter uma atmosfera mais limpa, pois não há a emissão de gases.

Todo mecanismo de desenvolvimento limpo significa de ponta, na pesquisa da nanofísica, produzir energia consumindo a menor parte da energia, quer dizer, gastando o mínimo possível as reações ocorrem. Então, neste sentido, vamos ter uma nova forma de economia, que é o crédito de carbono.

Pois bem, aonde é que estamos querendo chegar, mostrando que o homem, como cidadão, tem a liberdade e o acesso à comunicação, que essa comunicação se estendeu a todos os países por obrigatoriedade das Nações Unidas, inclusive para evitar as catástrofes? Que agora está surgindo um novo cidadão, dono da energia, pelo avanço da ciência e da tecnologia.

Nós vamos chegar ao raciocínio do porquê da presença do Bush no Brasil. Porque para termos a energia alternativa, menos poluente, temos que ter o sol, que todo mundo sabe que, ao absorver junto o dióxido de carbono, faz a fotossíntese, produzindo células vegetais. E ali está armazenada a energia, seja em forma de glicose, como é o caso da cana-de-acúcar - pois tudo que é doce, fermenta, como a uva, quando se produz o vinho -, que produz o álcool.

Então, nós temos o sol! Será que os Estados Unidos têm o sol tanto quanto nós? Será que a Europa tem o sol tanto quanto nós? Não tem! Nós temos árvores e não temos desertos. Portanto, daqui a 40, 50, 100 anos, o país do futuro, em energia alternativa, será o Brasil!

Imaginem v.exas.: Nova Iorque tem o sol de Florianópolis? Boston tem o sol do Rio de Janeiro?

Nós sabemos que em países frios e gelados as árvores, durante o inverno longo de seis meses, não se desenvolvem, não produzem fotossíntese e, dessa forma, não armazenam energia. Se os senhores forem ao Canadá, onde nós estivemos, verão que o pínus elliottis leva 40 anos para crescer porque durante seis meses ele não se desenvolve.

Agora os senhores imaginem com o sol e com o sistema de árvores nativas que nós temos, a tecnologia que nós desenvolvemos. E daí a preocupação estratégica do governo americano... E falo Bush porque é diferente. Como é uma confederação, dez estados americanos assinaram o Protocolo de Kyoto, as 80 maiores empresas americanas assinaram o Protocolo de Kyoto. E nós temos um exemplo aqui na Campina da Alegria, a Irani com a Shell comprando. Quer dizer, entidades particulares ajudando a combater o efeito estufa.

Então, Bush vem aqui e eu quero cuidados, porque daqui a um ou dois anos vamos ter energia nuclear sendo ampliada no Brasil, sem necessidade. Já existem revistas intelectuais admitindo que a energia atômica pode ser uma energia limpa. Nós não precisamos disso! Nós temos a energia hidrelétrica!Olhem bem: as nossas represas, por três, quatro anos, emitem metano, o que significa que vão poluir, produzir o efeito estufa. Mas depois de fazer a decomposição orgânica, elas absorvem o gás carbônico, assim como o mar absorve os gases do efeito estufa.

Então, nós temos que ter esse cuidado, e isso me preocupa porque 50% do nosso álcool vão para os Estados Unidos. Hugo Chávez faz os seus discursos fáceis, mas continua vendendo petróleo para os Estados Unidos. Nós sabemos que os Estados Unidos estão tendo problemas muito sérios na questão do Iraque, e provavelmente irá se discutir uma estratégia futura relacionada à questão do Irã, e vai ser belicista. E daí a questão do homem ser dono de energia são os regimes de exceção e o medo que poderá ocorrer no mundo no futuro.

Esse é o alerta que eu quero fazer na questão da visita do Bush: que todos nós possamos protestar porque o que está em jogo...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)